Orian falou sobre a qualificação das pessoas e importância de uma boa gestão dentro das organizações

A 23ª edição do Fórum de Qualidade e Gestão de Pessoas, realizado na última segunda-feira e promovido pela ACI Montenegro e Pareci Novo, destacou o potencial humano para o bom funcionamento das organizações. Durante a abertura do evento, a vice-presidente de qualidade e inovação, Ana Maria Hoffmann, reforçou o papel das pessoas dentro das empresas. “São elas que fazem acontecer. São as pessoas que fazem as empresas”, afirmou.

Ana ainda destacou a efetividade do evento, que desde o ano passado está em novo formato, de um dia. “Acredito que conseguimos alcançar o objetivo, proporcionarmos debates eficientes, sermos inovadores e manter a qualidade. Penso que este formato está apropriado para o momento em que o tempo é primordial”, defendeu.

No evento, ainda foi lançada a 3ª edição do troféu Jacob Renner — honraria concedida pela ACI a empresários que atuam em organizações associadas e se destacam no cenário econômico empresarial e por sua liderança, eficiência e iniciativa.
Todos os proprietários, sócios ou acionistas das empresas associadas à ACI podem ser indicados ao prêmio, não sendo necessário nenhum tipo de pagamento ou inscrição prévia. Os três que obtiverem o maior número de indicações na primeira fase do prêmio seguem para a escolha final, que é feita por meio de votação direta.

A primeira palestra da noite foi com o professor e gestor de recursos humanos Orian Kubaski, que abordou o tema “O ser humano como fator de sucesso”.

Para ele, por mais que pareça clichê destacar o ser humano como fator de sucesso de uma empresa, é necessário falar sobre o tema, porque somente o capital humano gera sucesso. “Por mais tecnologia que as empresas disponham, por mais recursos financeiros que possam ter para investimentos e invenções, não tem como: o teu diferencial vai estar nas pessoas”, enfatizou.

Isto importa desde a forma que são selecionados até o jeito como se relaciona e se oferece perspectivas, algo que, segundo ele, é devolvido com motivação, entusiasmo e competência. “Isso gera um círculo virtuoso dentro das organizações”, reforçou.
É importante frisar e repensar isso, uma vez que é ponto fundamental para as organizações gerarem resultados. “Organizações sem lucro morem, não geram emprego e renda. E, para gerar renda, é preciso que tenham pessoas realmente competentes e motivadas para fazer o seu trabalho.”
Para Kubaski, dois fatores são fundamentais para o bom funcionamento das empresas. Um é estimular as pessoas a estudarem, de forma a qualificá-las. “Invista sempre nisso”, orientou. Outro é ter lideranças preparadas para comandar as pessoas. “O grande diferencial de uma organização de sucesso começa por uma liderança preparada, capaz de realmente entender o comportamento humano e tirar o melhor dele”, sintetizou.

Josi e Rosângela Seelig contaram a história de reinvenção e sucesso da empresa familiar

Seelig: uma história de 90 anos no comércio local
Tudo começou com Henrique Seelig, pioneiro no comércio familiar que já se mantém há 90 anos.De “Casa Seelig” à loja “Seelig”, a empresa familiar marcou gerações e permanece firme atravessando o tempo em Montenegro.
Henrique e a família, depois de deixarem de lado o interior, vieram para Montenegro. Em 1926, ele decidiu investir em um armazém de secos e molhados. Foi aí que a história empresarial começou.

Depois de anos à frente do empreendimento, o filho mais velho de Henrique, José Edgar Seelig, assumiu os negócios. Com ideias inovadoras para a época, Edgar encerrou a venda de molhados e começou com a produção de “roupas prontas”. Era novidade, uma vez que o costume das famílias era comprar os tecidos e costurarem em casa. Dessa vez, Edgar levou a confecção das roupas para dentro da loja.

Outra modernidade foi a máquina registradora, vinda da Alemanha, para organizar as finanças. Foi durante a administração de Edgar que a loja abriu na Osvaldo Aranha, onde permanece até hoje. Outra inovação foi o início das vendas de cama, mesa e banho.

Na terceira geração, Sílvio Eloy, filho de Edgar, foi quem primeiro se iniciou no negócio. Mais tarde, quando o patriarca adoeceu, José Ruy também começou a trabalhar na empresa. Cada um com funções distintas. Enquanto Silvio cuidava da administração e finanças, José era encarregado da compra e venda das mercadorias. Naquela época, José tinha uma padaria em Novo Hamburgo, que acabou deixando de lado para assumir o empreendimento da família.
Com isso, chegava a era de ouro da empresa. Os negócios prosperavam. Aos poucos, a Casa Seelig foi crescendo e os recursos eram reinvestidos no estabelecimento.

Com o passar do tempo, Montenegro cresceu e surgiram os primeiros concorrentes da empresa. Com isso, precisou-se repensar o que era comercializado. Encerrou-se a venda de cosméticos.

Aos poucos, a quarta geração da família era iniciada nos negócios. Ainda crianças, Josi e Rosângela começaram a participar dos balanços. Foram crescendo e ainda jovem Josi começou a trabalhar de vez na loja, assumindo a parte administrativa, que antes ficava a cargo do tio Sílvio Eloy. Em 1980, Rosângela foi iniciada e assumiu a posição do pai, José Ruy.
As duas assumiram definitivamente a loja em meados dos anos 90. Juntas, enfrentaram duas décadas de altos e baixos. Superaram a segunda grande crise da empresa, que provocou a demissão em massa de funcionários, mas também souberam se reinventar. Levaram os negócios para o mundo digital e mantiveram o espírito familiar que a loja Seelig sempre teve consigo.

A reinvenção das empresas em plataformas digitais
Entrar para o mundo digital é inevitável para as empresas que querem se manter no mercado e atingir novos públicos. Mas esta realidade ainda causa receio em muitos empreendedores. Os empresários precisam entender seu público. Saber onde ele está e como chegar até ele. Se reinventar, criar novas experiências e ressignificar o negócio.

Para falar sobre com se reinventar, a terceira palestra da noite foi com o jornalista e professor da Unisinos, Porã Bernardes, com o tema “Como o mundo digital impacta no seu negócio”.
“Acredito que as empresas que já têm uma história e tradição, elas realmente têm mais medo de entrar no novo, justamente por causa desse legado que pode ser afetado por algum tipo de investida em outro sentido”, avaliou Porã.

Porém, atualmente é difícil deixar de lado o fato de que os novos negócios são digitais. “A economia está globalizada. A gente tem a invasão das mídias digitais e das relações permeadas por tecnologias”, argumentou. Hoje, as pessoas têm usando a tecnologia para consumir e, para as empresas atingirem esse novo consumidor, é praticamente impossível não entrem nesse universo.

“Acredito que toda inovação tem a ver com a aprendizagem. Não é de uma hora para outra que a empresa se torna inovadora, não é de uma hora para outra que invade o mundo digital e tem sucesso. Isso tem a ver com estudar e envolver equipes no processo de inovação”, ponderou.

PORÃ: “É preciso ressignificar a empresa nas plataformas digitais”

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