Preocupação dos vereadores é com a segurança dos alunos

Valdeci de Castro (PSB) e Felipe Kinn (MDB) estão acompanhando os casos de perto e pedem justiça

O problema com o transporte escolar em Montenegro não é nenhuma novidade. Desde essa segunda-feira, 19, está valendo um novo contrato emergencial e duas empresas já estão atuando na cidade. Uma delas é alvo de denúncias dos vereadores Valdeci de Castro e Felipe Kinn, e as irregularidades vão desde ônibus pegando fogo no motor até salários atrasados.

Segundo os vereadores, no dia 30 de julho um ônibus da empresa Alditur Transporte e Turismo LTDA teria dado uma pane no motor depois de deixar os alunos na escola AJ Renner no horário da noite. Após essa “pane”, o certo seria substituir o veículo por outro em condições, mas isso não teria acontecido. “Ás 22h quando o motorista deveria pegar os alunos e levar para casa, ele não estava lá. Quando ele já disse que as crianças teriam que se virar para voltar para casa, e apesar dele ter um tempo para buscar outro carro ele não pegou”, diz Valdeci. Em torno de 15 a 17 alunos teriam ficado sem condução.

Conversa entre alunos e motorista “Tio Rafa” no dia da suposta pane no ônibus escolar

Valdeci e Felipe fizeram um denúncia em ata na secretaria municipal de Educação e Cultura (Smec) e a empresa já foi notificada, mas parece que não foi bem assim o ocorrido. “A empresa foi notificada e esclarece que o fato não ocorreu da maneira como descrito acima, respondendo via ofício para Smec. Até o presente momento a Smec não tem oficialmente nenhum registro de incêndio, somente uma denúncia que não foi confirmada pela Escola (em ata) e nem mesmo por alunos, pais ou responsáveis”, ressalta a Smec.

De acordo com o vereador Valdeci, eles já têm provas de dois alunos e um resposável, de que os alunos não tiveram condução para a volta. “Eu ainda liguei pro motorista e me passei como um pai de um aluno, porque ele não queria me atender, e ele me disse que o “meu filho” estaria dizendo a verdade, que ele não pode levar as crianças para casa naquele dia”, conta ele.

Edemilson Alves, sócio proprietário da Alditur, relata que o trabalho da empresa é levar e buscar as crianças, e que jamais deixaram de fazer isso, ainda mais à noite. “Não teve incêndio nenhum, o que aconteceu foi que esse ônibus não tinha mais nenhuma criança dentro e o carro estourou a turbina, o que gerou muita fumaça na descarga, e isso aconteceu quando o motorista já estava chegando na sua casa. Ele ligou na hora e nós recolhemos o ônibus e já substituímos por outro”, conta Edemilson. De acordo com ele, todas as crianças voltaram para casa no veículo que fez a substituição e que ninguém ficou sem condução.

Outro problema, é que o mesmo veículo estaria andando novamente e que além do transtorno já gerado estava com uma parte do parachoque traseiro caído. Na última sexta-feira, 16,estivemos no local onde o ônibus fica estacionado para verificar e tirar uma foto, e se encontrava de tal maneira. Segundo Edemilson, no domingo, 18, o veículo teria sido arrumado.

Ônibus com o parachoque ainda quebrado

Para onde vai o dinheiro?!
Os dois vereadores já entraram com recursos para denunciar o atraso do pagamento de um motorista e também para cobrar o recolhimento de encargos trabalhistas. Buscando provas do que afirmam, teriam que esperar 30 dias para retorno do Executivo aos Pedidos de Informação. Para contornar, pediram os documentos via protocolo, mas a Prefeitura ia cobrar cerca de R$ 300 deles pelas cópias. “Eu nunca vi disso, a gente foi pedir e ninguém falou em custo, mas depois a Prefeitura nos ligou dizendo que tem esse custo para liberar”, diz Valdeci.

Contracheque com o valor bruto de R$ 1.6 mil

Felipe Kinn ainda comenta que os contracheques hoje estão contribuindo em cima de R$ 1,6 mil a R$ 1,7 mil reais e o salário base do motorista é de R$ 2,4 mil. “Hoje na planilha de custo obrigatoriamente é R$ 2,4 mil, mas a empresa estava pagando menos e eles não estavam recolhendo os impostos que deveriam, porque tinham que recolher em cima do salário base. Então automaticamente não entrava impostos para o município, e a empresa não está pagando o que teria que pagar”, comenta Felipe.

Felipe ainda acha um absurdo eles estarem trabalhando 220 horas, mas receberem o valor bruto de R$ 1,6 mil. “Não é nada contra as empresas em si, mas contra as irregularidades que estão ocorrendo. Dá uma margem de R$ 800 a menos, então isso está sobrando para alguém”.

Segundo Edemilson, todos os motoristas são pagos em dia e o valor é responsabilidade direta da sua contabilidade. “Nós temos 15 motoristas, quando a gente paga um a gente paga todos no mesmo dia”, relata.

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