Construção Civil gerou 400 novos postos de trabalho ano passado. FOTO: AGÊNCIA BRASIL

Com fôlego após um 2020 difícil, Construção Civil foi destaque no Município

Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Previdência nessa semana mostram que as empresas montenegrinas geraram 1.048 novos postos de trabalho formal, com carteira assinada, durante o ano passado. O saldo, compilado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o Caged, é resultado das 9.636 pessoas contratadas durante 2021, subtraído das 8.588 pessoas demitidas no mesmo período. Eram 1.048 oportunidades que não existiam em 31 de dezembro de 2020 e que, por ampliações ou novos investimentos das organizações locais, foram criadas.

O setor que mais gerou novas vagas foi o da Construção Civil, com um saldo de 400. Foram 1.367 contratações contra 967 demissões. Na avaliação do empresário Erci Nonnemacher, que já acumula mais de 30 anos no ramo, o fôlego angariado pelo setor foi resultado da maior confiança dos investidores e das taxas de juros reduzidas no período.

Erci Nonnemacher. FOTO: ARQUIVO/IBIÁ

“O começo da pandemia em 2020 assustou os investidores porque era uma coisa que ninguém esperava”, lembra. “Nós mesmos tínhamos contratos em andamento que conseguimos ir cumprindo sem precisar demitir ninguém, mas também não se encorajou em admitir porque não se enxergava muito lá na frente.” No primeiro ano de pandemia, os dados do Caged mostram que a Construção Civil extinguiu 150 postos de trabalho no Município.

A virada, em 2021, veio da retomada da confiança nos investimentos e também foi impulsionada pela baixa nas taxas de juros. Na avaliação de Nonnemacher, de um lado, a redução tornou mais atrativos os financiamentos imobiliários; e, de outro, afastou investidores de outras aplicações financeiras que, naquele cenário, acabaram rendendo pouco. “Então, muitos investidores acabaram investindo em imóveis que são um investimento muito seguro. No imóvel, mesmo que o investidor tenha um rendimento igual ao das taxas do banco, pra ele é lucro porque ele vai acabar tendo o patrimônio”, avalia o empresário.

Nonnemacher aponta que ampliou em cerca de 20% a sua equipe ao longo do ano passado; e indica que há espaço para quem procura emprego na área. É que, no setor há mais de três décadas, ele avalia que há algumas deficiências na mão de obra disponível na cidade. “Nós temos muitos funcionários antigos, e o que eu percebo é que, pra renovar a equipe num cargo de encarregado, nós temos um pouco de dificuldade”, relata. “Me parece que os jovens procuram mais pro lado de um trabalho um pouco diferente da Construção Civil, mesmo que menos remunerado. Mas quem realmente quer e gostar do ramo, consegue aprender dentro do canteiro de obras. Aqui, o cara pode entrar como auxiliar e as portas estão abertas pra ele crescer. Só depende dele”, indica.

Uma surpresa negativa na indústria montenegrina
A Indústria continua despontando como o setor que mais emprega em Montenegro. Contratou 3.090 trabalhadores ao longo de 2021. Porém, como tem mais rotatividade – foram 2.784 demissões no período – ela ficou atrás da Construção Civil sob a ótica da criação de novas oportunidades: foram 306 empregos gerados.

Apesar de positivo, o resultado foi bem inferior ao de 2020, quando o setor somou a abertura de 551 vagas. Foi o maior destaque do primeiro ano da pandemia, que delimitou menos restrições de funcionamento às indústrias, consideradas essenciais, do que às empresas dos outros setores.

Em 2021, o maior destaque da Indústria foi o da fabricação de tratares, da John Deere, com 363 empregos gerados. Na sequência, vem a fabricação de equipamentos bélicos, da CBC, com 111 empregos formais gerados.

A surpresa negativa vem da fabricação de produtos a base de aves, segmento dominado pela JBS, que extinguiu 246 postos de trabalho ao longo do ano passado. É percentual relevante, mesmo num universo de cerca de 2 mil trabalhadores contratados pelo frigorífico. A reportagem buscou a empresa para contextualizar o número, mas a organização optou por não comentar.

Como foram os demais setores
Ao longo de 2021, a Agropecuária fechou cinco postos de trabalho em Montenegro. Contratou 194 trabalhadores e demitiu 199. O setor não costuma contratar muitos funcionários, especialmente por vários dos empreendimentos serem familiares; e também por muitas das contratações serem sazonais. O saldo foi motivado por contratações nos segmentos de extração de madeira e criação de peixes; e demissões na criação de aves e no cultivo de laranja.

Nos Serviços – segmento que, depois da Indústria, é o que mais tem pessoas empregadas em Montenegro atualmente – foi registrada a criação de 124 novas oportunidades. O índice é resultado de 2.496 admissões e 2.372 demissões. Bom, mas ainda não o suficiente pra recuperar as perdas que o setor teve no primeiro ano da pandemia. Foram 456 postos extintos.

Um destaque importante dos Serviços em 2021 foi o transporte rodoviário de cargas, que abriu 89 postos ano passado. Em segundo, foram as atividades ligadas à Saúde, que contrataram 37 novas pessoas.

Já no Comércio, o saldo de vagas criadas foi de 223 (2.489 contratações e 2.266 demissões). O destaque foi o segmento de supermercados, com a inauguração de unidades do Asun, Bruvini e Desco, que fechou o ano com saldo de 59 postos criados. Também foram 45 abertos no comércio de materiais de construção, 42 no comércio atacadista de bebidas e 22 nos postos de gasolina. Vários outros segmentos também criaram oportunidades, mas de forma mais pulverizada.

Veja os números da região:

Município Saldo de 2021
Alto Feliz -48
Barão 8
Bom Princípio 342
Brochier 106
Capela de Santana 108
Feliz 63
Harmonia 75
Linha Nova -2
Maratá 62
Montenegro 1.048
Pareci Novo 82
Portão 597
Salvador do Sul -85
São José do Hortêncio 2
São José do Sul 17
São Pedro da Serra 38
São Sebastião do Caí -163
São Vendelino -14
Triunfo 1.975
Tupandi -16
Vale Real 54

 

1 comentário

  1. Boa tarde, lendo a notícia sobre empregos, Ibiá de 02/02, vejo que falta um informativo que define o quadro, não só em Montenegro, mas no Brasil. Não há por parte do governo federal uma política de desenvolvimento econômico, os programas sociais foram cortados, em verbas destinadas a esses e como política habitacional, é o caso do minha casa, na indústria houve um sucateamento, hoje o Brasil é mais um pais rural, que vive da monocultura da soja e carne, gerando poucos empregos, de baixa qualidade e remuneração. É casuísmo colocar culpa na pandemia, já antes, em 2019 , a economia vinha dando sinais de fracasso, com PIB de 1%, hoje algumas empresas projetam indicadores econômicos um PIB para este ano de -0,5% . O Banco Itau projeta Para 2022, contração do PIB de 0,5%, principalmente devido ao impacto dos juros elevados sobre a demanda agregada. Essa crise tem nome e chama-se governo Bolsonaro, por negar a vacina, o distanciamento social, e promover praticas que dificultaram o combate ao vírus, como estamos vendo hoje novamente os leitos dos hospitais cheios, e, maioria de pessoas que não se vacinaram.

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