É importante acompanhar o sobe e desce dos juros básicos; e estar atento às melhores condições pra você. FOTO: GETTY IMAGES

Entenda porque as linhas de crédito não caem na velocidade dos cortes da Selic

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou que, dessa vez, não vai cortar a taxa Selic dos juros básicos da economia. Interrompendo uma sequência de cortes iniciada em julho de 2019, a entidade mantém a taxa em 2 % ao ano, no menor patamar da história. A expectativa do mercado financeiro é que o percentual seja mantido até o fim do ano, com previsão de 2,88% em 2021 e 4,5% em 2022.

Deixar a Selic baixa – você já leu por aqui – é alternativa de estímulo à economia. Serve para deixar o crédito mais acessível para a população, em tese, incentivando empréstimos e financiamentos por causa dos juros reduzidos. Isso quer dizer que você vai financiar um bem com esses juros de 2% ao ano? Longe disso.

O estímulo dado pela queda da Selic para derrubar os demais juros das economias e dos bancos funcionou para as principais linhas de crédito do Brasil, mas todas continuam bem maiores do que a taxa básica. Os que ficaram mais atrativos, como o financiamento imobiliário, ainda estão pouco abaixo dos 10% ao ano na maioria dos bancos; e ainda tem aqueles mais distantes, como os temidos juros dos cartões de crédito, já acima dos 300%.

O que acontece?
A queda de 85,90% da taxa de Selic entre 2016 e 2020 é maior do que as reduções registradas em todas as linhas. Mas é preciso entender que a taxa de juros básica não é o único fator na composição dos juros. Apesar de ser a referência para as instituições financeiras, a Selic é considerada junto de despesas administrativas e tributárias, além do risco de inadimplência. O potencial de “calote”, aliás, é um dos principais argumentos dos bancos para não reduzirem mais os seus juros; já que as chances de inadimplência não acompanharam a velocidade de queda da Selic – para algumas linhas, elas até aumentaram em razão do contexto atual de crise econômica.

O que defende o Banco Central é que o acompanhamento das reduções da Selic, para que se efetive ao cidadão comum, precisa ocorrer de forma “sustentável”. Isso, através do avanço de políticas que aumentem a capacidade de recuperação de garantias e que reduzam a inadimplência. O Cadastro Positivo, que entrou em vigor no ano passado, é citado como uma dessas medidas; visto é uma ferramenta a mais para conhecer o “bom pagador”. Mas parece ainda não ser o bastante.

Vendo a tabela, o financiamento imobiliário, apesar de não acumular grande percentual 6de redução no período, é um dos mais atrativos. E essa lógica também está relacionada à inadimplência. Como os contratos do tipo costumam oferecer o próprio imóvel como garantia da operação, há menos risco para o banco e, com isso, taxas menores. A redução só não é maior, acompanhando a Selic, porque o espaço para cortes é menor; dado o já baixo patamar do financiamento.

O que fazer?
Você já entendeu que o risco de inadimplência e as despesas tributárias e administrativas também pesam dentro das definições das taxas; mas isso não quer dizer que não seja possível negociar, dependendo da linha. A relação instituição x cliente pesa; então se a taxa não está legal pra você, procure o banco e veja sobre as possibilidades de renegociação ou até de um novo acordo. Não deu certo? Dê uma olhada no banco vizinho sobre possibilidades de transferir sua dívida para lá. As condições variam e podem ser bem atrativas.

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