Bergamota processada para extração do óleo essencial é negócio para duas das maiores empresas do Município. FOTO: CULTIVO/ECOCITRUS/DIVULGAÇÃO

Safra da bergamotinha verde já começou. Clima é de otimismo e boas perspectivas

O dólar e demais moedas estrangeiras em alta aumentou a atratividade da exportação do óleo essencial de bergamota que é produzido em Montenegro. Nas duas exportadoras do Município, o clima é de otimismo e de altas expectativas; superada a estiagem histórica que quebrou a produção no ano passado. A BioCitrus planeja dobrar a quantia de fruta processada em 2020, absorvendo 20 mil toneladas da bergamotinha verde plantada na região. Já a Cooperativa Ecocitrus, em menor quantidade pelo sistema de cooperativismo e com manejo orgânico, estima processar 1,47 tonelada, 112% a mais que o ano anterior.

“O clima colaborou muito e a fruta, apesar de começar cedo, já no comecinho de janeiro, começou com um bom perfil e num tamanho adequado”, destaca o gerente industrial da BioCitrus, Magnus Winck. O óleo essencial produzido pela empresa ganhou mercado em indústrias de perfumaria, cosmética e alimentos de diferentes países da Europa, nos Estados Unidos e também na China. Já o da Ecocitrus, bem focado na área de perfumaria e cosmética, é enviado quase na totalidade ao mercado francês. “A venda externa ficou mais atrativa, sim, por conta da desvalorização do real”, pontua o presidente da Cooperativa, Maique Konrad Kochenborger. Com o câmbio, o valor de comercialização passa a valer mais para os exportadores.

O óleo processado vira matéria-prima em perfumes, diferentes cosméticos e também em indústrias alimentícias, aromatizando bebidas, balas e outros alimentos. FOTO: BIOCITRUS/DIVULGAÇÃO

Valor pago ao produtor aumentou
A Ecocitrus começou a processar a bergamotinha verde dos cooperados na segunda quinzena do mês passado, sem comprar a fruta de fora. “O preço pago pela cooperativa aos associados é acima do mercado, uma vez que a fruta é orgânica. Mesmo aos sócios em transição, a cooperativa compra pagando acima do mercado convencional”, pontua o presidente. Além da compra, os associados recebem distribuição de lucro da cooperativa, valor que deve chegar a R$ 2 milhões em cinco anos, segundo projeção da organização.

No mercado convencional, é a BioCitrus que negocia com os citricultores de todo o Vale do Caí. Tem pago, pela fruta verde, cerca de R$ 500,00 por tonelada, o equivalente a R$ 13,50 pela caixa de 27 quilos; recuperando uma histórica defasagem que, há muito, vinha deixando pouco atrativa a comercialização. “Tinha ficado muito desvalorizado e o produtor gastava mais para botar na caixa do que pra botar no chão a fruta”, reconhece o gerente industrial da empresa, Magnus Winck. Em 2019, o valor pago pela mesma caixa girava em torno de R$ 5,19. “Nós melhoramos nosso processo interno e passamos a reinvestir essa melhoria no produto.”

Pros citricultores, o raleio dos pomares é processo essencial do cultivo da bergamota. Foto: ARQUIVO/EMATER

Winck explica que, nessa transformação, uma série de variáveis foram consideradas. Dentre elas, a alta de insumos, a dificuldade com mão de obra qualificada e a própria preocupação com a sucessão rural e a continuidade da oferta de matéria-prima. Ele destaca que a BioCitrus tem valorizado mais os citricultores com aproximação e iniciativas como o programa CitroSmart, solução tecnológica que auxilia na gestão das propriedades. “Nós focamos no desenvolvimento do produtor”, pontua.

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Montenegro, a citricultora Maria Regina da Silveira reconhece o avanço, mas pondera: “Eu diria que o preço ainda não está tudo aquilo. Vendo o valor que está o diesel, o valor que estão os insumos, os adubos, eu penso que a caixa já teria que estar em torno de R$ 15,00. O que tu comprava com R$ 8,00 há anos atrás, com o valor da caixa de hoje, tu já não compra”. Entre 2019 e 2021, o preço praticado pela compra da bergamota verde aumentou 163%.

Recuperação após a estiagem

A histórica estiagem registrada em 2020 trouxe perdas de até 50% na produção de citros do Vale do Caí, segundo dados da Emater. Mas a safra de 2021 tem vindo fortalecida. “A bergamota Montenegrina está superando o que a gente esperava”, destaca Regina, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Montenegro.

Nos pomares das mais de 50 famílias associadas à Ecocitrus, o manejo correto foi chave para a recuperação. “Trabalhamos com adubação, podas e, depois que começou a chover, os pomares conseguiram se recuperar bastante rápido”, aponta o engenheiro agrônomo da cooperativa, Daniel Büttenbender. Ele lembra que, no momento do raleio da fruta verde ano passado, elas estavam murchas, dificultando a extração de óleo.

Parte essencial da produção, o raleio ocorre com comercialização e processamento ou não. É que o citricultor precisa tirar o excesso de bergamota verde das árvores para que as frutas que ficam possam amadurecer com saúde. O uso das bergamotinhas retiradas para a fabricação do óleo, com isso, acabou virando oportunidade de renda extra.

De acordo com o gerente industrial da BioCitrus, Magnus Winck, a bergamota Caí, primeira a florescer, é a que tem o rendimento maior de óleo; seguida da Pareci e da Montenegrina. Passando pelas três variedades, a safra da bergamota de raleio deve se estender até o início do mês de maio.

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