O pagamento por QRCode é uma das possibilidades de aplicativos do tipo. E eles não são poucos no mercado nacional. Existem cerca de 600 carteiras digitais disponíveis. As condições e cobranças variam. No PicPay, por exemplo, a transferência de valores não prevê cobrança de taxas e juros até o limite de R$ 800 por mês. A dica é saber tudo o que é previsto e cabível antes de começar a usar. FOTO: ISTOK

Aplicativos como o PicPay viraram opção para muitos consumidores e comerciantes

Você já deve ter escutado que as cédulas de dinheiro físicas estão com os dias contados. Isso não é nem de hoje. É o que dizem já desde que se popularizaram os cartões de crédito e de débito, embora o papel tenha conseguido sobreviver às já não tão novas funcionalidades. Mas eis que chega 2020 e a pandemia para dar ainda mais força a esse movimento.

De um lado, tocar ou pegar num dinheiro que já passou de mão em mão tornou-se risco para a saúde. De outro, o pagamento do auxílio emergencial do governo federal está sendo liberado, primeiro, em formato digital para depois em saque físico; e isso está estimulando os muitos beneficiários a pagarem suas compras de jeitos diferentes do que lhes era habitual.

É bem nessa linha que aplicativos de carteiras digitais como o Mercado Pago e o PicPay – também não tão novidades em grandes centros urbanos – vêm recebendo considerável espaço em Montenegro nos últimos meses. Estão ficando populares entre consumidores e vendedores.

O Supermercado Padre Heus, por exemplo, se lançou como diferencial como o primeiro da cidade a aceitar o PicPay ainda em abril. Se cadastrou também para o Mercado Pago e não foi o único. Lancherias, restaurantes e mercados como Bruvini, Mombach e Via II – esse último, recebendo diretamente com uso do aplicativo Caixa Tem – entraram na onda para aceitar os novos formatos. “É um passo que a gente deu em função do auxilio emergencial, mas a digitalização é algo que a gente sabe que não tem volta”, comenta o diretor do Mombach Supermercados, José Francisco Mombach Friedrich, após a habilitação do PicPay na empresa. “Países como a China já, praticamente, não trabalham mais com o dinheiro físico.”

O PicPay e o Mercado Pago são bastante semelhantes. Não chegam a ser um banco digital. A lógica deles é de uma carteira (dessas que vocês guarda dinheiro), mas de forma virtual. Em linhas gerais, eles não têm restrições de usuário – basta apenas baixá-los no celular e fazer o cadastro – e são uma forma eletrônica e simples de transferir valores entre um e outro.

Mais popular da dupla, o PicPay permite esse pagamento apenas com a informação do @ do destinatário; e deixa a pessoa escanear código de barras de boletos ou QR Codes para pagar compras em estabelecimentos credenciados; e também para receber dinheiro. Ele ainda é uma rede social, deixando que o usuário veja o que os amigos estão comprando e o que estão consumindo (se estes permitirem, claro). Tudo é feito pelo celular e pode ser atrelado a um cartão de crédito ou débito, a depósitos e, sim, também a saques físicos quando necessário.

Driblando o prazo do emergencial
A popularização das carteiras digitais está atrelada diretamente ao pagamento do auxílio emergencial de R$ 600,00 do governo federal que, em Montenegro, beneficiou mais de 1.300 pessoas. Só o PicPay noticiou recentemente que abriu seis vezes mais contas que no ano passado durante abril e maio, já em meio a pandemia.

É que como a Caixa só libera as transações de saque e transferência dias depois de depositar o benefício dos cidadãos – isso está ocorrendo, agora, também para o FGTS – os aplicativos tornaram-se opção para contornar o bloqueio. Através do CaixaTem, onde se pode gerenciar o valor, beneficiários têm gerado cartões de débito virtuais temporários para realizarem compras ou também para transferir seu dinheiro e usá-lo, com mais liberdade, através do PicPay ou do Mercado Pago.

O depósito por boleto também foi gerado com esse fim, com o usuário gerando um boleto de entrada para sua carteira digital e “pagando-o” através do CaixaTem. Dessa forma, o dinheiro emergencial acabou disponível até para saque em terminais do Banco24Horas.

POLÊMICA
O PicPay – junto do banco digital Nubank – se envolveu numa recente polêmica quando, em transações com o auxílio, o valor transferido acabou “sumindo” para alguns usuários. A direção do app atribui a questão a instabilidades na Caixa, com transferências que haviam ocorrido a maior e que, então, estavam sendo estornadas. Já a Caixa disse que valores entraram a maior porque usuários estariam passando o mesmo boleto mais de uma vez para a entrada do dinheiro. Prejudicados foram ressarcidos.

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