Os alunos Lívia Jumi de Oliveira, Anna Carolina Rodrigues Mousquer e Arthur da Costa Tavares, da Emei Emma Ramos de Morais, no Bairro Estação, apresentaram o trabalho “Essa é a Boca do Jacaré”. Foto: Arquivo Pessoal/ Fabiana Maria Heldt

educação. Ao todo, 36 trabalhos concorreram em quatro categorias

Promoção da iniciação científica, curiosidade e estímulo na aprendizagem. Esses são alguns dos objetivos da Feira Municipal de Iniciação Científica (Femic) de Montenegro, e que segundo professores foi alcançado com sucesso. Em 2021, 36 trabalhos concorreram no formato on-line em quatro categorias e dez foram destacados pela comissão organizadora.

Neste ano, ainda por causa da pandemia da Covid-19, as apresentações dos trabalhos foram gravadas e enviadas para a Comissão Organizadora. Todos os trabalhos foram disponibilizados na página do Youtube da “V Femic” para serem apreciadas pelo público escolar e pelos avaliadores.

Para a secretária de Educação de Montenegro, Ciglia da Silveira, é importante que se divulgue os trabalhos dos estudantes para motivá-los a pesquisar e se aprofundar nos temas propostos. Segundo ela, o resultado da Femic foi muito positivo neste ano. “Os trabalhos foram muito bem produzidos. Foi muito bom ver o empenho de alunos e professores nesta nova forma de realização do evento”, enfatiza.

Na categoria 1, que envolve Jardim I e II (A e B) da Educação Infantil, o trabalho “Essa é a Boca do Jacaré”, da EMEI Emma Ramos de Moraes, foi o grande vencedor. A professora Fabiana Maria Heldt e os alunos Anna Carolina Rodrigues Mousquer, Arthur da Costa Tavares e Lívia Jumi de Oliveira receberam a distinção.

Desenvolvido de maio a início de agosto, a proposta surgiu a partir da música “O Jacaré”. “Se referia à ideia de escondermos as partes do corpo pro jacaré não ‘comer’, em meio a muitas risadas surgiram os questionamentos, como, por exemplo: o que ele comia, se ele comia gente, quantos dentes tinha…”, conta a professora Fabiana Maria Heldt.

Segundo ela, as crianças foram, num primeiro momento, instigadas a compartilhar suas ideias, e foram levadas fotos, vídeos e livros sobre o tema. Além disso, a turma também recebeu a visita da bióloga Edina Ulrich Selau. “Foi incrível ver o envolvimento das crianças ao longo do projeto, o jacaré passou a fazer parte dos nossos dias, estava nas histórias, nas atividades, nas conversas, nas brincadeiras. […] Se pudéssemos resumir o sentimento de ter recebido o primeiro lugar em uma palavra seria: GRATIDÃO”, resume.

Lívia Jumi de Oliveira, 5, apresentou o projeto e garante que adorou e quer continuar fazendo pesquisas. “Eu aprendi que a língua deles fica presa e a nossa não. E o dente dele (jacaré) sempre quando quebra ele nasce sempre outra vez, etc…”, diz a aluna. Para ela, ganhar foi maravilhoso, mas o importante é aprender. “Eu achei legal, porque não importa se a gente ganha ou perde, o que importa é participar”, fala.

Também foram condecorados os trabalhos “Pedrinhas Coloridas”, da EMEI Esperança, em segundo lugar, com a professora orientadora Tatiele de Andrade Necher e os alunos Laura Isabelly dos Santos, Agatha Isadora Winter Ranno, Wesley de Ávila Pequerino e Carolina de Azevedo Duarte de Carvalho. E em terceiro lugar, o projeto “Encaracolados”, da Emef Etelvino de Araújo Cruz, com a orientação das professoras Patrícia Josiane de Melo e Juliana Freitas das Neves, e o destaque para os alunos Isabelle de Castro Franco, Isaque Abreu de Souza e Miguel Rosa de Lima.

