Crédito popularizado por meio de propagandas, o empréstimo para negativados tornou-se a última alternativa para consumidores inadimplentes. Levantamento realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) – em todas as capitais do Brasil – revela que 16% dos que estão com o CPF restrito nos últimos 12 meses admitem ter procurado instituições financeiras que prestam esse tipo de serviço. O percentual sobe para 21% entre os consumidores inadimplentes das classes A e B.

Indagados sobre o porquê de terem contratado esse tipo de empréstimo, três em cada dez (29%) disseram que era a única maneira que encontraram para quitar as dívidas. Outros 27% justificaram a rapidez do processo de limpar o nome, ao passo que 25% não conseguiram obter crédito em bancos convencionais. “De olho nesse mercado de milhões de inadimplentes, muitos bancos e financeiras se especializaram em conceder crédito para quem está negativado”, observa a economista-chefe do SPC, Marcela Kawauti.

Ela alerta, no entanto, que devido a agilidade para obtenção, esses créditos costumam praticar juros elevados. Isso pede cuidado do consumidor, que na urgência de contrair uma dívida para quitar outra, pode se atrapalhar ainda mais e ver sua dívida se tornar praticamente impagável.

26% contrataram empréstimo na internet

A propaganda na televisão, jornais e revistas foi a forma mais comum pela qual os entrevistados tomaram conhecimento desse tipo de serviço; opção mencionada por dois em cada dez (21%) dos consumidores que recorreram ao empréstimo para negativados. A internet serviu de fonte para outros 21% das pessoas ouvidas, seguida da indicação de amigos e parentes (17%) e panfletagem na rua (16%).

A internet também ganha protagonismo como meio para se obter empréstimos para negativados. Do total de consumidores que recorreram a esse instrumento, 26% o fizeram de forma online, sem a necessidade de ir até o local de atendimento. Outros 73% disseram ter contratado o serviço pessoalmente. O empréstimo pessoal foi a modalidade mais contratada (56%), seguida do empréstimo consignado (42%).

23% não pesquisaram opções de linhas de crédito

O percentual de consumidores cuidadosos, no entanto, diminui quando o assunto é se informar sobre linhas de crédito alternativas. Dentre os entrevistados, 23% reconhecem que não pesquisaram taxas de juros e demais características de outras opções de crédito antes de optarem pelo empréstimo para negativados. O percentual sobe para 44% considerando os inadimplentes de idade acima dos 50 anos. Os que tiveram essa preocupação somam 71% da amostra.

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