Todas as 28 escolas da rede municipal já têm seus planos de contingência elaborados, que serão encaminhados para aprovação para poderem reiniciar as aulas. Foto: arquivo Ibiá
Diretora geral do 5º Núcleo do Cpers, Juliana reforça que o sindicato não é favorável ao retorno das aulas antes de vacina. Foto: arquivo pessoal

Não há previsão de retorno às aulas presenciais na rede municipal de ensino

A volta às aulas tem sido motivo de preocupação para muitos pais. Porém, mesmo se mantendo em bandeira laranja no Distanciamento Controlado, Montenegro não tem previsão de retorno das atividades nas escolas da rede municipal de ensino, na Educação Infantil e Ensino Fundamental.

Neste momento, a retomada presencial das aulas acontece para cursos de ensino superior, técnico, profissionalizante e médio. Especificamente nesses casos, as atividades estão previstas a partir da próxima segunda-feira, 28. A decisão segue Decreto Municipal nº 8.157/2020 e leva em conta os indicadores da saúde do município, o calendário proposto no decreto nº 55.240/2020 do Estado e a premissa de “capacidade de autocuidado dos alunos”, dada pelo Governo Estadual.

Mesmo sem aulas, as salas de escolas de ensino fundamental do município não estão completamente sem alunos. O atendimento tem acontecido de forma individualizada nessas instituições, por escala e com todos os cuidados, de acordo com a Secretária Municipal de Educação e Cultura, Rita Carneiro Fleck.

A justificativa, segundo a gestora da pasta, é a necessidade de atender, primeiramente, os alunos com dificuldades de acesso aos materiais enviados. “Em segundo, os que possuem acesso, mas estão com dificuldades na realização das tarefas, e, ainda, os demais estudantes para verificação da aprendizagem e para retomada de vínculo”, destaca.

Uma fonte da comunidade escolar, que pediu para não ser identificada, relatou a preocupação com os protocolos de segurança nesses casos e indignação com o acolhimento sem os devidos cuidados. “Para surpresa, a aferição de temperatura em uma escola foi feita até com termômetro de mercúrio. Isso oferece um grande risco também pela proximidade de uma pessoa com a outra e manuseio do item, que facilita o contágio pelo vírus”, destaca.

A questão principal, de acordo com a fonte, é um retorno das atividades que seja seguro para todos os envolvidos, com a certeza de proteção contra o vírus da Covid-19. “Não é nada contra o atendimento aos estudantes, pelo contrário, mas com o mínimo de garantia de que tudo estará bem, para pais, crianças e funcionários, com material indicado, como termômetro infravermelho, seguindo as normas”, defende.

A secretária de educação reitera que justamente pelos altos índices de contaminação por covid-19 em Montenegro e riscos, a decisão é de ainda não retornar as aulas presenciais na rede municipal. “Pois é de entendimento do executivo, em conjunto com o Centro de Operação de Emergência em Saúde para a Educação Municipal (COE-E) e em análise aos indicadores da saúde, que não é momento de um retorno. Além de que essa faixa etária não tem condições de autocuidado, estando mais vulneráveis aos perigos de uma contaminação”, relata.

Município estrutura Planos de Contingência
Outra preocupação constante de professores, funcionários, pais e responsáveis é sobre a segurança e higienização de ambientes escolares com o retorno das aulas. Como o município tem se preparado para receber seus estudantes?

Fonte que não quis se identificar destaca que medição da temperatura foi feita com termômetro de mercúrio. Foto: arquivo pessoal

A Secretária tranquiliza e reitera que os preparos são bastante criteriosos e envolvem a aprovação pelo COE-E Municipal de um Plano de Contingência para cada instituição. “Plano esse estruturado e gerenciado pelo COE-E local (da escola). O município está organizando, juntamente com as instituições da sua rede, os protocolos. As demais, privada e estadual, fazem o mesmo movimento em suas escolas. O COE-E do município então só libera a retomada das aulas com a aprovação e implantação efetiva do Plano de Contingência, que traz no seu teor todas as regras de segurança sanitária e regulamentos”, diz.

Todas as 28 escolas da rede municipal, anuncia a Secretária, já têm seus planos elaborados, COE-E local instituídos em portaria, que serão encaminhados para aprovação. “Em que estão previstos todos os protocolos para esse possível retorno, seja no que se refere à questão de capacidade de alunos por sala de aula e imposições sanitárias essenciais para a proteção de todos”.

Em caso de alunos menores de idade, o reingresso nas atividades presenciais, conforme o decreto Estadual está condicionado ao consentimento formal dos pais ou responsáveis, segundo a Secretária. “Se optarem por não autorizarem deverão levar em conta os direcionamentos da mantenedora, que continuará com a oferta de ensino remoto”, pontua.

E como fica o transporte escolar?
Com o início gradual das aulas, muitos alunos precisam do transporte para deslocamento até as instituições. Rita esclarece que o setor de transporte escolar da SMEC já está em contato com as escolas municipais para estruturar a logística. “Tão logo sejam iniciadas as aulas nos educandários. Contudo, nesse primeiro momento, o transporte escolar é apenas para o Ensino Médio Estadual, que poderá retornar a partir de 13 de outubro”, finaliza.

5° Núcleo do Cpers se posiciona contra retorno
Diretora geral do 5° Núcleo do Cpers, Juliana Kussler reforça que o sindicato está de acordo com o posicionamento do presidente da Famurs, Maneco Hassen, contra o retorno presencial sem uma vacina eficaz contra o novo coronavírus. “Não tendo ela entendemos que deve ter distribuição de máscaras e equipamentos de segurança a todos os professores e alunos, além de testagem em massa e funcionários para higienização adequada dos ambientes”, defende.

Como o Governo não tem pago em dia nem sequer os repasses obrigatórios às escolas, Juliana afirma que essas medidas de segurança em larga escala não acontecerão. “Imagina mais essas despesas”, termina.

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