Prefeito Kadu sancionou a lei de adesão ao Susaf em 22 de outubro de 2018. Julia Führ Kranz, à direita, é a veterinária responsável

Prefeitura aponta que empresas ainda não estão preparadas para o sistema estadual

As pequenas agroindústrias montenegrinas que trabalham com produtos de origem animal, como ovos, queijo, mel e linguiça, ainda não podem fazer comércio fora de Montenegro. Apesar de sancionada em outubro do ano passado, a lei que formalizava a adesão do Município ao sistema estadual para essa liberação, houve pouco avanço nesses sete meses. As fronteiras seguem fechadas e o desenvolvimento econômico desses empreendimentos, também.

São muitas as regras que as agroindústrias precisam seguir para operar, em qualquer âmbito. Isso, em tese, para garantir a qualidade e a segurança dos consumidores dos produtos. O sistema estadual, ao qual a Prefeitura busca a adesão desde que sancionada a lei municipal para tanto, é o chamado Sistema Unificado de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte: o Susaf. Mas há desafios para que isso se concretize.

Veterinária contratada pela Prefeitura para coordenar esse processo, Julia Führ Kranz conta que o Município ainda está em processo de envio da atualização de documentos ao Estado. Paralelo a isso, há dificuldades dos próprios empresários diante das regras mais rígidas impostas pelo sistema de inspeção estadual. “As agroindústrias de Montenegro ainda não estão compatíveis com as normas necessárias para adesão ao Susaf”, revela Julia.

A barreira já foi até maior. O Susaf passou por uma reformulação em agosto do ano passado, que tornaram um pouco mais flexíveis os critérios a serem seguidos. No entanto, de acordo com a veterinária, ainda há adaptações a serem feitas. “Os proprietários de agroindústrias do Município ainda precisam se adaptar com exames de rotina dos produtos, com manual de boas práticas de fabricação e com a rotulagem”, explica. “As regras, apesar de mais ‘brandas’, ainda existem e precisam ser seguidas”. Objetivando essas melhorias, Julia vem realizando visitas e acompanhamento nas empresas.

ETAPA DE ORIENTAÇÃO
Com uma agroindústria de ovos caipiras há cinco anos na localidade de Costa da Serra, interior de Montenegro, Claudiomiro Tomasi tem grande expectativa pela liberação do comércio. “Esse ano, eu deixei de entregar ovo na merenda escolar de São Leopoldo porque não tinha o Susaf”, lamenta. O contrato era de 40 mil reais.

Estar liberado, para ele, também significa ampliar a produção. “Eu tenho quatro mil galinhas, hoje, mas tenho capacidade para colocar seis mil na minha granja”, relata. “Mas como que eu vou investir numa coisa se eu só posso vender ovo aqui em Montenegro?”

Claudiomiro Tomasi conta que sua granja perdeu bons contratos com a limitação

Ele afirma que foi visitado pela veterinária da Prefeitura, mas denuncia que as orientações do que ele ainda precisa adaptar no empreendimento não ficaram claras. “O pessoal veio, me pediu umas coisas que tinha que fazer e me deram umas orientações, mas não todas”, revela. “Umas coisas eu fiz, mas tem que ver exatamente o que está faltando. Se me passar, acho que é coisa de duas semanas e eu consigo o que falta.”

Também no segmento de ovos caipiras, mas na localidade de Alfama, Felipe Kranz conta que já está mais adiantado para o processo de adesão. “Agora é só mais a parte burocrática”, relata. “Alguns documentos que o Município exige e que a gente está resolvendo. É questão de tempo para ver a inclusão da granja no Susaf.”

Kranz destaca que, no seu caso, a participação do Poder Público tem sido positiva. “A Julia (veterinária da Prefeitura) visita, dá dicas e orienta sendo bem sucinta e objetiva na questão da agroindústria. A gente já vinha buscando um padrão, então não tinha muitos detalhes a serem feitos.”

Felipe Kranz relata que, para ele, faltam documentações para a liberação

Após aprovada a adesão do Município como um todo no Sistema, concluída a etapa de envio dos documentos que ainda está em andamento, a secretaria estadual de Desenvolvimento Rural ratifica a adesão. Após, a Prefeitura precisa indicar as agroindústrias a serem credenciadas, que aí demandarão aprovações individualmente. É o desafio a ser vencido.

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