Para funcionar, a disciplina deverá ser abordada em várias áreas. Foto: reprodução internet

Com base nas novas diretrizes da BNCC, todas as instituições, públicas ou privadas, de Ensino Fundamental do país devem se adequar até dezembro

Todas as escolas de Ensino Fundamental do país devem se adaptar às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Uma dessas orientações diz respeito à resolução de problemas dentro do contexto da Educação Financeira. De acordo a BNCC, no ensino agora “podem ser discutidos assuntos como taxas de juros, inflação, aplicações financeiras e impostos”. Além disso, a Base também diz que essa abordagem “favorece um estudo interdisciplinar envolvendo as dimensões culturais, sociais, políticas e psicológicas, além da econômica, sobre as questões do consumo, trabalho e dinheiro”.

Apesar da obrigatoriedade que passa a valer a partir do fim do ano, a orientação não é nova, uma vez que os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) já refletiam sobre a colaboração que a área tem a oferecer com foco na formação da cidadania. Dessa forma, o objetivo é incentivar que os alunos tenham capacidade de se posicionar de maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes situações sociais. Para o professor de ciências econômicas da Ulbra, Sandro da Rosa Wollenhaupt, a mudança é de fundamental para formação de indivíduos mais conscientes.

Sandro da Rosa Wollenhaupt. Foto: arquivo pessoal

“Via de regra, o brasileiro não é educado financeiramente, talvez porque poucos pais conversam sobre isso. Assim como as crianças precisam de limites no processo educacional para saber o que é o certo ou errado, elas também devem ter essa noção no que diz respeito à educação financeira. Esse processo pode ajudar na conscientização sobre as vontades para poder usar os recursos e a disciplina”, destaca o professor.

As mudanças estipuladas pela BNCC já estão aprovadas e entrando em vigor para os alunos da Educação Infantil e Ensino Fundamental, dessa forma, tanto as escolas públicas quanto as privadas terão até o fim do ano para implementar todas as alterações exigidas. Para funcionar, a disciplina deverá ser abordada principalmente em Matemática e Ciências da Natureza, podendo aparecer em outras matérias como História, por exemplo, mostrando o surgimento do dinheiro e sua função na sociedade, o consumo em diferentes momentos históricos, entre outros.

Antes da obrigatoriedade, o tema já era abordado no Instituto de Educação São José, em Montenegro. Conforme a vice-diretora Anna Furtado dos Santos, a educação financeira e o empreendedorismo é uma tendência na forma de ensinar. “Desde 2015 notamos a necessidade dos alunos em aprender a valorizar o dinheiro sabendo economizar e empreender”, disse Anna. “Esse é um assunto abordado desde a Educação Infantil com o desenvolvimento de diversos projetos e de acordo com a série para melhor aprendizado”, completou.

Educação financeira deve começar em casa
Mesmo com o papel imprescindível das escolas no que diz respeito à educação financeira, a mudança não deve, porém, substituir os ensinamentos dos pais sobre o tema. “A questão da educação financeira começa em casa, sendo o dever dos pais falarem com os filhos sobre o assunto”, explica o professor.

Um das formas de inserir o tema no dia a dia das crianças é através do uso da mesada, orienta o professor de economia e também autor do livro “Finanças pessoais em 8 lições”.

“Os pais podem dar aos filhos R$ 10,00 semanalmente, por exemplo, e no final de semana cobrar como o dinheiro foi gasto, além disso, quando a crianças pedir determinado presente, é importante incentivá-la a poupar para conseguir”, orienta Wollenhaupt.

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