A riqueza do campo
Na categoria 2, que envolve turmas do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, o trabalho “Sempre Fica Um Pouco de Perfume”, da EMEF Professora Mafalda Padilha, foi o campeão. O projeto teve como professora orientadora Aline Kerber Bruniczak e os alunos Erick Ost, Nicolas Schossler Gerhardt e Yasmin Gerhardt. Localizada em Campo do Meio, grande parte dos alunos dfazem parte de famílias de agricultores e citricultores. Com o intuito de criar um aromatizante caseiro de forma artesanal, a professora Aline Kerber Bruniczak, incentivou que eles utilizassem materiais recolhidos aos arredores de casa. “A intenção era que não fosse comprado nada, que fosse usado de recursos que eles tivessem em casa. E foi bastante interessante, porque os alunos experienciaram várias receitas”, fala.

Com um retorno positivo por parte das crianças, Aline trabalhou também questões como sustentabilidade, impacto ambiental, empreendedorismo e produção. “Eu vi que eles tinham saberes construídos maravilhosos e que isso precisava ser explorado para além dos muros da escola, e deu super certo”, declara a professora.

O trabalho “Sempre fica um pouco de perfume”, da EMEF Professora Mafalda Padilha, foi um dos campeões. O projeto teve como professora orientadora Aline Kerber Bruniczak e os alunos Erick Ost, Yasmin Gerhardt e Nicolas Schossler Gerhardt (na foto). Foto: arquivo pessoal

O projeto também recebeu 2° lugar na Mostra de Ciências do Clube, no Rio de Janeiro, no dia 25 de agosto. “Eles apresentaram ao vivo para os avaliadores dentre estudantes de outras partes do Brasil, foi muito emocionante”, relembra. Com a classificação os alunos ganharam uma credencial para participar de uma feira em 2022 em Santa Catarina. Além disso, o trabalho também foi aprovado para participar da Feira de Ciências e Engenharia do Estado do Amapá (FECEAP) e está aguardando a seleção em outras feiras a nível nacional e internacional. “Eu ouso dizer que eles estão saindo de Campo do Meio para o Brasil, e isso é muito bacana”, concluí.

Nicolas Schossler Gerhardt, 9, fez aromas de laranjinha, funcho, hortelã e alecrim. Tudo disponível na horta da avó. “Eu adorei fazer com os meus colegas, todo mundo fez uma parte”, declara. Com os produtos já em uso, Nicolas conta que ficou surpreso com o resultado, mas muito feliz. “A gente vai participar de outras (feiras) e eu estou pensando que a gente vai ganhar o segundo ou o primeiro (lugar)”, fala, confiante.

O projeto “Semente… Sementinha”, da EMEF Lena Pithan, ficou em segundo na categoria da Femic. Foram agraciados os alunos Camili Vitória Musskopf, Guilerme Staudt Vargas e Joaquim Alves da Silva, com a orientação de Maria Regina Fromming. Em terceiro lugar, ficou o trabalho “Proteja-se: Use Máscara”, da EMEF Carolina Augusta B. Kochemborger, dos alunos Pietro Basílio de Souza, Kléber Lucas Xarmes e Andriéle Mattes da Motta, com orientação da professora Rita Mitiele Alves da Silva.

Na Expointer
Nos dias 10, 11 e 12, o projeto da escola Mafalda Padilha estará em exposição na 44ª edição da Expointer, em Esteio. Ao lado dele estarão os projetos Encaracolados (Etelvino de Araújo Cruz), Flores Frutas e Aromas (Bárbara Heleodora) e Placas Solares (Pedro João Müller). Mas antes disso, ainda nos dias 4 e 5, estarão na feira as escolas Pedro João Muller (projeto “Carvão Vegetal”), Manoel José da Motta (“Nosso pé de Algodão”) e Carlos Frederico Schubert (“A magia da Lua”).

Não somente arte
Com o trabalho “Conhecendo as Facetas de Leonardo da Vinci”, os alunos Bernardo de Lima Lucas, Giseli de Azevedo e Karine Maria Müller, da EMEF Pedro João Muller, com orientação da professora Karla Von Der Osten Pereira, foram agraciados com o 1° lugar na categoria 3, dos estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental.

