Índice de Confiança do Empresário Industrial atingiu o maior índice,desde o início da série histórica, em 2010. FOTO: FIRGS/DIVULGAÇÃO

De acordo com a ACI, Município deve ser positivamente impactado pelo muito esperado desenvolvimento econômico

A indústria gaúcha nunca esteve tão confiante na economia. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI-RS), medido pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), fechou dezembro com 65,5 pontos. Desde o início da série histórica, em 2010, nunca os empresários iniciaram um ano tão otimistas como neste 2019.

Segundo o presidente da Fiergs, Porcello Petry, o resultado aponta o segmento deixando para trás a “mais profunda recessão já registrada”. Entre 2014 e 2016, a produção industrial no Estado caiu 18,5% e, no Brasil, 16,7%. Mesmo o pequeno crescimento nos anos de 2017 e 2018 não alcançou nem um terço da queda acumulada. “(Agora) são tempos de recuperação para o setor industrial, que ainda carece de consolidação”, salienta.

Todo este movimento é atribuído à nova gestão do governo federal. A política econômica de princípios liberais anunciada pela equipe de Bolsonaro vem apontando, desde o início da campanha, ações como a diminuição da intervenção do Estado na economia, mais privatizações, mais concessões e a abertura econômica do país – todos fatores que explicam a confiança em alta dos empresários da indústria.

O presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Montenegro e Pareci Novo (ACI), Karl Heinz Kindel, também cita a futura Reforma da Previdência, a flexibilização na relação capital-trabalho, a facilitação para obtenção de licenças ambientais e a descentralização de recursos para os estados e municípios como promessas do novo governo que estão animando o empresariado. “Todas estas medidas favorecerão o consumo e o investimento, o que fará desencadear uma espiral positiva na economia como um todo”, avalia.

Kindel explica que a reação das indústrias às políticas de maior incentivo rapidamente é sentida. “É bem fácil e rápida (a reação), pois a indústria está com capacidade ociosa, que facilmente é recomposta. Investimentos até então reprimidos também passarão a ser destravados”, coloca. “Montenegro, em especial, deverá ser positivamente impactado pelo desempenho do segmento, uma vez que o setor industrial prepondera fortemente na formação do PIB local.”

O QUE ESPERA A FIERGS PARA A ECONOMIA NESTE ANO
PIB – “Vários elementos contribuem para uma melhor evolução do PIB em 2019, entre eles a inflação controlada e os juros mais baixos. No cenário base, mais provável de ocorrer no ano que vem, a previsão é de aceleração na taxa de crescimento em decorrência da diminuição da incerteza e avanço na agenda de reformas no Brasil. A expectativa fica para um crescimento de 2,4% para o Rio Grande do Sul, impulsionado pela melhora do cenário nacional, mas ainda prejudicado por conta da continuidade do delicado quadro das finanças públicas.”

INFLAÇÃO – “No mesmo cenário base, a taxa de inflação ficaria próxima da meta no País (4,25%), devido à elevada ociosidade provocada pela crise. A variação do IPCA em 2019 deve atingir 4,1%.”

SELIC – “A possibilidade é de manutenção da taxa durante a maior parte do ano, mas com um leve aumento no segundo semestre, fechando ao final de 2019 no mesmo patamar de 2018, de 6,5%. A maior previsibilidade da economia com juros mais baixos deve destravar o crédito.”

DÓLAR – “A melhora no cenário econômico brasileiro proporcionaria uma valorização moderada do Real, com a taxa de câmbio caindo 0,2% no ano que vem e o dólar atingindo, em dezembro de 2019, R$ 3,75.”

Karl Heinz, presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Montenegro

DESEMPREGO – “A taxa média de desemprego deverá terminar 2018 em 12,3%. Para 2019, a previsão é de melhora na geração de empregos formais no Brasil, com uma taxa de 12% ao final do ano. No RS, a taxa de desemprego se mantém em torno de 8,2% desde o terceiro trimestre de 2016. Segundo a FIERGS, há espaço para crescimento das contratações na indústria no próximo ano por conta da ociosidade do mercado de trabalho. Além disso, a modernização trabalhista aumentou a segurança jurídica para empresas e trabalhadores. Em um ano de vigência da nova lei foram gerados 40,9 mil postos em contrato de trabalho intermitente e 21,2 mil em tempo parcial.”

O RS – “O quadro fiscal do Estado é complicado. Ele ainda não aderiu ao Regime de Recuperação Fiscal, de modo que os atrasos nos pagamentos de servidores e fornecedores, que marcaram os últimos exercícios, podem continuar. O Estado está com os limites estourados da Lei de Responsabilidade para a dívida consolidada líquida e despesa com pessoal, bem como possui um rombo previdenciário.”

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