Da JBS, além de Montenegro, unidades em Passo Fundo, Caxias do Sul, Brasília (DF), Campo Mourão (PR), Amparo (SP) e Ipumirim (SC) foram afetadas. FOTO: ARQUIVO/JORNAL IBIÁ

Os frangos abatidos no frigorífico da JBS, em Montenegro, não podem mais ser exportados para a Arábia Saudita, um dos principais mercados do produto. A Saudi Food and Drug Authority, autoridade sanitária do governo saudita, vedou a unidade, sem apresentar os detalhes que motivaram a decisão. Outras seis plantas da JBS, pelo país, foram afetadas; além de uma da empresa Agroaracá; e três da montenegrina Vibra, com o frigorífico de Minas Gerais e dois dos instalados no Paraná.

O governo brasileiro recebeu a informação com consternação. Em nota conjunta, os ministérios da Agricultura e Relações Exteriores informaram que levarão a questão à Organização Mundial do Comércio caso se comprove a imposição de alguma barreira indevida. A Arábia é o segundo maior comprador de carne de frango do Brasil, o único país vetado pela decisão que vale a partir do dia 23. “Não houve contato prévio das autoridades sauditas, tampouco apresentação de motivações ou justificativas que embasem as suspensões”, pontua a nota.

Com a suspensão, JBS e Vibra ficam totalmente fora do comércio com o país. A Vibra ainda não se pronunciou sobre a situação.  Em nota divulgada à imprensa, a JBS informou que também está em contato com a Saudi Food and Drug Authority  para compreender as motivações do bloqueio. “A produção antes destinada à Arábia Saudita já foi redirecionada para outros mercados”, garantiu a empresa. Agora, do Brasil, o mercado saudita continua sendo acessado apenas pela BRF, com quatro unidades, e outras cinco exportadoras menores.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Alimentação de Montenegro, Celestino Netto, diz ter recebido a notícia com preocupação. O líder sindical avalia que a relação internacional entre os países foi fator que pesou na decisão; e critica o governo federal. “No nosso entendimento, é reflexo da postura desse governo, que não está olhando a nossa situação, enquanto trabalhador, e os esforços que as empresas estão fazendo. Enquanto isso, se posicionam de maneira errônea no trato do exterior. Trancam, criam problemas e situações embaraçosas em todos os aspectos”, analisa.

A agência de notícias Reuters apontou, porém, que o movimento da Arábia acontece num momento em que o país árabe investe na ampliação de sua produção interna de carne de frango. A companhia local Almarai, uma das principais de lá, anunciou recentemente um investimento de US$ 1,8 bilhão para dobrar sua produção da proteína.

E há outra possível justificativa, ainda que não confirmada pelas autoridades. Reportagem da Revista Globo Rural cita fontes ligadas ao setor de exportação para revelar que recente análise feita pela aduana do país comprador detectou salmonella em lotes de produtos que saíram do Brasil.

Em nota, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) disse que está apoiando o governo brasileiro na busca por mais detalhes sobre a decisão. “A ABPA reforça seu compromisso em sua parceria estratégica com o povo saudita, apoiando no suprimento da oferta de alimentos deste que é um dos mais longevos mercados importadores do produto brasileiro. A entidade reitera, ainda, a sua plena confiança e o reconhecimento internacional das empresas brasileiras, seja pelo cumprimento de critérios técnicos, pela qualidade e por todos os demais pontos estabelecidos pelas nações importadoras”, traz o material.

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