Com a bandeira da luta trans ao fundo, organizadores celebraram a atividade em Montenegro. FOTO: LIS SEIXAS

Evento discutiu acesso às políticas públicas, mercado de trabalho, entre outros direitos básicos

No ano passado, pelo menos 124 pessoas transgênero foram assassinadas no Brasil vítima de transfobia. Os dados integram o relatório da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), divulgado recentemente. De acordo com organização, em apenas 11 dos casos, os suspeitos de terem cometido os crimes foram identificados. Nesse contexto, e diante dos números alarmantes, surge a necessidade de espaços para debater questões relacionadas a essa parcela da população. Pensando nisso, ocorreu no último fim de semana o evento Transformação – encontro sobre visibilidade trans, que discutiu identidade gênero, orientação sexual, acesso às políticas públicas, ao mercado de trabalho, entre outros direitos básicos.

No dia 29 de janeiro foi celebrado o Dia Nacional da Visibilidade Trans. Desde então, a data simbólica que foi estabelecida em 2004 para combater a violência e opressão contra as pessoas travestis e transexuais, culminou em uma série de atividades em todo o Brasil. No último domingo, 9, foi a vez de Montenegro debater o tema. “O intuito é trazer visibilidade para o movimento trans por meio de informação sobre a existência e demandas dessa população e, também, possibilitar a criação de um espaço seguro para conhecermos outras pessoas envolvidas e preocupadas com a pauta”, destacou Lau Graef, homem trans e um dos responsáveis pelo evento.

Organizado por um coletivo autônomo de pessoas trans do município e da região, a atividade contou com uma roda de conversa sobre o mercado de trabalho e a empregabilidade de pessoas trasnsexuais. Na ocasião, Graef destacou o baixo percentual de pessoas com esse perfil no mercado formal e a dificuldade que se acentua em cidades do interior. “Só 4% das pessoas trans tem um emprego formal, isso quer dizer que é difícil pra todos nós em todos os lugares, mas aqui em Montenegro eu senti bem mais dificuldade”, revela o jovem, que encontrou na informalidade uma alternativa de trabalho.
Além da roda de conversa, o evento também contou com a performance de Scher Dias, com criação a partir de sua experiência como artista de rua enquanto gênero fluído; venda de hamburgeres veganos, drinks e cerveja pelo Coletivo Rango; serviços de barbearia; brechó; tatuagens e músicas com DJs da cidade. De acordo com a organização, todo o valor arrecadado será destinado ao custeio do tratamento de pessoas em processo de transição. “O evento foi incrível!”, avaliou Graef, que ainda destacou a participação de famílias com crianças. “Enquanto pessoa trans, é essencial ter esses momentos de troca com outras pessoas trans, pois faz com que eu me sinta mais pertencente ao mundo e menos sozinho”, revelou o jovem, afirmando que uma das motivações em realizar o evento foi a possibilidade de compartilhar essa sensação de pertencimento com outras pessoas que vivem essa mesma realidade.

Dicionário da diversidade trans
– Transgênero: pessoa que não se identifica com as características do gênero designado a ela no nascimento;
– Gênero-fluido: alguém cujo gênero muda constantemente;
– Identidade de gênero: é a maneira como alguém se sente e se apresenta para si e para as demais pessoas. É a forma como a pessoa se reconhece e deseja que os outros a reconheçam;
– Transfobia: repulsa ou preconceito contra a transexualidade, os transexuais ou as pessoas transgênero.

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