Faltando apenas duas semanas para a celebração de fim de ano, valores do prato principal da ceia ainda estão pouco atrativos nos mercados. FOTO: AGÊNCIA EBC

Pesquisa nos mercados de Montenegro mostra altas acima de 30% na comparação com o ano passado

Com os recentes reajustes das carnes, o consumidor – com razão – está com o pé atrás para fazer as compras para a ceia de Natal. É que apesar do segmento dos perus e aves especiais não ser diretamente ligado ao fenômeno de encarecimento da proteína, que é impulsionado pelo crescimento das exportações, aqueles que seriam o prato principal do jantar natalino também estão mais caros em relação ao ano passado. Pesquisa realizada ontem nos principais mercados do Centro de Montenegro mostra uma alta que passa de 30% em alguns itens na comparação com 2018.

Talvez caiba tentar a sorte e aguardar por uma promoção – se é que alguma virá. Mas, quem for às compras hoje, na cidade, vai encontrar o peru custando, em média, R$ 18,39 o quilo. Nos mercados locais, o pacote deste, que é o item natalino mais tradicional, está com peso médio de 4 quilos e 200 gramas, fechando a compra por R$ 77,23. No ano passado, teve dias em que se pôde comprar a mesma quantia por R$ 57,66. O encarecimento é de mais de 13%.

O animal já é tradicionalmente mais caro, pois sua produção, na granja, é mais complexa. Os perus são sensíveis a variações de temperatura e exigem cuidados bem específicos, precisando em torno de cem dias para serem abatidos. E só duas indústrias no Brasil que fazem o abate: a BRF e a JBS Aves. Essa última é a única do Rio Grande do Sul a trabalhar com o segmento, mas não na unidade de Montenegro. Os abates ocorrem no frigorífico de Caxias do Sul, na Serra.

AS AVES ESPECIAIS
Reconhecidamente mais caro, o peru, então, acabou abrindo espaço no mercado para as aves especiais, uma opção, em tese, mais em conta, e que já toma o lugar central da ceia na maioria das residências gaúchas (70% delas, mais exatamente, segundo a Associação Gaúcha de Avicultura). Mas os valores não estão, assim, tão atrativos não.

O levantamento feito pelo Seu Bolso nesta segunda-feira, 10, mostra o preço do Chester, por exemplo, mais caro do que o dos perus. A ave está custando R$ 18,98, em média. O animal, porém, é encontrado mais leve do que o item tradicional, com uma média de 3 quilos e 800 gramas, fechando o pacote por um valor total de R$ 73,94. Na comparação com o menor valor praticado em 2018, o encarecimento é de 35,7%.

E não é só com o Chester. As outras marcas comerciais de aves especiais – estes são frangos maiores que os convencionais, com menos gordura; e peito e coxas maiores, resultado de processo de melhoramento genético – também estão mais caras. O mais em conta, o Bruster está custando, em média, R$ 10,99, com uma alta de 22,25% em relação ao ano passado. Já o Fiesta, está R$ 15,94 o quilo, 33,06% mais caro.

POUCA VARIAÇÃO
Na comparação de preços de mercado para mercado, os itens apresentam pouca variação. A mais acentuada está no Peru, com diferença de R$ 4,00 no valor do quilo (25% mais barato do que o do mercado mais caro, mas, também, por diferenciação de marca). Do mais, o Chester apresenta variação de 8% (R$1,51); o Fiesta, de 1% (R$ 0,08); e o Bruster, de 20% (R$ 1,99).

Entenda a diferença entre as opções
Chester, Bruster e, mais recentemente, o Fiesta são nomes comerciais de frangos – não perus – com grande concentração de carne no peito e nas coxas (algo em torno de 70%, segundo os fabricantes). Eles são resultado de um melhoramento genético obtido com o cruzamento entre fêmeas e machos selecionados.

Não é nada transgênico, ou coisa assim. Foram aves da espécie Gallus gallus, de origem escocesa, que foram sendo cruzadas até que se chegou no Chester; e as da linhagem Ross que originaram o Bruster, por exemplo.

Por razões de competitividade, claro, o mapa genético para a obtenção das aves especiais não é divulgado pelos fabricantes.
E há todo um cuidado especial com o manejo delas nas granjas. Enquanto um frango normal é abatido após 44 dias de vida (com cerca de 2,5 quilos), um Bruster leva 60 dias, até atingir cerca de 3,6 quilos para o abate. Um Chester, por sua vez, leva 62 dias; até 4,3 quilos.

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