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Ficar enrolado com alguma dívida, em muitos casos, é consequência da falta de planejamento financeiro antes de contraí-la. Semana passada, ao anunciar o novo programa de microcrédito da Caixa, o presidente do banco, Pedro Guimarães, chegou a falar sobre isso. Que a nova modalidade vai deixar claro o custo real de cada parcela num contexto em que muita gente se atrapalha ao desconhecer o tamanho real de sua dívida e o quanto ela compromete da sua renda. Pra entender isso, nem sempre dá pra contar com quem está oferecendo o empréstimo porque, na certa, quer lucrar e fechar o negócio o quanto antes. Na pesquisa de qual financiamento é o melhor para o Seu Bolso, é necessário voltar a duas matérias importantes das aulas de Matemática na escola: os juros simples e, mais especialmente, os juros compostos. Você ainda lembra?

Os juros simples
A gente começa a nossa aula falando da conta mais fácil, que é a dos juros simples. Esses são aqueles pagos somente sobre o valor do capital. É o que alguns chamam de “juros não capitalizados”. No nosso exemplo, a pessoa tomou emprestado R$ 1 mil por seis meses com uma taxa simples de 5% ao mês. É fácil.

– para facilitar a conta na calculadora comum, entenda que 5 “porcento” é o mesmo que 5 dividido por 100. Ou seja: 0,05.

– Então, o valor emprestado de R$ 1 mil multiplicado por 0,05 resulta em R$ 50,00. Esse é o valor dos juros simples mensais cobrados por seis meses. R$ 50,00 vezes seis, então, dá R$ 300,00, o total dos juros da operação.

– Você recebeu R$ 1 mil e pagou, seis meses depois, o total de R$ 1.300,00.

Os juros compostos
Nos juros compostos, as coisas ficam um pouco mais complexas. É que o valor dos juros é incorporado ao capital principal todo mês e, sobre ele, também rendem novos juros. É o popular “juros sobre juros”; ou “juros capitalizados”. Vamos calcular pelo mesmo exemplo anterior, de R$ 1 mil, emprestado por seis meses a uma taxa de 5% (0,05) ao mês.

• 1º mês: R$1.000,00 (capital principal) + R$50,00 de juros (5% de R$1.000,00) = R$1.050,00;
• 2º mês: R$1.050,00 (capital principal + juros) + R$52,50 de juros (5% de R$1.050,00) = R$1.102,50;
• 3º mês: R$1.102,50 + R$55,13 (5% de R$1.102,50) = R$1.157,63;
• 4º mês: R$1.157,63 + R$57,88 (5% de R$1.157,63) = R$1.215,51;
• 5º mês: R$1.215,51 + R$60,77 (5% de R$1.215,51) = R$1.276,28;
• 6º mês: R$1.276,28 + R$63,82 (5% de R$1.276,28) = R$1.340,10.

Pelos juros compostos, você recebeu R$ 1 mil e pagou, seis meses depois, R$ 1.340,10 sobre ele. Pra não precisar abrir, mês a mês, essa conta, há uma fórmula que pode ser aplicada. Ela é descrita assim: Montante final = Capital emprestado vezes (1 + taxa de juros) elevado à potência do tempo do empréstimo. Já complicou né!? Mas vamos abrir pelo nosso exemplo:

– Montante final = 1.000 x (1 + 0,05) elevado à potência 6
– resolvemos, primeiro, o que está entre os parênteses. O resultado, 1,05, é elevado à potência 6. Caso você não tenha calculadora científica para resolver a conta, é o mesmo que multiplicar, seis vezes, 1,05 x 1,05 x 1,05 x 1,05 x 1,05 x 1,05. O resultado é 1,34.
– Para o cálculo do montante final, temos R$ 1.000,00 multiplicado por 1,34. Chegamos ao R$ 1.340,10.

Dois lados da moeda
Os exemplos mostram como os juros podem impactar o nosso orçamento, especialmente no modelo composto. E isso que consideramos um tempo pequeno de pagamento, com só seis meses. Muitos financiamentos levam muito mais que isso; anos e anos. Porém, se ligue! Os juros aumentam o valor a ser pago por sua dívida. Por outro lado, também aumentam o rendimento caso ele esteja aplicado. Quem consegue guardar dinheiro todo o mês, desde novo, com os juros capitalizados, certamente garantirá uma boa renda para a aposentadoria ou a realização de algum objetivo. Dá pra pesquisar alternativas e pensar no futuro.

Entendido? Agora, o que considerar para fugir das dívidas
É evidente que o crédito, apesar dos juros, tem lá suas vantagens. A principal é a antecipação do consumo de um produto ou serviço que precisamos, mas que ainda não teríamos condições de pagar. Note que a coluna frisou a palavra “precisamos”, pois a pergunta inicial a se fazer ao se deparar com a oferta do crédito é se você realmente precisa imediatamente da compra ou se pode esperar para efetuá-la à vista.

O crédito também é útil para nos ajudar em situações de emergências inesperadas onde precisamos de dinheiro; e para aproveitar oportunidades de bons negócios que, por vezes, se apresentam num momento em que não temos o montante necessário.

Mas é preciso saber o quanto esse montante vai custar e, por isso, a aula básica desta edição. Avalie se o seu orçamento, com todas as suas despesas fixas, tem espaço para cobrir a dívida antes de você fazê-la. E considere que nem sempre são só os juros que custam a mais no seu crédito. Em algumas situações, tarifas ou outros encargos também são cobrados, o que eleva o custo efetivo da transação.


Selic em 5,25%
O Comitê de Política Monetária (Copom) definiu alta de um ponto percentual à Taxa Selic, dos juros básicos da Economia. Ele foi de 4,25% para 5,25% ao ano; e deve subir de novo em setembro. O anúncio ocorreu na semana passada. A alta é dada como alternativa, especialmente, para desacelerar a inflação, ao passo que o crédito fica mais caro e o consumo, em tese, reduz. Com a Selic em alta, os financiamentos, que tem ela como referência, acabam encarecendo. Muitos investimentos, por sua vez, também tendem a render mais. A caderneta de poupança, por exemplo, passa a render de 0,16% ao mês para 0,3% ao mês. A alta também tende a incentivar o investimento vindo de fora do País, aumentando a circulação interna de dólar e, com isso, diminuindo seu custo em relação ao real.


Auxílio Brasil
Chamado de Auxílio Brasil, novo programa social substituto do Bolsa Família foi anunciado com tem três modalidades de benefício básico: para primeira infância, para famílias com jovens de até 21 anos de idade e para a complementação para famílias que não conseguirem sair da extrema pobreza mesmo após receber os benefícios anteriores. A intenção, segundo o governo, é de iniciar os pagamentos desse novo programa em novembro.

Os valores, porém, só serão definidos no fim de setembro. Há uma “queda de braço” entre políticos e economistas. O presidente Jair Bolsonaro prometeu um aumento de, no mínimo, 50% no valor médio do Bolsa Família, que atualmente é de R$ 189,00, poderia ir, então, para R$ 283,50. Mas, por enquanto, nada está garantido. Com força de lei, a medida provisória vale assim que for publicada no Diário Oficial da União. O texto precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado em até 120 dias para não perder a validade.


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