Planta de Triunfo faz parte dos ativos da Braskem, que no mercado de ações está avaliada em R$ 36 bilhões. Foto: Braskem/Divulgação

Principal acionista, Odebrecht anunciou que a venda da petroquímica à holandesa LyondellBasell está em tratativas

Principal empregadora do Polo Petroquímico de Triunfo, a Braskem está sujeita a mudar de dono, caso se bata o martelo num negócio global já em andamento entre o acionista controlador, a Odebrecht S.A, e a petroquímica holandesa LyondellBasell. Ainda em estágio inicial — segundo fato relevante publicado pela Braskem na última sexta-feira —, a venda deverá dar origem à maior empresa petroquímica do mundo.

Para os trabalhadores sindicalizados da Braskem, contudo, a notícia causa preocupação. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Petroquímicas de Triunfo/RS (Sindipolo), Gerson Antônio Borba, diz que a entidade ainda não consolidou sua posição quanto ao negócio, mas lembra que os processos anteriores de integração — em 2007, por exemplo, a Braskem assumiu o controle do polo ao adquirir as ações da Copesul. “Há um problema em relação à não garantia dos empregos e dos direitos conquistados pelos trabalhadores”, pondera.

Segundo ele, o Sindipolo tem lá suas restrições quanto às políticas de gestão da Odebrecht em relação à Braskem, sobretudo pelo aumento das terceirizações e precarização do sistema previdenciário interno, mas lamenta que uma empresa brasileira deixe o controle de uma área estratégica como a petroquímica. “No caso de venda da Braskem, o que nós desejaríamos é que a Petrobras fizesse a aquisição, tornando o polo estatal até o ponto em que isso fosse possível”, conta.

Na interpretação da entidade de classe, a transação entre a Odebrecht e a LyondellBasell também tem ligação com o processo de “desmonte” por que passa a Petrobras, tendência que Gerson vê, por exemplo, na intenção de venda da Refinaria Alberto Pasqualinini (Refap). “Os setores petroleiro e petroquímico são estratégicos para o país. Não podem ficar na mão de estrangeiros”, defende.

Em comum, cultura de excelência e legado de inovação
A negociação entre Odebrecht e a LyondellBasell é regida por acordo de confidencialidade. Contudo, o mercado especula que o grupo estuda a venda da Braskem por dificuldades de caixa decorrentes da Lava Jato, que há exatos três anos levou à prisão Marcelo Odebrecht, então presidente do grupo. Do capital da Braskem, a Odebrecht detém 38,3%, e a Petrobrás, 36,1%.

A Braskem e a holandesa afirmam que compartilham cultura de excelência operacional e legados de inovação. “Acreditamos que a potencial combinação das forças complementares, portfólios de produtos e áreas operacionais de LyondellBasell e Braskem criariam valor significativo aos acionistas, clientes e colaboradores.” A Petrobras anunciou que “caso a negociação seja finalizada, irá analisar os termos e condições da oferta da LyondellBasell, de forma a avaliar o exercício dos seus direitos previstos no Acordo de Acionistas da Braskem.

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