Desde 2009, unidade de Montenegro concentra toda a produção da empresa. FOTO: DIVULGAÇÃO

Embalagem com biodegradação acelerada é um dos destaques da empresa

Com mais de 40 anos de história – quase 22 desses em Montenegro – a Polo Films vem vivendo uma nova fase, focada na inovação e na sustentabilidade. Para isso, só nos últimos três anos, investiu cerca de R$ 60 milhões na fábrica montenegrina, às margens da BR-386, que desde 2009 concentra toda a produção da organização. A empresa ainda prepara novo investimento, mais R$ 25 milhões, para ser executado nos próximos meses. “Nós temos investido, basicamente, na modernização do parque”, explica o CEO, Antonio Jou Inchausti. “As nossas linhas de produção são extremamente tecnológicas e a gente vem atualizando elas todos os anos.”

A Polo se dedica à produção de filmes de polipropileno biorientado, o BOPP, que são utilizados em embalagens flexíveis, rótulos e fitas adesivas. Muito presentes em nosso dia a dia, eles podem ser encontrados nos pacotes de vários produtos como massas, salgadinhos, biscoitos e sabonetes; além das etiquetas de diversos itens. Os aportes na modernização do parque onde eles são fabricados vêm em complemento aos investimentos em pesquisa e inovação da empresa. A organização investiu R$ 20 milhões na busca por soluções inovadoras e sustentáveis aos seus produtos; e está colhendo resultados. Dentre eles, já é reconhecida como a primeira da América Latina a lançar uma embalagem plástica com processo acelerado de biodegradação.

“Existe um apelo e uma preocupação muito forte com o Meio Ambiente pela questão da decomposição do plástico; e nós entendemos que poderíamos oferecer essa solução para o mercado”, explica Inchausti. Nomeado de b-flex, o item já é produzido em Montenegro. Ele foi desenvolvido em parceria com um laboratório norte-americano para, sem perder suas propriedades de barreira e proteção, ser consumido por micróbios como alimento e fonte de energia quando descartado nos aterros sanitários. Isso é possível graças à presença de um aditivo que, mediante uma série de processos químicos e biológicos, acelera a degradação do plástico.

Após seis anos de testes e uma bateria de avaliações, o b-flex atingiu 71% de decomposição; uma alternativa à embalagem convencional de plástico que leva centenas de anos para se decompor no Meio Ambiente. O material teste segue no laboratório, num ambiente que simula as condições de um aterro sanitário. “Nós acreditamos que em mais três, quatro anos, ele já não vai existir mais. Terá se decomposto em húmus, água e gás metano”, aponta o CEO. A primeira aplicação do b-flex tem sido feita em embalagens de papel A4 da marca Internacional Paper. A preocupação com práticas e soluções sustentáveis já rendeu à Polo Films o selo Bronze EcoVadis, classificação de sustentabilidade empresarial considerada a mais confiável mundialmente.

Na fábrica, às
margens da BR-386, são produzidas embalagens de diversos produtos presentes no nosso dia a dia

Na pandemia, mais negócios e a criação de um novo produto
Dentre os impactos gerados pela pandemia do novo coronavírus e o consequente isolamento social estão mudanças de comportamento dos consumidores que acabaram impactando diretamente os negócios da Polo Films, internamente e no exterior. Segundo o CEO, Antonio Jou Inchausti, foram três os fatores que impulsionaram as vendas de BOPP no mundo todo. As pessoas passaram a consumir mais produtos em casa, com embalagens individuais e em porções menores; aumentou a produção de itens de higiene, como álcool em gel e sabonetes, que usam BOPP nas embalagens e etiquetas; e também cresceram as compras pela internet, que consomem, além de etiquetas, fitas adesivas que são produzidas na empresa.

“Nós imaginávamos que isso fosse acontecer. Nossa preocupação foi, em primeiro lugar, evitar a contaminação das pessoas e, em segundo lugar, não parar a fábrica para não desabastecer esse mercado”, explica o executivo. “Nós botamos equipes de plantão, equipes de backup, tivemos assessoria do Moinhos de Vento com os protocolos para evitar contaminações na planta e tivemos muito sucesso”, destaca.

Antonio Jou Inchausti, CEO da Polo Films. FOTO: CLAUDIO VERISSIMO

O fenômeno foi um up para a empresa que, desde 2017, vinha comemorando um crescimento acentuado nas vendas. “Nesse período, nós ampliamos o leque de nosso portfólio, colocamos muitos produtos de alto valor agregado no mercado e a nossa fábrica produziu muito”, sublinha Inchausti. A empresa fechou 2021 com faturamento superior a R$ 1,2 bilhão e mais de 65 mil toneladas produzidas – 40% para fora do País, principalmente América Latina e Estados Unidos.

E se a pandemia impulsionou a produção, ela também inspirou a criação de um novo produto: o FlexProtec, embalagem que combate a proliferação de microrganismos. A tecnologia usa nanotecnologia de íons de prata para a eliminação de bactérias, fungos e vírus como o novo coronavírus. Teste feito na Universidade Estadual Paulista (Unesp) mostra que a embalagem teve redução de 99,5% do coronavírus em 40 minutos. Outro, feito com as bactérias staphylococcus aureus e escherichia coli, responsáveis por causar infecções de pele e intestinais, chegou a redução de 99,99% em 24 horas. “Essa é uma tecnologia 100% brasileira, que desenvolvemos com uma empresa de São Paulo”, destaca o CEO.

A história em Montenegro
A empresa nasceu nos anos 80, em Minas Gerais, e tinha como um dos donos a British American Tobacco, acionista majoritária da Souza Cruz. O foco era, justamente, a fabricação de embalagens de cigarro. Ela foi vendida em 1995 a um grupo petroquímico nacional, o Unigel, já com foco em expandir a produção para outros segmentos. Em 97, de olho no mercado Argentino – hoje um dos principais da empresa – a Polo adquiriu a área em Montenegro, num local estratégico, próximo do Polo Petroquímico de Triunfo com a fornecedora de matéria-prima, Braskem. A fábrica abriu em 2000. Em 2009, a unidade de Minas Gerais, em Varginha, foi fechada; e a organização concentrou a produção em Montenegro, que já contava com um parque fabril mais moderno e equipado. Em 2017, a organização foi vendida novamente e, desde então, pertence ao Grupo Geribá Investimentos. A fábrica montenegrina emprega, atualmente, cerca de 350 pessoas diretamente.

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