Com o auxílio da mãe, Kaio, 10 anos, tenta manter as tarefas escolares em dia. Foto: arquivo familiar

Pais auxiliam como podem, mas têm dificuldades junto aos alunos

Após a chegada da pandemia de coronavírus no Brasil, o fechamento e interrupção das aulas presenciais nas instituições de ensino foram quase que imediatas. Estamos vivendo em uma época de muitas incertezas e mudanças em uma situação que não tem data para terminar. Uma das questões mais comentadas e questionadas por pais, alunos e professores é o ensino à distância que se tornou necessário quando muitos países resolveram fechar as escolas e então fornecer o ensino online.

Tanto as escolas quanto os alunos e seus pais estão tendo que se adaptar à um projeto de ensino digital, em um momento onde videoaulas e ferramentas de atividades online se tornaram necessidade. Nesse cenário, muitas dúvidas surgem, até a curiosidade de saber quando o ensino presencial retornará.

Ainda que entendam que no momento o ensino nessa modalidade é a única opção para que os filhos não percam o ano letivo, pais têm dificuldades de lidar com a nova rotina e se preocupam com o quanto esta nova situação irá prejudicar a aprendizagem.

Tempo e internet estável são necessários
Gustavo Machado, 37, é um desses pais. Ele preza pela educação dos cinco filhos. Por trabalhar em um frigorífico como auxiliar de produção, a partir das 5h da manhã ele já não pode estar presente para auxiliar os filhos nessa empreitada. Ele conta que até às 18h, sua esposa, Juliana Silveira, 34, que é artesã e trabalha em casa, dá o devido apoio a eles. Mesmo diante da situação, ao chegar em casa Gustavo ajuda no que consegue, a fim de manter as matérias em dia. Ele salienta que não tem sido tarefa fácil e que dificuldades surgem, sempre ligadas à qualidade do sinal de internet.

“Acredito que todo mundo dá o seu melhor, mas não é fácil. Às vezes quando vamos abrir o aplicativo que o Governo criou diz que nossa internet é fraca. Aí a gente fez uma reclamação no aplicativo e não tem resposta. A gente consegue usar, mas não dá para mandar vídeos quando os professores solicitam. Então para usar tem que ter uma internet potente, o que é um defeito, pois algumas pessoas nem têm internet. A minha preocupação é com quem não tem nenhum acesso”, pontua.

Débora Senger, 37, mãe de Kaio Olímpio Senger de Abreu, de 10 anos, compartilha das mesmas preocupações que o casal. Ela comenta que tem ciência da falta de internet de muitos, mas afirma confiar no auxílio prestado pelas instituições de ensino.
“Nem toda família tem acesso a computadores de qualidade ou internet estável”, diz Débora, que diz confiar nas instituições de ensino, que conhecerm a realidade dos alunos e de cada família. “Eu tenho em mim a certeza, até porque eu também já trabalhei em escola, que todas as instituições darão um aparato. Famílias que não dispõe disso infelizmente não têm como acompanhar as aulas online. Mas fazer fotos de atividades realizadas e enviar arquivos sim”, exemplifica.

Sobrecarga é grande para acompanhar novas tecnologias
Segundo relato de Débora Senger, o momento exigiu que pais façam o papel de professor e que muitos não têm preparo para o que é necessário agora, sejam pais, alunos ou até mestres. A tentativa de ajudar o filho e acompanhar as aulas nesse novo formato tem sido complicada. “Nós não estamos totalmente preparados para o que está acontecendo. Foram necessários alguns ajustes de última hora. Os professores também estão sobrecarregados e tendo que aprender a lidar com as novas tecnologias, criar matérias que funcionem para o ensino online. Então tem muita gente sobrecarregada não só com a pandemia, mas tendo que lidar com o aprendizado de novas tecnologias” diz ela. “Nós pais estamos fazendo o possível e o impossível para ajudar nossos filhos”, completa.

Para ela, a maior dificuldade é aprender a lidar com os aplicativos na era digital. “A gente não consegue se adaptar aos Apps e as coisas novas das tecnologias que estão surgindo. Isso tem gerado dificuldade, mas também aprendizagem pra gente. Tem aplicativos que não conseguimos entrar de jeito nenhum, daí o Kaio chora, fica apreensivo. Se para os pais já é dificultoso, imagina para uma criança de dez anos? Essa é uma experiência desafiadora”, afirma.

Já Juliana Silveira ainda relembra outro fator que dificulta as coisas em sua casa: para sete pessoas há apenas dois aparelhos celulares, o que acaba sobrecarregando todos da casa. Os filhos têm 6, 10, 12, 14 e 16 anos e o mais complicado é o auxílio aos mais novos. “Eu copio a aula da nossa filha que está no primeiro ano do fundamental em um caderno e depois passo para ela copiar no dela, para poder dar o celular ao meu filho que está no quarto ano. Enquanto isso, os outros três filhos de mais idade dividem o segundo celular”, finaliza.

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