Se não hoje, nos próximos dias, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve decidir como ficará a taxa Selic, dos juros básicos da economia brasileira. A tendência é que ocorra um novo aumento, dos atuais 2,75% para 3,5% ao ano. De um lado, deixa o crédito mais caro; mas, de outro, atrai o investidor que quer fazer seu dinheiro render. Mesmo assim, a Selic segue baixa e, com ela – a coluna abordou o tema na semana passada – o rendimento da poupança continua pouco atrativo. A 70% da Selic, ela rende 1,9% ao ano; hoje, bem abaixo da inflação acumulada, que é de 6,10%. Na prática, é o dinheiro guardado perdendo poder de compra. A quem quer ver a grana render, o momento é de buscar alternativas. E uma bastante segura – alguns apontam que até mais do que a poupança – é o investimento no Tesouro Direto.

Para a União
O Tesouro Direto é, praticamente, um empréstimo de dinheiro ao Governo Federal; numa transação que rende juros ao emprestador. Os juros são pagos pelo próprio governo. Daí vem o entendimento da segurança maior do que a poupança, visto que as chances de calote ou do País inteiro quebrar são um tanto improváveis. O investidor, então, compra os títulos do tesouro em uma das modalidades disponíveis e escolhe uma data de vencimento – de 2026 até 2055 – para deixar seu dinheiro render.

Vencimento
A data de vencimento é ponto chave e precisa estar bem alinhada ao objetivo do investidor. É que o ideal é conseguir aguardar o período escolhido acabar para retirar o dinheiro. É possível sacar antes, claro, mas aí o valor do rendimento vai variar de acordo com o que o mercado estará pagando pelo título no dia em questão. Quem não conseguir esperar, pode acabar até perdendo dinheiro (ou sim, ganhando, em alguns casos); por isso o mais indicado é esperar o vencimento combinado. Deixar dinheiro para emergências investido no tesouro, nesse sentido, não é uma boa.

O que saber
O primeiro passo é procurar uma instituição financeira (corretora ou banco) que possibilite investir no tesouro e abrir uma conta. Tudo é feito numa plataforma própria do governo e muitas financeiras costumam não cobrar taxas pra isso. Dá pra começar com investimento mínimo não muito acima de R$ 30,00. Quanto a custos, desde o ano passado, não há taxa de custódia da Bolsa para até R$ 10 mil no tesouro. Só há cobrança do IOF sobre os rendimentos, o imposto sobre operações financeiras, se o título for resgatado em menos de 30 dias. E ao contrário da poupança, há Imposto de Renda só sobre o rendimento, cobrado em quatro faixas, que vão de 22,5% para títulos com até 180 dias a 15% aos com acima de 720 dias. Corrói um pouco do lucro, mas nada que perca a atratividade.

Os tipos: IPCA
No Tesouro Direto, o Tesouro IPCA é o título que paga o rendimento da inflação oficial do País; ao contrário da poupança, protegendo seu poder de compra. Ele ainda garante um juro anual que pode ser até superior a 4% Pode não parecer muito, mas é mais do que a Selic. Um cuidado importante, porém, é que, especialmente nele, é preciso atenção com o saque antes do vencimento, pois as variações costumam ser maiores.

Os tipos: Prefixado
O Tesouro Prefixado, na hora do investimento, já vai vir com uma taxa de rentabilidade fixa. Independentemente das condições de mercado, você terá o mesmo rendimento anual até a data de vencimento escolhida. Ou seja, no momento da compra do título, você já saberá a data final para a retirada (ou o re-investimento) e o quanto o valor aplicado renderá. Um risco deste é se a inflação subir muito, para além da rentabilidade fixada e ocorrer perda de poder de compra. Mas a taxa pode ser superior a 8%.

Os tipos: Selic
Já o Tesouro Selic confere ao investidor o retorno equivalente à taxa Selic, ao contrário da poupança, que é só 70% dela. Apesar de, na maioria dos casos, o rendimento ser menor do que as modalidades anteriores, uma vantagem deste é que há pouca volatilidade no valor dos títulos. Em caso de necessidade de resgate antes do vencimento, costuma ser dos mais seguros já que há menos oscilação.

Oferecimento:


Alta na conta de luz
O mês de maio começa com notícia ruim para quem está precisando reduzir custos no orçamento familiar. A conta de luz vai ficar mais cara por causa do acionamento da chamada bandeira tarifária vermelha; a que gera um custo extra de R$ 4,169 a cada 100 kilowatts-hora consumido. A decisão de incluir o custo adicional partiu da Agência Nacional de Energia Elétrica e, segundo o órgão, deve-se ao baixo nível de chuvas próximo às usinas hidrelétricas; e a necessidade de acionamento de usinas térmicas.


Já enviou teu IR?
Muita gente ainda não. É o que informou a Receita Federal no início dessa semana. Com a prorrogação do prazo de entrega do Imposto de Renda para 31 de maio (era 30 de abril), só 52,8% dos contribuintes enviou a sua declaração ao fisco. Ainda são esperados 32.619.749 brasileiros a declarar. E sempre bom lembrar que parte do valor devido ou a restituir do tributo pode ser destinado a entidades locais que recebem recursos dos fundos do Idoso e da Criança e do Adolescente. Se não enviou ainda, consulte seu contador quanto a possibilidade!


Tarifa do Especial
O Supremo Tribunal Federal, numa decisão que saiu nessa segunda-feira, dia 3, proibiu os bancos de cobrarem tarifa por cheque especial não usado. Tinha uma resolução do Conselho Monetário Nacional que permitia essa cobrança para clientes com limite acima de R$ 500,00; ainda que várias instituições financeiras optassem por não cobrar. Essa possibilidade tinha sido criada quando da definição de um teto limite de 8%, no fim de 2019, para os juros do especial. A decisão da corte, agora, é de que o consumidor não pode ser cobrado pelo que não usa. É justo.

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