Esse é daqueles estudos que vêm só pra confirmar o que as donas e os donos de casa já vem percebendo há bastante tempo. A inflação não para de subir. O IBGE divulgou o resultado de maio do Índice de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA , e evidenciou o patamar mais alto para o mês desde 1996. A inflação oficial do País foi de 0,83%; 0,52 ponto percentual acima da taxa registrada em abril. O acumulado de 2021 é de 3,22%; e o dos últimos doze meses, 8,06%. O que pesou mais foi a conta de luz, especialmente por causa do acionamento da bandeira vermelha da tarifa. Mas também há impacto da água, da gasolina, do gás de cozinha e das carnes; como você que cuida das contas de casa, com certeza, sabe muito bem. Muita coisa está mais cara e esses itens essenciais, evidentemente, acabam pesando mais dentre as famílias mais pobres, como mostrou recente estudo do Ipea. O brasileiro está sendo obrigado a repensar o seu consumo para controlar o orçamento; e aqui estão algumas dicas que podem oferecer alguma ajuda para isso.

Conheça seu orçamento
Quem acompanha o Seu Bolso já conhece bem essa sugestão. Faça uma lista simples, no caderno ou no computador, separando, de um lado, o que você ganha no mês; e, de outro, o que você gasta. Entram aí as despesas fixas, como luz, água e internet, e também as variáveis, como a alimentação – grupo que tem o maior peso no IPCA. Visualizar o seu orçamento é o ponto de partida para obter melhor controle do que pode ser cortado ou reduzido para que a diferença entre uma coluna e outra fique sempre no azul. Tem dívidas? Coloque-as no papel, também, com um ranking de taxa de juros. Você poderá enxergar melhor o que priorizar e se há possibilidades de “trocar” dívidas para conseguir taxas menores.

Faça lista de compras
Os preços dos alimentos têm assustado nos últimos meses; e uma forma de minimizar esse impacto é organizar as compras previamente. Pode parecer bobo, mas construir uma lista em casa é, primeiro, ferramenta pra driblar as compras supérfluas, por impulso, dentro dos mercados. Segundo, é forma de controle para acompanhar ofertas e saber os dias e os locais onde os itens que você realmente precisa estão mais em conta. O preço ainda não está bom? Considere substituições como a preferência por frutas e legumes da safra; ou variações entre as proteínas.

Tente negociar os reajustes
Não só os preços, mas diversos contratos, como aluguel, plano de saúde e matrícula escolar, são reajustados anualmente de acordo com a inflação. Alguns são pelo IPCA, que é o índice oficial. Outros pelo INPC ou pelo IGP-M, por exemplo, que têm metodologias diferentes de cálculo; e medem outros grupos de preços. Bem acima do IPCA, aliás, o IGP-M é muito usado para balizar os contratos de aluguéis e já alcançou alta de 37,04% nos últimos doze meses. Tá de apavorar! O jeito, independentemente do índice, é partir pra mesa de negociação e verificar as possibilidades. Talvez tentar um reajuste abaixo do percentual oficial ou até trocar o índice de reajuste de um para outro. No contexto da pandemia, tem muita gente negociando e tendo sucesso.

Proteja seu dinheiro das perdas
Com a inflação desse jeito, é preciso ficar de olho nas aplicações financeiras e se você não está “perdendo dinheiro” sem querer. Veja: só em maio, a inflação oficial foi de 0,83%, mas o seu dinheiro, parado na poupança, rendeu só 0,2%. Houve perda considerável de poder de compra; e isso já está acontecendo há bastante tempo. O caminho é buscar aplicações que sejam mais eficientes em proteger a sua reserva financeira da desvalorização; especialmente com investimentos que são atrelados à própria inflação. O Tesouro Direto IPCA, por exemplo, é boa (e segura) alternativa que já explicamos por aqui. Há outras opções como Certificados de Depósito Bancário (CDBs), Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e afins. Sempre bom conhecer as suas possibilidades.

O que merece atenção especial?
A inflação de maio foi puxada pelo acionamento da bandeira vermelha patamar 1 na cobrança pela energia elétrica. Em junho, entrou em vigor a patamar 2, então vem alta maior ainda pro bolso em decorrência da falta de chuva e do acionamento das usinas termelétricas. O impacto é de R$ 6,00 a mais por cada 100 quilowhatts/hora consumido. Isso sem contar o reajuste anual da tarifa da RGE, que deve ser confirmado pela Aneel nos próximos dias. É importante lembrar disso dentro de casa. O jeito é reduzir o tempo no chuveiro, evitar abrir demais a geladeira, ter cuidado com as aberturas de ambientes com o ar condicionado ligado, priorizar lâmpadas econômicas e retirar aparelhos da tomada durante longas ausências. Ah, é atenção ao uso excessivo dos aquecedores, especialmente os de modelos antigos e que gastam mais.

Outro item que está merecendo atenção é o gás de cozinha, né!? Nessa semana, ele aumentou 5,9% nas refinarias; e já está acumulando uma alta de 17,25% nos últimos doze meses. Há, aí, o impacto do dólar e da cotação internacional do petróleo. Pra economizar, existem algumas dicas básicas, mas que fazem a diferença. A primeira é com a manutenção correta do fogão. Se a chama não está saindo azul, como deveria, é sinal que há algum problema de entupimento nas bocas que pode estar interferindo no consumo do gás. Importante também é planejar a refeição e separar os ingredientes antes de ligar o fogão; ter cuidado com passagens de vento que podem interferir na potência das chamas; e dar uma forcinha extra para cozinhar os alimentos. Isso, usando tampas que fechem bem as panelas, cortando os alimentos em pedaços menores e, quando possível, usando a panela de pressão.


Prazos do INSS
Acordo entre o INSS, o Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) colocaram em prática novos prazos para análise e a concessão de benefícios. A medida visa redução do longo tempo de espera do solicitante. A aposentadoria (salvo por invalidez) e os benefícios assistenciais à pessoa com deficiência e ao idoso ficaram com prazo de 90 dias para a concessão. Aposentadoria por invalidez comum e acidentária ficou com 45 dias; salário maternidade, 30 dias; pensão por morte e auxílio reclusão, 60 dias. Se não cumpridos os prazos, haverá pagamento de juros ao segurado. O prazo vale tanto para novos pedidos quanto para os que já aguardam resposta.


Cortes da luz
A Agência Nacional de Energia Elétrica, Aneel, decidiu nesta terça-feira, 15, que vai prorrogar por mais três meses a proibição de corte de energia por inadimplência para os consumidores de baixa renda. A medida, originalmente, acabava no fim deste mês. 12 milhões de famílias inscritas no Cadastro Único, com renda mensal menor ou igual a meio salário mínimo por pessoa, serão beneficiadas. O auxílio também chega para famílias de pessoas que ganham o Benefício de Prestação Continuada.


Emergencial
Também na terça, a Caixa anunciou a antecipação da terceira parcela do auxílio emergencial federal. O novo calendário tem início no dia 18 de junho. De acordo com as datas de nascimento, começando em janeiro, serão depósitos diários na conta social digital, um dia para cada mês, até o dia 30. Apenas nos domingos, não haverá depósito; e os aniversariantes de novembro e dezembro recebem no mesmo dia, no dia 30. O calendário original previa que os depósitos se estendessem até julho.


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