CARNE embalada foi alvo da Operação Carne Fraca. Uso de embalagens de baixa qualidade pode comprometer o produto que chega ao consumidor

Confiança. Consumidores seguem comprando alimento dos mesmos fornecedores nos supermercados da cidade

A Operação Carne Fraca, desencadeada pela Polícia Federal (PF) na semana passada, vem ganhando destaque na mídia e repercute no mercado internacional. A União Europeia (UE) anunciou ontem que as 40 empresas que foram denunciadas pela PF serão suspensas de exportar para os países europeus. “A Comissão garantirá que quaisquer dos estabelecimentos implicados na fraude sejam suspensos de exportar para a UE”, afirma a nota oficial.

As investigações apontaram que inspetores veterinários dos frigoríficos envolvidos recebiam propina para fraudar as datas de validade e liberar licenças, principalmente de produtos embutidos, como salsichas e linguiças, além de carnes embaladas. As empresas apontadas têm suas plantas em Goiás, Paraná e Santa Catarina. Nenhuma empresa sediada no Rio Grande do Sul foi autuada.

O comerciante Manoel de Souza tem mais de 40 anos de experiência em carne e, por 29 anos, trabalhou dentro de um frigorífico. Segundo ele, há 20 anos acompanhou o surgimento da carne embalada a vácuo. “Na carne que vem embalada, a validade é de 60 dias. Acontece que a embalagem original é muito cara e muitos frigoríficos preferem utilizar uma embalagem genérica, mais barata, que não preserva a qualidade da carne”, assegura. Este conhecimento levou Manoel a não comercializar carne embalada em seu estabelecimento, no centro de Montenegro. “Prefiro a carne fresca, pelo aspecto e pela qualidade”, argumenta.

Confiança no fornecedor é fundamental
A maioria dos consumidores montenegrinos não alterou muito seu comportamento na hora de comprar carnes. Mas alguns cuidados estão sendo tomados no momento de avaliar o alimento.

ROMEU Liesenfeld

Romeu Liesenfeld, marceneiro, diz que passou a tomar mais cuidado

ALINE Cruz

após a divulgação das notícias. “Eu procuro olhar bem a aparência da carne fresca e evito comprar carne embalada e embutidos”, aponta. A manicure Aline Cruz diz que está “de olho” nos produtos. “Sempre consumi as marcas que apareceram nas notícias e nunca tive problema. Na carne fresca, olho muito a cor, mas nos embutidos não temos como saber se estão com problemas”, observa.

ANTONIO Mariz

A confiança nos fornecedores foi apontada por três consumidores entrevistados. Antonio Mariz, aposentado, diz que costuma comprar a carne sempre no mesmo lugar. “Há muitos anos, compro no mesmo açougue e nunca tive problema”. Ele acha até que a “crise da carne” pode acabar ajudando o consumidor.

ELOI Vogt

“Se o preço baixar, vai ser muito bom”, avalia. Já Eloi Vogt, pedreiro,

LAURO Roehe

diz que é melhor conhecer quem fornece a carne. “A gente não tem como saber o que tem mistura, então prefiro confiar no açougueiro”, argumenta. E o aposentado Lauro Roehe diz que só compra carne em açougue que já conhece. “Prefiro comprar carne fresca só com pessoal de confiança”, aponta.

Saiba mais:
Quais alimentos devo evitar?
Especialistas alertam que as fraudes foram pontuais e a carne produzida no Brasil é de alta qualidade. O Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC) aconselha o consumo de carne in natura, evitando os embalados, como salsichas e linguiças.

Como saber se a carne é imprópria?
Carne bovina, suína ou de frango geralmente apresentam odor e cor alterados. Em geral, as carnes boas são de coloração avermelhada, textura não pegajosa e lisa, e não apresentam mau cheiro.

Qual é “produto cancerígeno” falado nas reportagens?
O juiz que autorizou as prisões relata em seu despacho que era utilizado ácido ascórbico (Vitamina C) pelo Frigorífico Peccin. Somente doses muito elevadas deste produto podem causar câncer. Em outro momento, é citado o ácido sórbico, usado como conservante, e não há relação com a doença.

Devo jogar fora o produto que tenho em casa?
Os órgãos de defesa do consumidor indicam que ainda não se sabe quais produtos estão, de fato, impróprios para o consumo. Ainda assim, caso haja um recall, será necessário apresentar o produto para receber a indenização.

* Os casos suspeitos devem ser comunicados à Vigilância Sanitária do Município pelo telefone 3632-1113.

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