Na maioria dos casos, gente da direção precisa largar seu posto para atender alunos

Maioria das instituições de ensino estaduais sofre sem funcionários e educadores

Falta de professores é uma constante na região. Matéria do Jornal Ibiá veiculada no início de março evidenciou uma problemática realidade, que se repete ano após ano, principalmente na rede estadual de ensino. Passado um mês, a reportagem voltou a contatar as escolas de Montenegro e arredores para saber o que mudou. A conclusão? Na maioria dos casos, o que não foi remediado ficou ainda pior.

É o caso, por exemplo, da Escola José Garibaldi, no interior de Montenegro. Com quadro completo no mês passado, hoje a instituição sofre sem uma professora para atender do primeiro ao quinto ano do Ensino Fundamental; sem uma monitora; e sem uma secretária. Nos três casos, as servidoras entraram em licença e o Estado ainda não mandou ninguém para ocupar as funções. Na Manoel de Souza Moraes, do bairro Progresso, conseguiu-se a professora que faltava para atender o quinto ano. Ainda falta uma para atender o quarto e, agora, falta também alguém que coordene o Atendimento Educacional Especializado. A profissional entrou em licença premium e o posicionamento da Coordenadoria Regional de Educação (CRE) para o problema é que um novo funcionário está “em chegar”.

Esta “está para ser resolvido”, aliás, é uma resposta muito ouvida pelos diretores das escolas, que ligam frequentemente em busca de solução para as faltas nos quadros de funcionários. É o caso da direção do Adelaide Sá Brito, que segue sem um professor de Matemática e sem orientadora e supervisora. Só um dos problemas levantados em março na instituição que foi resolvido: a falta de um professor de currículo, que atendesse do primeiro ao quinto ano.

Só que para atender essa necessidade do Adelaide, no entanto, o profissional acabou sendo tirado do Colégio Ivo Bühler, o Ciep. “Desvestiram um santo para cobrir o outro”, ironiza o diretor da segunda instituição, Renato Antônio Kranz. Ele conta que, apesar dessa falta, ao menos o monitor e os professores das áreas de Ciências, Artes e Matemática do turno integral que faltavam foram repostos neste último mês.

Na Dr. Jorge Guilherme Moojen, a situação não mudou desde março e ainda falta um servidor para a limpeza. É nessa área que também está o problema na Osvaldo Brochier, de Santos Reis. Sem nenhum servidor para limpar as instalações, o serviço é feito, como dá, pela direção e demais professores. Além disso, por lá ainda falta professor de História e de Geografia. Estes também “estão por vir”, como dizem as promessas dadas.

No Polivalente, falta uma professora de Inglês, que só volta de licença ao final deste mês. No A. J. Renner, faltava para as áreas de Literatura e Língua Portuguesa e, como se não bastasse, agora a de Espanhol desistiu do contrato e também este cargo ficou vago no colégio. Lá também falta um agente educacional de infraestrutura. O Delfina Dias Ferraz continua sem os professores de Português e Matemática; e o Januário Corrêa segue sem o de Ciências. No São João Batista, até veio o que faltava, de Espanhol, mas continuam vagos os cargos da área técnica de Química e de Eletrotécnica, além de funcionários para a limpeza e uma merendeira. Algumas aulas do técnico, à noite, não estão sendo realizadas pela falta de professores.

Na Adão Martini, a direção abriu pedido de uma nova orientadora, mas ainda não teve retorno. No Álvaro de Moraes, a necessidade é de educadores nas áreas de Educação Física e de Geografia, situação igual à que ocorre na Escola Promorar, que também precisa de um para Português, sem previsão de resolução para a demanda. Se viram os demais funcionários para não deixar ninguém sem aulas. Das estaduais de Montenegro, apenas Aurélio Porto, Yara Gaia e Tanac, hoje, estão com o quadro completo.

O mesmo se percebe na região
As diretoras das escolas Erni Oscar Fauth, de Brochier, e Engenheiro Paulo Chaves, de Maratá, informaram que foram pessoalmente à Coordenadoria ontem, 4, para buscar posicionamentos sobre a falta de professores.

Uma forma de dar uma pressão a mais aos responsáveis visto que, na primeira, falta uma merendeira e professores de Espanhol e de Literatura; e, na segunda, também uma merendeira torna o quadro incompleto e o serviço vem sendo suprido pelo voluntariado de mães dos alunos.

Na Escola São José do Maratá, de São José do Sul, assim como em março, ainda falta uma professora de Artes e uma para as séries iniciais. A de Matemática se conseguiu.

No Pareci Novo, a São Francisco de Assis ainda está sem a de Espanhol e, agora, também sem as duas professoras de Português, que estão em licença.

Redes Municipais
Na rede municipal, Montenegro precisou abrir processo seletivo para suprir 14 vagas em caráter emergencial. As inscrições terminaram em 8 de março, mas, questionada na manhã de ontem, a Prefeitura – até o final de seu expediente – não confirmou se os cargos foram preenchidos por completo.
Brochier, Maratá, Pareci Novo e São José do Sul não registraram problemas de falta de professores em suas redes municipais.

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