Foto: Enem (reprodução internet)

No primeiro dia de prova, serão cobrados conteúdos iguais, já no segundo, estudantes optarão entre provas específicas. Mudanças valem a partir de 2021

Os candidatos que realizam o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) poderão escolher qual avaliação farão no segundo dia do teste. No primeiro dia, será cobrado o conteúdo comum ensinado a todos os estudantes do Brasil. A mudança, no entanto, está prevista somente a partir de 2021.

O novo formato, que foi anunciado pelo ministro da educação, Rossieli Soares, prevê que as alterações são necessárias para adequar o Enem ao novo Ensino Médio do país, cuja lei foi aprovada em 2017. De acordo com a lei, os estudantes passarão por uma formação comum a todo o país, definida pela chamada Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que ainda está em discussão no Conselho Nacional de Educação (CNE).

De acordo com as novas orientações, 60% (1,8 mil horas) da carga horária dessa etapa escolar seria destinada a conteúdos comuns a todos os estudantes (formação geral básica). Os outros 40% (1,2 mil horas) seriam flexíveis, permitindo que os alunos escolham em que áreas específicas querem aprofundar os conhecimentos (chamados de itinerários formativos): linguagens; matemática; ciências da natureza; ciências humanas ou ensino técnico.

As mudanças no Enem estão previstas nas novas Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Médio. Para entrar em prática, no entanto, é preciso que a BNCC seja aprovada pelo CNE. O Ministério da Educação (MEC) pretende ver a Base Nacional Curricular aprovada ainda este ano, mas isso depende da agenda do CNE. “O Enem tem que ser reflexo do Ensino Médio que a gente deseja. Se vai ter flexibilidade, o itinerário não é só aprofundamento, são caminhos diferenciados, tem que fazer avaliação desses itinerários”, disse Rossieli Soares.

Para a professora Alma Dahlem, além de necessárias, as alterações no exame podem refletir positivamente no desempenho dos candidatos. “Essa é uma boa proposta para qualificar o processo de avaliação, uma vez que os alunos poderão escolher qual área se sentem mais capacitados, o que provavelmente irá refletir no resultado final”, disse Alma.

Para a professora Alma Dahlem, além de necessárias, as alterações no exame podem refletir positivamente no desempenho dos candidatos ao Ensino Superior

Com 39 anos de experiência em sala de aula, a professora salienta que, apesar de ser um importante passo para a educação, essa mudança não é uma das prioridades do Ensino Médio nesse momento. “O Enem funciona como uma porta de entrada para a formação superior, mas para qualificá-lo é preciso mexer primeiro no ensino de base, principalmente no que tange a língua portuguesa”, observa a profissional. “É como se fosse a reforma de uma casa, não podemos começar pelo telhado, e sim pelo alicerce, nesse sentido, precisamos de um projeto de educação com mais preparo para os professores”, conclui a educadora.

Mudança vai depender do novo governo

O ministro da Educação, Rossieli Soares, ressaltou que muito da implementação do novo Ensino Médio caberá ao novo governo, que terá que cuidar da escolha dos livros didáticos, da formação de professores e de novas avaliações da etapa. “A construção da matriz de avaliação, a construção real do Enem e do novo Enem caberá ao novo governo, que deverá, nos primeiros anos fazer um série de construções”, disse o ministro.

Até o fim do ano, o governo deve definir os referenciais que serão usados pelas escolas e as redes de ensino na oferta dos itinerários formativos. Pelas novas diretrizes, os itinerários deverão estar organizados, cada um deles seguindo os seguintes requisitos: investigação científica, processos criativos, mediação e intervenção sociocultural e empreendedorismo.
Cada município deverá ofertar pelo menos dois itinerários em áreas distintas para que os estudantes possam escolher.

Compartilhar

Deixe seu comentário