108 moradores de Montenegro perderam a vida para a Covid-19. Março de 2021 foi o pior mês até agora

Mais populoso, no Vale do Caí, Município é o quinto com maior proporção de mortes

Com 108 óbitos, no ranking dos 497 municípios gaúchos, Montenegro aparece na posição 169 dentre os que tiveram a maior proporção de mortes por Covid-19 no Estado. O dado atualizado nesta quinta-feira, 8, com números contabilizados pela secretaria estadual de Saúde, calcula a taxa de mortalidade por 100 mil habitantes. É um método que permite comparação mais justa entre municípios, pois neutraliza o crescimento populacional; pega-se o total de óbitos, divide-se pelo total de habitantes do Município e multiplica-se o resultado por 100 mil. São colocados, assim, todos os municípios na mesma proporção, independentemente de seu tamanho.

Na posição 169, com essa metodologia, Montenegro tem índice de mortalidade por 100 mil habitantes de 165,5. Ele é o quinto dentre os municípios do Vale do Caí, ficando atrás de São José do Hortêncio, São José do Sul, Portão e São Vendelino, na ordem dos que têm menor para os que têm maior proporção de mortes por número de habitantes. Pior posição do Vale do Caí, São Vendelino está em 49º no ranking do Estado, com índice de mortalidade de 267,5 óbitos por 100 mil habitantes. Em números absolutos, o Município teve seis mortes, mas no ranking proporcional, fica atrás até de Porto Alegre, que ocupa a posição 53, com índice de 259,7 mortes por 100 mil habitantes.

Para fins de comparação, o índice do Estado, como um todo, é de 189,3. O do Brasil – dado nacional ainda é de quarta-feira –, 162,2.

O RANKING:

Posição Município Mortalidade /100 mil habitantes
Putinga 484,8
49º São Vendelino 267,5
53º Porto Alegre 259,7
98º Portão 207,7
99º São José do Sul 207,6
101º Triunfo 206,5
135º São José do Hortêncio 187,3
169º Montenegro 165,5
187º Bom Princípio 156,5
217º São Sebastião do Caí 144,1
247º Pareci Novo 130,3
260º Feliz 125,5
285º Barão 113,4
316º Vale Real 101,5
320º Capela de Santana 100,5
364º Tupandi 82,4
365º Harmonia 82,2
383º Maratá 74,3
421º Linha Nova 58,3
433º São Pedro da Serra 52,6
452º Salvador do Sul 38,5
477º Brochier 19,7
486º Alto Feliz 0

 

BRASIL 162,2 mortos por 100 mil habitantes
RIO GRANDE DO SUL 186,9 mortos por 100 mil habitantes
ESTADOS UNIDOS 170,35 mortos por 100 mil habitantes
REINO UNIDO 190,8 mortos por 100 mil habitantes
ITÁLIA 186,17 mortos por 100 mil habitantes
ÍNDIA 12,26 mortos por 100 mil habitantes

– Há atraso de alguns dias entre a confirmação do óbito pelos municípios e a contabilização deles na tabela oficial do Estado. Sete dos municípios analisados apresentam essa discrepância, com margem de um óbito de diferença; – Alto Feliz apresenta taxa zerada de óbitos no ranking estadual. Ele havia contabilizado um óbito em janeiro, conforme comunicado da Prefeitura, mas, após análise do Estado, ele foi desconsiderado. Foi classificado como SIM-P, Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica. O município, no entanto, segue considerando o óbito em sua contabilização.

O que explica a colocação
Há uma série de fatores que podem ser apontados para explicar porque morre de Covid uma maior parcela de habitantes de um município do que em outro. Uma delas é a taxa de população idosa, que tem mais tendência a desenvolver complicações que levem ao óbito. Montenegro tem, em média, 15,4% de sua população com mais de 60 anos de idade. Em comparação com os municípios do Vale do Caí à sua frente no ranking de óbitos, é mais que São José do Hortêncio (18,3%), São José do Sul (23,4%) e São Vendelino (17%).

Não é um parâmetro absoluto. O percentual de idosos em Montenegro é menor que em Portão (14,2%), mesmo que este tenha índice de mortalidade bem maior (207,7/100 mil). Em comparação, lá embaixo no ranking, na posição 420 no Estado, Linha Nova tem população idosa de 25,5% de seu total de habitantes e índice de mortalidade de 58,3/100 mil.

Outras variáveis também podem explicar os números. O quanto cada município testa seus cidadãos; as taxas de população rural, que vive mais afastada; o fluxo de pessoas que saem da cidade para maiores centros urbanos para trabalhar e acabam fazendo o vírus circular; o fato de alguns municípios, como Montenegro, serem centros comerciais de compras para pessoas de outras cidades, o que também aumenta a circulação do coronavírus; o índice de adesão aos protocolos sanitários de uso de máscara e distanciamento; o atendimento em atenção básica em saúde de cada cidade, com pessoas mais bem cuidadas e saudáveis ou não; e, talvez o mais importante, a capacidade de resposta e encaminhamento dos municípios ao receber pacientes em estado grave; dentre outros.

O momento mais crítico
Trazendo o índice de mortalidade por 100 mil habitantes em Montenegro (165,5) para comparações a nível mundial, a proporção está abaixo dos Estados Unidos (170,35), do Reino Unido (190,8) e da Itália (186,17). Mas acima do Brasil (162,2). Para além dos fatores citados anteriormente, no caso, também é preciso levar em conta questões climáticas e também socioeconômicas que diferem muito, mesmo dentro do País e até do Estado. Os índices estrangeiros foram levantados com base em informações da Universidade Johns Hopkins.

Mas tratam-se de dados acumulados desde o início da pandemia neste um ano; não um retrato do atual momento, que é inegavelmente o mais crítico, localmente, de toda a crise. Olhando para o que o País vive hoje, enquanto alguns países verificam desaceleração de contaminações após fortes ondas, o Brasil teve, nas últimas semanas, 33% das mortes por Covid do mundo todo, tendo apenas 3% da população mundial. A nível municipal, só no mês passado, Montenegro registrou 42 mortes, maior quantidade do que todo o ano de 2020 (foram 35, até dezembro).

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