30% da produção da JBS Couros é Kind Leather. Organização aponta que a meta é de chegar aos 100%. FOTO: DIVULGAÇÃO

JBS Couros já introduziu o processo Kind Leather em mais de 30% de sua produção mundial

A JBS Couros lançou em 2019 e, desde então, vem aplicando gradativamente em suas unidades produtivas o processo “Kind Leather”, um “couro gentil”, na tradução livre do Inglês. Já em prática aqui em Montenegro, o processo foi certificado como o “mais sustentável do mercado” através de estudos de Avaliação de Ciclo de Vida (AVC’s), metodologia científica criada para mensurar o impacto de todo o ciclo de vida de produtos. Em comparação com o formato convencional, ele gera 93% menos resíduos, consome 52% menos água e tem 44% menos potencial de emissões que contribuem com o aquecimento global.

“O Kind Leather nasceu com o objetivo de a gente olhar para a cadeia industrial como um todo, pensando em reduzir desperdícios ao longo da cadeia inteira. Ele visa entender quais são as partes do couro que, lá na frente, vão virar resíduos; para a gente removê-las antes de curtirmos o couro”, explica Kim Sena, gerente de Sustentabilidade da empresa.

Olhando para o todo – o couro vai virar o assento de carro no setor automotivo ou uma bota no setor calçadista, por exemplo – a empresa passou a remover as partes que se perderiam ao longo da cadeia; que deixam de passar pelos processos químicos do curtimento e podem ser destinadas a outras finalidades, para uso nas indústrias farmacêutica ou alimentícia, dentre outras. “No fim, você tem uma superfície que é muito melhor aproveitada”, adiciona Sena.

Kim Sena, gerente de Sustentabilidade da JBS Couros. FOTO: PAULO VITALE

Segundo o gerente, foram dois anos para formatar o Kind Leather; e ele vem sendo aprimorado constantemente com foco não só em reduzir o desperdício, mas em limitar o uso de produtos químicos ao estritamente necessário. Apesar de a JBS Couros ter um arrojado centro de pesquisas na Itália, o processo foi desenvolvido no Brasil, numa unidade de Goiás. Hoje, já está no mundo todo; com aplicação em 30% da produção da multinacional.

“Nós estamos em um processo de transição e o nosso objetivo é chegar nos 100%. Eu acredito que, num futuro não tão distante, com todas as discussões de sustentabilidade, de emissões e de aquecimento global, toda a cadeia do couro irá migrar para um processo em que o Kind Leather seja usado, inclusive por nossos concorrentes”, projeta Sena. “Eu acho que o desafio que a humanidade tem, agora, é esse: de garantir, com os recursos limitados que a gente têm, que se consiga prover para toda essa população do planeta.” Hoje, o maior volume do Kind Leather é destinado aos mercados de mobília e automotivo.

Concurso incentiva o uso do “couro gentil”
Desde o lançamento, a JBS vem participando de feiras e eventos para divulgação do novo processo produtivo e os seus impactos. Ela também lançou um concurso, o “Design Kind Leather”, que vai premiar profissionais criativos de moda que toparem o desafio de desenvolverem produtos usando o material “gentil” com o Meio Ambiente.

“Nós estamos muito animados e eu tenho certeza de que vão sair conceitos muito legais dessas propostas”, destaca o gerente de Sustentabilidade da empresa. “O design tem um papel muito importante para a discussão de sustentabilidade, porque nasce do design o uso eficiente dos materiais. Um designer pode cometer um erro ali que vai se perpetuar por toda a produção daquele produto. Ou ele pode acertar e aqueles benefícios também vão se perpetuar.” O “Design Kind Leather” está na etapa de execução dos projetos inscritos; e os vencedores serão conhecidos em junho na Expo Riva Schuh & Gardabags, na Itália.

Deixe seu comentário