Domingo foi de provas em seis escolas de Montenegro para jovens e adultos de toda a região

O eletricista Eduardo Modzelan, de 36 anos, já não lembra bem de onde cursou o Ensino Fundamental. Talvez o tenha concluído através de um supletivo, cogita sem muita certeza. É que depois de tantos anos de muito trabalho, os tempos de estudo parecem distantes na memória. Mas isso não o impediu de passar esse domingo, 29, numa sala de aula da escola São João Batista fazendo provas no intuito de conquistar seu diploma de Ensino Médio. Essa foi a rotina dos inscritos no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) nesse domingo.

O Encceja é uma oportunidade para quem não completou os estudos na idade regular. Jovens a partir dos 15 anos no caso da certificação do Ensino Fundamental; ou de no mínimo 18 anos para a certificação do Ensino Médio, garantindo um bom resultado na prova conquistam o diploma. Em Montenegro – onde realizam o teste estudantes de diversas cidades da região – foram aplicadas provas em seis instituições de ensino: Escola Estadual de Ensino Médio Delfina Dias Ferraz, Escola Estadual de Ensino Fundamental Álvaro de Moraes, Colégio Estadual Ivo Bühler (Ciep), Colégio Estadual AJ Renner, Escola Municipal de Ensino Fundamental Cinco de Maio e Escola Estadual Técnica São João Batista.

Eduardo Modzelan realizou a prova na escola São João Batista

São muitas os objetivos que levam cidadãos de variadas idades a realizar o Encceja. No caso do Eduardo, que abandonou os estudos para trabalhar, é a chance de, tendo Ensino Médio, conseguir melhores oportunidades de trabalho. “Hoje em dia emprego é pra quem tem conhecimento e escolaridade”, diz ele, confiante no resultado da prova e nas vitórias que virão com a boa nota. O eletricista relata que já realizou vários cursos na sua área de trabalho, mas que, sem o Ensino Médio, muitas empresas não contratam. Por isso, estudou para a prova e estava confiante no resultado.

Letícia e Jesse Pivotti realizam, junto com irmão, Moisés, o Encceja na escola Delfina Dias Ferraz

Bem mais jovens, os irmãos Pivotti, da cidade de Brochier, também realizam o Encceja. Letícia, de 24 anos, estudou até o 1º ano do Ensino Médio; Moisés, de 15 anos, até a 6º ano do Ensino Fundamental; e Jesse, de 17 anos, até 7º ano do Ensino Fundamental. O objetivo dos três é concluir as respectivas etapas escolares de forma mais rápida do que seria no colégio regular. Letícia tem uma empresa que faz a manutenção do serviço de abastecimento de água em Brochier, Maratá e Pareci Novo. Mesmo não precisando do diploma na busca pelo emprego, ela conta que considera importante concluir o Ensino Médio. “Eu parei de estudar quando casei e tive minha filha. E agora resolvi concluir os estudos, é importante”, relata Letícia, cuja filha hoje tem cinco anos. Os três irmãos consideraram as provas aplicadas pela manhã de média dificuldade. “O início mais fácil e o final mais difícil”, apontou Letícia. “Mas vai dar tudo certo”, complementou.

Em todo o Brasil, o Encceja teve mais de 1,6 milhão pessoas inscritas, com provas aplicadas em 622 cidades. São quatro provas objetivas, cada uma com 30 questões de múltipla escolha, além da redação. Para obter o certificado, o participante deverá atingir no mínimo 100 pontos em cada uma das provas, em uma escala de 60 a 180. Na redação, é preciso ter nota igual ou acima de 5. Os gabaritos devem ser divulgados até o dia 10 de setembro.

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