A Associação Nacional de Executivos de Finanças (Anefac) divulgou seu estudo mensal das linhas de crédito pra mostrar um fenômeno que, muito provavelmente, você já sente no seu bolso. As taxas médias de juros ao consumidor estão subindo. Em junho, a média foi de 5,93% contra os 5,88% registrados em maio. A elevação vem sendo constante desde novembro. O acumulado de um ano é de 99,63%. O pior é que a tendência é continuar a subir.

E são só taxas médias!
A Anefac pesquisa seis linhas de crédito ao consumidor e todas estão ficando mais caras. O ranking é liderado, sem surpresas, pelo juro rotativo do cartão de crédito. Esse bateu a taxa média de 263,11% nos últimos doze meses. É a maior desde abril de 2018, segundo a entidade. Em segundo, vem o cheque especial, com taxa média de 129,35% em um ano. Em terceiro, o empréstimo pessoal nas financeiras, com 107,05%. O ranking fecha com juros do comércio (73,31%), empréstimo pessoal nos bancos (46,07%) e os CDC’s para financiamento de veículos (17,93%).

O risco de “calote”
A Associação pontua que as taxas de juros são livres para serem estipuladas pelas instituições financeiras. Mas traz, no estudo, alguns fatores que explicam a alta. Os principais indicam que novas elevações estão por vir. Um dos destaques é o risco de inadimplência, um custo que é embutido no valor das taxas de acordo com o potencial de “calote” de quem está pegando o dinheiro emprestado. Fatores como o fim das carências dos empréstimos dados no contexto da pandemia, a alta no desemprego, a redução dos auxílios emergenciais e a elevação da inflação aumentam a chance das pessoas ficarem devendo. Com isso, aumentam os juros, também.

A taxa Selic
Outro fator que influencia a alta dos juros é o reajuste da Selic, a taxa básica de juros do País. O indicador, definido pelo Banco Central, é referência para balizar os juros. Após ter chegado ao menor patamar da história, ele vem subindo desde março. Está em 4,25% ao ano, hoje. Deve subir, no mínimo, mais 0,75 ponto percentual já na próxima atualização; e a expectativa do mercado é que ele feche 2021 acima dos 6%. Seguirá bem abaixo dos juros efetivamente cobrados dos consumidores, mas, como balizador, deve seguir incentivando a alta identificada pela Anefac.

O objetivo de ajustar a Selic é bem por aí, mesmo. Quando ela está baixa, os juros caem e o crédito fica mais atrativo para incentivar a economia interna. Em tese, as pessoas pegam mais dinheiro emprestado para consumir mais. Acaba, porém, fazendo subir a inflação.

Outro lado para olhar a Selic é sob a ótica dos investimentos, muitos atrelados ao indicador. Quem quer que o dinheiro renda não gosta de juro baixo. Isso faz, por exemplo, com que alguns investidores do exterior deixem de investir no Brasil; fator que contribui para a alta do dólar. É uma balança. É nesse contexto de dólar alto e de inflação que o Banco Central vem aumentando a Selic e, com ela, os juros cobrados do consumidor.

Que outros custos estão nas taxas?
Impostos, despesas com funcionários e manutenção de agências e, claro, a margem de lucro de quem está emprestando.

Dicas para não se enrolar
• Quando da contratação de um financiamento, pesquise sempre a taxa de juros e demais acréscimos;
• Evite comprometer demasiadamente seu orçamento com dívidas;
• Evite empréstimos de longo prazo que embutem custos maiores;
• Evite entrar no rotativo do cartão de crédito e do cheque especial, que possuem as maiores taxas de juros;
• O cheque especial não é renda e deve ser utilizado por um período curto e emergencial. Se tiver necessidade de usar este limite por um período maior, procure a sua instituição financeira e faça um empréstimo pessoal (que tem custos menores) para liquidar o cheque especial;
• Necessitando de crédito para pagar uma dívida e não tendo condições de fazê-lo, não deixe suas dívidas crescerem mais por conta dos juros de mora e multas. Procure o credor de sua dívida e proponha uma renegociação do prazo e das taxas de juros em uma condição que consiga cumprir;
• Se possível, adie suas compras para juntar o dinheiro e comprar o mesmo à vista, evitando os juros. Entretanto, caso não seja possível, pesquise muito, barganhe e compre nos menores prazos possíveis (quanto menor o prazo, menor a incidência de juros).

Miguel José Ribeiro
de Oliveira, Diretor
Executivo de Estudos e
Pesquisas Econômicas da Anefac


Gasolina em alta
De terça-feira passada pra cá, a coluna registrou R$ 0,15 de aumento no valor da gasolina comum nos postos de Montenegro. O preço médio, em pesquisa realizada ontem, 13, em nove estabelecimentos, está em R$ 5,98. É reflexo do último reajuste no valor do combustível, em prática nas refinarias desde a semana passada. Com a reposição de estoques, as altas levam alguns dias para chegar ao consumidor final. Cinco postos estão, praticamente, a um centavo dos R$ 6,00 cobrados pelo litro. A recente elevação é puxada pela alta do petróleo e do dólar; e especialistas apontam que há espaço para subir mais. Nesta sexta-feira, dia 16, ainda passa a valer o novo preço de pauta pra cobrança do ICMS, imposto estadual que, no modelo de substituição tributária, é atualizado periodicamente com base nos preços de venda.


Horário de Verão
Ao que tudo indica, o presidente Jair Bolsonaro ainda não está convencido, mas há um forte movimento pela volta do extinto horário de Verão. Uma das frentes é de associações empresariais ligadas a turismo, bares e restaurantes, que reinvidicam o retorno. Querem se fazer valer de uma hora a mais de luz solar para incrementar os negócios. Há também a questão da energia elétrica, no contexto da atual crise hídrica, cuja economia pode ser auxiliada pela nova mudança no horário. Uma hora a menos de luz acesa, com o valor que está a nossa tarifa hoje, pode ser de uma ajuda e tanto.


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