A professora Monaliza Furtado foi a escolhida para a missão de alfabetizar os sete alunos matriculados no curso

Aulas acontecem na escola Ana Beatriz Lemos, três vezes na semana, até dezembro

Com o incentivo da neta de apenas 10 anos, dona Márcia Regina Nunes Lopes, 53, decidiu que é a hora de aprender a ler e escrever. Ela faz parte da turma de sete alunos que iniciou o curso de alfabetização de jovens e adultos na EMEF Ana Beatriz Lemos, no bairro Estação, na última semana.

“A única coisa que eu sei escrever é o meu nome. Eu mesma fui aprendendo porque tinha que fazer os meus documentos”, relata dona Márcia. Ela conta que quando criança não teve a oportunidade de ir à escola porque tinha que cuidar dos irmãos. “Naquela época, eu tinha que cuidar dos meus irmãos pra mãe poder trabalhar, daí não pude estudar. Depois eu casei e já vieram os filhos, agora que eles estão criados, eu vou estudar. Estão todos faceiros”, afirma dona Márcia.

Aos 53 anos, dona Márcia quer realizar o sonho de aprender a ler e escrever

Ajudar a filha nos estudos foi o que impulsionou Priscila Nunes da Silva, 32, a querer aprender a ler e a escrever. A pequena Yasmin da Silva Ramos, de 7 de anos, frequenta o 2º ano do ensino fundamental na escola Ana Beatriz Lemos. Durante a pandemia, quando Yasmin permaneceu somente no ensino remoto, Priscila conta que teve dificuldade em auxiliar. “As profes mandam os trabalhos e eu não sei ler e escrever, daí fica ruim pra ajudar ela. Então quando apareceu essa oportunidade eu gostei”, relata Priscila.

Cada um dos sete alunos da turma tem com sigo uma história, mas o objetivo em comum de todos é aprender a ler e a escrever. Dona Glasis Ferreira Duarte foi a primeira inscrita no projeto de alfabetização. Ela conta que nunca aprendeu a ler e a escrever por não ter frequentado a escola. “Agora se Deus quiser vou aprender”, afirma emocionada.

Priscila quer aprender a ler e escrever para ajudar a filha, de sete anos, nas atividades escolares

A secretária de Educação e Cultura de Montenegro, Ciglia da Silveira, esteve presente na aula da última segunda-feira para dar as boas vindas aos alunos. “Nos enche de emoção, todos merecem e têm o direito de aprender. É um mundo que se abre”, afirmou Ciglia. Conforme a secretária, a ideia é que no próximo ano o projeto seja transformado oficialmente em Educação de Jovens e Adultos (EJA). Para isso, o projeto precisa antes de aprovação do Conselho Municipal de Educação, que será consultado nos próximos meses.

Aulas seguem até dezembro
As aulas do projeto de alfabetização acontecem três dias na semana até dezembro. A professora Monaliza Furtado será a responsável por alfabetizar os alunos. Ela conta que o projeto também será um desafio pessoal, pois é a primeira vez que trabalha com a alfabetização para jovens e adultos. “Eu trabalhei com alfabetização de crianças muitos anos, mas com adultos é a primeira vez que eu trabalho com alfabetização. Eu fico muito emocionada, porque é um trabalho que faz toda a diferença na vida deles, que aumenta o acesso em uma série de questões que eles acabam ficando à margem por não saber ler e escrever”, afirma Monaliza.

A expectativa da professora é que em dezembro, quando os alunos concluírem o curso, possam ter avançado do aprendizado. “Eu espero que eles terminem o ano lendo e escrevendo pelo menos palavras simples. Alguns alunos já sabem alguma coisa, então espero que eles leiam mais fluentemente. Aqueles que não sabem nada, espero que eles saibam assinar o nome deles e que façam uma nova carteira de identidade”, destaca.

Dona Glasis e seu Sebastião têm em comum a vontade de aprender

Deixe seu comentário