Desenvolvido desde meados de junho, o projeto iniciou na disciplina de Arte do 7º ano, partindo do Renascimento. “Sempre quando leciono sobre o tema, gosto de começar apresentando Leonardo da Vinci, não apenas ressaltando o grande artista que foi, mas mostrando outras áreas do conhecimento em que ele atuou brilhantemente, os estudantes costumam ficar entusiasmados e dessa vez, não foi diferente”, explica a professora Karla Von Der Osten Pereira.

Alunos fizeram desenhos de observação de plantas como parte do trabalho. Foto: Arquivo Pessoal/ Karla Von Der Osten Pereira

Por meio do entusiasmo dos estudantes, Karla resolveu propor que os conteúdos trabalhados em sala de aula fossem transformados em um projeto para a feira. “O trabalho foi dividido em duas partes, a primeira consistiu em estudar a teoria e entender os projetos, esboços e escritos de Da Vinci, e a segunda, em experimentar e criar protótipos a partir dos temas pesquisados, dentre eles a botânica, a geometria, o desenho em perspectiva e as invenções de equipamentos voadores”, diz. Segundo ela, ser premiado foi uma bela surpresa. “Já estamos pensando em projetos e protótipos maiores para as próximas edições da Femic”.

Conhecedora apenas de pinturas famosas de Da Vinci, Giseli de Azevedo, 12, relata que foi ótimo aprender novas coisas. “Eu gosto muito de falar com as pessoas e a apresentação para mim é fácil. E aprender arte também é muito legal, é uma das melhores matérias”, ressalta. A jovem declara que foi o primeiro concurso que venceu.

Na categoria, também foram premiados o projeto “Alimentação dos Girinos”, da EMEF Etelvino de Araújo Cruz, em 2° Lugar. Os alunos Gustavo Silva, Filipe Vieira Santos e Nicolas Santos Flores receberam a orientação de Rafael Meira Seniw. Em 3° lugar, ficou o trabalho “Assédio, Machismo e Comportamento Feminino Na Sociedade”, da aluna Ana Caroline dos Santos de Oliveira, da EMEF Etelvino de Araújo Cruz, com a orientação da professora Tatiane Passos.

Curiosidade com o cotidiano
O trabalho mais curtido foi “Por que os pássaros cantam?” da EMEI Santo Antônio com Juliana Brandão como orientadora dos alunos Enrico dos Santos Velten, Juliana da Rosa Flach, Yasmin Rosa de Mello e Matheus Langhammer Kettermann. O trabalho que teve início efetivo por meados de junho segue ocorrendo com a turma.

De acordo com a professora, tudo teve início com a curiosidade dos pequenos. “A gente iniciou porque tem uma árvore próximo da nossa janela e eles vêem os pássaros a todo tempo. A gente começou a colocar semente e aguinha, e cada vez eles vêm mais”.

Pequenos colocaram sementes e água para pássaros. Foto: Arquivo Pessoal/ Juliana Brandão

A partir disso, os alunos foram observando quais pássaros iam na escola, o que faziam e onde estavam. A professora relata que o projeto também saiu da instituição, se entendendo ao bairro. “O Santo Antonio é bem arborizado, então tem várias espécies, eu nem imaginava que a gente ia encontrar tanta espécie diferente”, diz. Os alunos também contaram com a visitação em uma exposição da artista Lisete Nonnemacher, na Estação da Cultura.

Com a ajuda dos pais, as crianças repassam as experiências que têm em casa, e contribuem com o trabalho. De acordo com Juliana, foi gratificante ter recebido tanto apoio para vencer a categoria. “Como esse ano, da escola, tinha só nós representando, então não foi algo só da turminha deles, foi de toda a comunidade escolar”, fala.

A pequena Yasmin Rosa, 4 anos, diz que havia visto os pássaros próximo à sala de aula e ficou muito curiosa. “De ver os passarinhos, as cores deles, e o canto deles”, ressalta. Além de receberem o destaque como trabalho mais curtido na Femic, o projeto da EMEI Santo Antônio também recebeu 3° lugar, na categoria infantil, da Mostra de Ciências do Clube, no Rio de Janeiro.

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