Lucas é professor na PUC-RS e tem linha de pesquisa no Mestrado e Doutorado voltada à Administração de Empresas. FOTO: ACERVO PESSOAL

Especialista na área estará na Fundarte nesta quinta-feira, dando curso gratuito sobre o tema

A pegada do empreendedorismo entre os mais jovens está em alta. É o reflexo de uma geração inquieta, com sede por algo novo e por fazer a diferença. Mas como aponta o professor Lucas Roldan, coordenador na linha de inovação da Escola de Negócios da PUC-RS, nem sempre eles têm sucesso nessas empreitadas.

“O processo de empreender, muitas vezes, é traumático”, avalia o especialista. “Ele é cheio de entraves. Muitos jovens iniciam e começam a descobrir coisas que não eram bem como eles estavam imaginando e acabam se desmotivando.”

Para o professor, falta a essa geração, sedenta por inovar, maiores subsídios sobre o mundo dos negócios que lhes oportunizem, diante das barreiras do mercado, prosperar e tocar suas ideias adiante. “É dar força para que esses negócios que, muitas vezes, têm um potencial bacana, possam se desenvolver”, pontua Roldan.

É com este foco que o governo do Estado traz à Montenegro nesta quinta-feira, dia 25, a palestra “Desenvolvendo negócios inovadores”, que será conduzida pelo professor. O evento é organizado pela Secretaria de Estado da Cultura, em parceria com a PUC-RS, e integra o projeto “RS Criativo”. Vai abraçar a necessidade de maiores subsídios, mirando na economia criativa e em negócios com potencial de oferecer impacto social para a comunidade. A atividade ocorre na Fundarte, durante todo o dia.

Saiba o que esperar do evento:

  • Jornal Ibiá – Chama atenção um evento voltado ao empreendedorismo integrado a um projeto da Secretaria de Cultura. Qual é a relação entre a pasta e este viés da inovação?
    Lucas Roldan – A inovação é muito ampla. Ela pode ser em qualquer segmento, em qualquer área. A gente está junto à Secretaria de Cultura porque vamos trabalhar com a economia criativa prioritariamente. Um dos objetivos é, justamente, poder promover negócios inovadores também na área de cultura do nosso Estado.
  • JI – O que seria essa economia criativa?
    LR – Normalmente, ela acaba trabalhando com a parte mais audiovisual, literatura; algo mais relacionado à sustentabilidade, meio ambiente. São esses segmentos que a gente acaba trabalhando mais. Mas o que traz o curso também pode ser aplicado em qualquer tipo de negócio, desde que ele tenha – e esse é o nosso foco hoje – o chamado impacto social. É quando um negócio pode impactar positivamente outras pessoas e, principalmente, as regiões onde a gente vai estar desenvolvendo o projeto.
  • JI – De que forma vai funcionar esse dia de palestra focado na inovação?
    LR – Bom, a gente vai trabalhar com uma abordagem bem ativa. Nós vamos trazer, primeiramente, alguns conceitos introdutórios de empreendedorismo. A partir daí a gente vai utilizar uma ferramenta onde vai buscar conhecer o contexto, analisar as possibilidades, as pessoas que poderiam ser influenciadas pelo projeto e, então, trabalhar na modelagem de negócios. Ali, vamos pensar em vários aspectos relacionados a empresas, com recursos necessários, a parte de valor, os custos e afins. Ao final, vamos fazer um exercício, onde poderemos fazer uma “venda” desse negócio para um possível investidor ou fornecedor. A lógica é que seja um curso de oito horas, onde se poderá ter uma demonstração de como trabalhar o empreendedorismo desde a identificação de um problema, o desenvolvimento de uma solução até a apresentação dessa solução para a sociedade.
  • JI – A expectativa, então, é já sair um novo negócio do evento?
    LR – A minha expectativa é, justamente, desenvolver competências. Se nós conseguirmos que saia um negócio desse evento, seria maravilhoso. Mas mesmo que isso não se consiga, eu tenho certeza que, em algum momento, essas pessoas impactadas pelo curso vão desenvolver os seus próprios negócios.
  • JI – Por vezes, parece que não andam juntas essas vontades de uma empresa que quer lucrar e ter renda, junto de também devolver para a comunidade e gerar esse impacto social que o senhor citou. Mas um empreendimento que consegue ter esse foco no próximo ou em ser sustentável acaba sendo mais valorizado pelo mercado?
    LR – Sim, hoje o cliente já valoriza isso. As pessoas valorizam empresas que são mais sustentáveis, que pensam no meio ambiente, que pensam na comunidade. Temos vários exemplos de negócios que são renomados por terem essa pegada mais social.
    Mas é claro que a gente precisa ser realista. Hoje, a gente pode ter uma empresa que é maravilhosa, como algumas ONG’s, que fazem trabalhos maravilhosos, mas que não são financeiramente sustentáveis. Isso é um problema. Então, o que a gente vai fomentar nesse curso é que surjam novas empresas, responsáveis no âmbito ambiental e social, mas que também sejam responsáveis financeiramente. Isso é importante para criar um empreendedor consciente.
  • JI – Falando da questão dos jovens. Ao olharmos para as startups que estão começando na nossa cidade, a maioria são empresas lideradas por eles. É, mesmo, uma característica dessa geração, de buscar algo diferente?
    LR – É uma característica dessa geração querer algo novo e, muitas vezes, não querer ser subordinada a outras pessoas. Mas também é dessa geração o mudar muito rapidamente. O que isso quer dizer? O processo de empreendedor, muitas vezes, é traumático. Então, é importante que esses jovens tenham algum tipo de mentoria para que não desistam dos seus negócios em um primeiro fracasso. Porque os fracassos vão acontecer.
    O processo empreendedor é cheio de entraves e, realmente, é complicado ultrapassá-los. O meu receio – e isso eu vejo entre os meus alunos – é que muitos jovens iniciam e começam a descobrir coisas que não eram bem como eles estavam imaginando e acabam se desmotivando. Isso é muito comum no processo empresarial. O que precisamos fazer é dar subsídios. É dar força para que esses negócios que, muitas vezes, têm um potencial bacana, possam se desenvolver.
  • JI – Subsídios como o evento desta quinta-feira?
    LR – Exatamente. Parte dos subsídios é ter um apoio, como o governo do Estado está dando, onde existem cursos ajudando a desenvolver negócios. Isso é, realmente, bem importante. E é importante que isso aconteça mais. Por mais que hoje tenha chamada aberta, tenham cursos, isso ainda não é para todos. Por mais que estejam abertos e que sejam gratuitos, muitas vezes ainda tem quem não consiga acessá-los. É preciso difundir esse conhecimento para que possamos formar mais empreendedores.

Sobre Lucas Roldan
Entusiasta no desenvolvimento de novos negócios com alto impacto social, Roldan é professor e Coordenador do Curso de Administração, com Linha de Formação em Inovação e Empreendedorismo da Escola de Negócios da PUCRS. É Doutor em Administração de Empresas com linha de pesquisa em Gestão da Inovação, Competitividade e Mercado; Mestre em Administração de Empresas; e graduado em Administração de Empresas com ênfase em Empreendedorismo e Sucessão.

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