Instituição aderiu à paralisação convocada pelo CPERS e chamou a atenção para a falta de professores

Com o quadro de professores incompleto, a paralisação denuncia desmonte da instituição

Quem passou pelo Colégio Estadual Ivo Bühler, o Ciep, nesta segunda-feira, 3, encontrou as salas de aula vazias. Com o quadro de professores incompleto, salários atrasados, parcelados e sem reajuste há quase 5 anos, a instituição aderiu à paralisação de um dia convocada pelo CPERS – Sindicato. Além das demandas coletivas a nível estadual, o colégio localizado em uma das comunidades mais carente de Montenegro enfrenta outros agravantes.

De acordo com a direção do Ciep, há duas semanas a instituição teve um professor de matemática retirado de sala de aula e transferido para outra escola dentro do município. Com a transferência, os alunos dos 6º anos estão sem aula. “Para nós, isso foi muito frustrante, pois nos parece que nossa escola vale menos que outras”, desabafa o diretor do Ciep, Renato Antônio Kranz. “Recebemos o aviso em uma tarde e no dia seguinte ele [professor] teria que se apresentar na outra escola, e isso deixou um clima de indignação entre os professores e nós nos sentimos desamparados pelo poder público”, dispara o diretor.

Entre os alunos dos anos iniciais – 1º ao 5º ano – a situação é ainda mais agrave. Há cerca de dois meses, os alunos do 1º ano também perderam um professor por transferência e não houve reposição. “Nossas crianças estão indo para casa porque não estão sendo atendidas no segundo turno”, lamento Kranz.

Outra mudança que causou revolta na academia escolar foi a respeito da determinação do Estado para a retirada dos educadores das áreas do contraturno. O diretor explica que os alunos das séries iniciais têm aulas com os professores regulares (unidocentes) pela manhã, e no turno da tarde, mais quatro horas com professores de diferentes áreas.

Com as salas de aulas vazias, o sentimento compartilhado entre os professores era o mesmo

“Eles deixaram de ter aulas de Artes, Português, Ciências, Matemática, Educação Física, Inglês e Ensino Religioso porque retiraram todos os professores para contratar os professores de currículo [de séries inicias]”, salienta o diretor, que ainda acrescenta que a ordem partiu da 2° Coordenadoria Regional de Educação. “Eu concordo que façam isso, mas só depois que a escola tivesse um professor para substituir, então essa semana estou sem professores de 1º, 3 º e 4º ano, e nem sei se conseguiremos todos que precisamos”, completa.

Impacto também é social
Com as aulas suspensas por falta de professor, o diretor do Ciep explica que as consequências são graves para a realidade da instituição. “Muitos pais precisam que a escola esteja em pleno funcionamento para poderem ir trabalhar”, disse Renato Antônio Kranz.

“Sem os dois turnos, o impacto social é muito preocupante para essas famílias que nem sempre tem com quem deixar os filhos”, ressalta.

Apesar das reivindicações das paralisações em nível estadual, uma professora do Ciep, que prefere não ser identificada por medo de represálias em apoiar a grave, ressalta a importância do vínculo entre escola e comunidade. “Os pais deixam aqui às 7h da manhã e buscam no fim da tarde, nesse período elas são educadas, alimentadas e orientadas, ou seja, não é só a parte educacional, é social também” comenta a professora.

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