Nina Rosa da Motta segue, com carinho, a tradição fomentada pela mãe após uma promessa feita pela saúde de seus filhos, há muitos anos

O anjo, o menino Jesus, Maria, José, os pastores, os reis magos. Cada peça do presépio carrega seu significado próprio e, juntas, elas recriam uma das cenas mais bonitas narradas pela fé católica: o nascimento de Jesus Cristo. Os registros apontam que foi São Francisco de Assis, em 1223, que montou o primeiro presépio da história, na Itália. De lá pra cá, ele vem sendo recriado em casas e instituições do mundo inteiro na época de Natal e sua simbologia foi criando novos significados para cada família e cada pessoa.

Para a empresária Nina Rosa da Motta, por exemplo, montar o presépio representa, além do símbolo tradicional, a manutenção da memória e de uma promessa feita por sua mãe, falecida em 2014. A história desta promessa já foi contada pelo Jornal Ibiá na edição especial de Natal de 2013 e segue viva até hoje. Tudo começou há 65 anos atrás, quando uma das filhas da senhora Geni Maria da Silva contraiu uma doença grave com três semanas de vida. Muito católica, a mãe prometeu que, se a criança se curasse, ela passaria a montar um grande presépio em sua casa, como forma de agradecimento.

A graça se alcançou, e Geni dedicou todos os próximos natais de sua vida na detalhada montagem da cena do nascimento de Jesus. Feito dentro de casa, o presépio recriava lagos, gramados, pedras e ficava, a cada ano, mais detalhado. Entre os vizinhos da localidade de Bom Jardim, onde viviam, se tornou tradição de Natal visitar o pinheirinho da “tia Geni”. Quando o marido faleceu, ela se mudou para a casa da filha Nina, na cidade, e deu, ali, seguimento a tradição. “A promessa era que o presépio seria montado enquanto os cinco filhos estivessem com saúde”, relembra a empresária.

Geni faleceu dois meses após ter sua história publicada no jornal, aos 84 anos. Em sua lápide, no cemitério, uma foto de seu presépio foi colocada, a seu pedido, para relembrar seu amor e sua dedicação com a prática. “No primeiro ano foi bem difícil, quando chegou o Natal e a gente não tinha mais ela”, conta a filha, emocionada. “Mas era uma coisa tão bonita o que ela fazia e a promessa seguia viva enquanto eu e meus irmãos estivéssemos com saúde, então eu decidi continuar.” Aos 59 anos, a filha monta seu presépio com zelo, inovando, como fazia a mãe, nos minuciosos detalhes da composição da cena. “É uma alegria muito grande poder dar continuidade a isso. Eu sei que, onde quer que ela esteja hoje, ela está muito feliz”, completa.

Você sabia que existe uma ordem correta de montagem do presépio?
De acordo com a tradição, durante a montagem do presépio, vão sendo colocados os animais, os pastores, a manjedoura e o cenário em geral. As imagens da Virgem Maria e de São José só são colocadas na tarde do dia 24. E é na meia-noite do início do Natal que, enfim, o Menino Jesus entra em cena, simbolizando o dia de seu nascimento. Com ele, também são colocados os anjos, evocando cânticos de glória e louvor.

É na meia-noite também que a estrela é colocada, representando o astro que, segundo a história, guiou os três reis magos até o local do nascimento. A partir do dia 25, os três, Gaspar, Melchior e Baltazar, cada um carregando um presente diferente para Jesus, começam a ser posicionados no presépio. Dia após dia, eles vão sendo movidos, até que cheguem, no dia 6 de janeiro, o “Dia de Reis”, até o Menino.

 

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