Sem ter como voltar para suas cidades, estudantes desistem de estudar na Uergs, em Montenegro. Foto: Arquivo/Jornal Ibiá

Estudantes que moram fora de Montenegro e estudam na Uergs também têm problemas para chegar à Universidade. O estudante de Teatro Kanauã Nharu afirma que cerca de 200 alunos estariam sendo prejudicados com a decisão da retirada da linha Montenegro/Porto Alegre, que possibilitava que os alunos de fora seguissem estudando na Uergs, com volta à Capital às 22h40min. “Muitos alunos deixaram e deixarão de frequentar os cursos de Arte na cidade, porque este horário de ônibus que os estudantes que residem em outras localidades pegavam foi cancelado. É impossível estudarmos tanto no vespertino quanto de noite”, lamenta.

Morador de Canoas, Kanauã iniciou os estudos na Uergs em 2017 e desde lá sempre utilizou o ônibus para ida e volta. Para ele, não tem condição de seguir estudando pelo gasto excessivo. “Como estudantes, podemos pedir Passe Livre Estudantil que nos dá o direito de passagem gratuita em dias de aula, mas sem os horários para voltar de noite, muitos alunos têm que dormir em Montenegro ou arcar com outras formas de ir e voltar para suas cidades. Isso é super inviável para mim, por exemplo, que sobrevivo como artista”, desabafa. “Precisamos trabalhar no dia seguinte em nossas cidades e tendo o ônibus da noite conseguimos voltar pra casa e trabalhar a tempo”, acrescenta.

Luiz Oliveira, aluno da Universidade desde 2019, também sempre utilizou os ônibus da Vimsa para ida e volta da instituição, já que morava em Porto Alegre. Atualmente residindo em Viamão, Luiz ainda utiliza a linha de ida para seguir estudando, mas agora, fica sem ter como retornar à cidade onde mora. No ápice da pandemia, os alunos mantiveram aulas on-line, mas a Uergs agora voltou a atender presencialmente, com o ônibus suspenso.

Segundo ele, os alunos já solicitaram à Vimsa o retorno do horário das 22h40min, mas não tiveram sucesso. “Com a volta de outras instituições de ensino, na forma presencial, outro ônibus foi disponibilizado para elas”, explica. O sentimento é de decepção. “Ficamos totalmente chocados e nos sentimos desvalorizados pela única empresa da cidade, que, inclusive, a Uergs usou por anos e batalhou para que essa linha existisse para atender a demanda dos estudantes que não moram na cidade”, ressalta. A oferta que atende os estudantes das outras universidades não soluciona a questão aos alunos da Uergs pois o sentido da linha tem de ser contrário, saindo de Montenegro após o horário de término da aula.

Desde o cancelamento da linha os alunos estão lutando para seguir estudando. “Estou indo, mas dependendo de caronas de professores e colegas que têm carro. Outros alunos acabam tendo que dormir na casa de colegas. Com o retorno das aulas presenciais, continuamos batalhando para que a empresa volte com a linha do ônibus para podermos voltar para as nossas casas”, conclui Luiz. O Ibiá tentou contato com a Vimsa a respeito do atendimento aos alunos da Uergs, mas, até o fechamento da matéria, não obteve retorno. (IF)

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