O último final de semana foi o primeiro com a restrição aos sábados e domingos

PARA lideranças empresariais, a regra de fechamento tem efeito contrário e gera aglomerações

Após três semanas fechados como medida de controle à pandemia e à rápida disseminação da nova variante do coronavírus, as empresas do comércio e serviços considerados “não essenciais” puderam retomar suas atividades, mas apenas nos dias úteis. Seguem proibidas – como já foi nesse último final de semana – de funcionar nos sábados e nos domingos em todo o Estado; decisão que vem sendo criticada por empresários do setor.

Nesta semana, o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, gravou um vídeo reforçando o pedido ao governo estadual pela autorização. A demanda chega com a proximidade da Páscoa e diante da necessidade de recuperação das perdas após as sucessivas semanas de restrições. Na perspectiva de Bohn, rever a regra é evitar a concentração de consumidores por conta da abertura do comércio apenas em dias e horários restritos. O argumento também vai ao encontro do entendimento de lideranças locais de Montenegro.

“Limitar o horário do comércio é forçar uma aglomeração. Se tu estende o horário do comércio, flexibiliza para o comerciante fazer mais agendamentos”, avaliou Paulo Schneider, membro do Núcleo do Comércio da Associação Comercial, Industrial e de Serviços (ACI) de Montenegro e Pareci Novo; e diretor fiscal da Câmara de Dirigentes Lojistas de Montenegro em entrevista à Rádio Ibiá Web na tarde de ontem. “Quando tu fecha o comércio no sábado, faz as pessoas irem todas na semana”, adiciona.

E como algumas lojas têm, em alvará, atividades consideradas essenciais e que permitem a abertura, os consumidores que não podem realizar compras de segunda a sexta tendem a se concentrar no reduzido número de estabelecimentos que podem funcionar aos sábados e domingos. Gera ainda mais prejuízo às que não podem abrir e que já se encontram em situação de dificuldade.

Para Schneider, rever regras que acabam prejudicando o Comércio é urgente, num contexto de que, só no primeiro trimestre de 2021, cerca de dez lojas fecharam em Montenegro, demitindo funcionários e colocando famílias em situação de vulnerabilidade. “A gente não consegue ver uma luz no fim do túnel quando vêm essas ações do governo do Estado”, lamenta.

Reflexo dessa crise, também já são mais de vinte salas comerciais disponíveis para locação e que não encontram interessados. “Antes se tinha que correr atrás quando se via um prédio ser construído. Hoje, é ao contrário”, aponta. “E prejudica ainda mais que, quando as pessoas saem para comprar alguma coisa, acabam adquirindo vários itens. E com menor variedade de comércios abertos, há um natural direcionamento para o consumo nos shopping centers ou supermercados.” O líder empresarial defende a manutenção dos protocolos sanitários de uso de máscara, álcool gel e distanciamento para viabilizar uma retomada mais ampla e segura das atividades.

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