Grande quantidade de varejos favorece a indústria, mas divide a clientela entre uma pet shop e outra

 Apostas no setor cresceram muito e acabaram dividindo os consumidores

É inegável que as pessoas têm investido mais em seus animais de estimação. Cientes deste fenômeno, não são poucos os empresários que resolveram apostar no segmento “pet”. Em Montenegro, vários empreendimentos do tipo foram abertos na tentativa de ingressar em um ramo que, de acordo com o Sebrae, cresce 17% ao ano e movimenta cerca de R$ 14 bilhões no país. Os bons números, no entanto, não alcançam a todos.

O montenegrino Ilone Rodrigues Pereira começou no segmento muitos anos antes do “boom” dos pets. Com 21 anos em um estabelecimento que, atualmente, comercializa acessórios, faz banho e tosa, é clínica e até hotel para cães e gatos, ele avalia que o crescimento do setor favorece as indústrias, mas prejudica os varejos. “Todo mundo fala que o ramo do pet está em alta e daí todos resolvem começar com os pets. Já tem várias na cidade, mas agora tem uma oferta muito grande para a procura”, constata.

Com lojas demais oferecendo os mesmos serviços, a clientela acabou dividida. Ilone lembra que, por anos, muitos de seus clientes vinham até de municípios vizinhos, onde lojas do tipo não existiam. Hoje, ele trabalha só com a “fatia” dos consumidores do Centro, onde fica o seu estabelecimento. De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Alimentos para Animais de Estimação (Anfalpet), já existem mais de 100 mil pontos de venda de produtos direcionados aos bichos de estimação no Brasil.

À frente do negócio da família, Luana Pilger avalia que, durante a crise econômica, donos de animais priorizam a compra de ração de qualidade

Quem fatura, diante disso – e comprova o levantamento do Sebrae – são as indústrias. “Eles tem umas 500 lojas pra vender, então vão crescendo e produzindo a mil”, diz o empresário Ilone Rodrigues. “Eu até brinco que, às vezes, tem mais vendedor e fornecedor do que comprador aqui dentro.” O sucesso nas linhas de produção traz ao mercado, a cada dia, diferentes e inovadores produtos, dentre alimentos, roupas, brinquedos, perfumes, acessórios e remédios. Tem de tudo um pouco, mas faltam consumidores para “girar” os estoques.

Nicho dos gatos teve um crescimento importante
À frente de uma pet shop, Luana Pilger tem percebido o crescimento da oferta e da procura por produtos relacionados aos gatos, dentre alimentos e brinquedos. “Antes, tu queria um petisco para gato e tu não encontrava. Agora já tem de vários sabores e até para a limpeza de dentes”, ressalta. A empresária avalia que o animal tem se tornado a opção de muitos donos, pois, comparado com o cachorro, é mais independente e pode ficar sozinho sem grandes transtornos. “Era um espaço que estava vazio no mercado e que agora começou a ter destaque.”

Mais investimento na ração e menos em outros itens
Segundo o Sebrae, o Brasil é o segundo país com a maior população de pets do mundo. Nos últimos anos, o aprimoramento das indústrias em ações de publicidade e em seus canais de distribuição fez com que a ração industrializada deixasse de ser um privilégio dos animais de pessoas das classes A e B e passasse a ser consumida, também, pela classe C. E em tempos de crise econômica e diversificação de produtos, é justamente no alimento que o investimento dos pets é feito.

“A gente vê que as pessoas antes usavam uma ração mais barata e hoje têm procurado uma melhor”, avalia a proprietária de pet shop Luana Pilger. Tocando o negócio da família – que já tem quase duas décadas – ela conta que, atualmente, os donos têm investido na qualidade de vida do animal e, para reduzir custos, deixado de lado produtos supérfluos. “Hoje, o pet já é um membro da família, já fica mais dentro de casa. Então o dono se preocupa para que ele viva melhor.”

Diante da crescente oferta no município, Luana conta que a empresa busca se diferenciar, oferecendo um bom atendimento e criando uma relação de amizade com os clientes.

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