Desde segunda-feira, é celebrada a 15ª Semana Nacional do Museu

Hoje é o dia dedicado aos espaços que guardam a história das comunidades

O museu é um lugar de encontro: onde o passado se une ao presente e também onde o gosto pela descoberta e pela história é fomentado. Todas as coisas são dotadas de história. Há uma origem ou nascimento, um propósito ou utilidade e o fim. Em espaços como museus, a intenção é justamente transferir toda essa construção social, chocar o antigo com o contemporâneo e preservar a memória histórica. Existem ainda os museus tecnológicos, que objetivam, a partir do novo, proporcionar diferentes experiências e sensações aos seus visitantes.

Desde segunda-feira, até dia 21 de maio, está sendo comemorada a 15ª Semana Nacional de Museus. E hoje, 18, é o Dia Internacional do Museu. A temática definida pelo Conselho Internacional de Museus (Icom) para a edição deste ano foi “Museus e histórias controversas: dizer o indizível”.

Em Montenegro, há bons espaços como esses, que assumem diversas funções temporais e têm um importante papel social informativo. Nossas funções de aprendizado e nossas sensações entram em pleno funcionamento ao deparar-se com o novo – mesmo que seja o antigo do museu.

De acordo com a colaboradora do Museu Histórico Nice Antonieta Schüler, Lisiane da Silva Lopes, temos, na cidade, além do acervo em que trabalha, o Museu de Artes de Montenegro. Outras instituições culturais, de acordo com ela, também de importante contribuição, são o Arquivo Histórico Maria Eunice Müler Kautzmann e o Memorial do Imigrante Alemão. “Citei as que estão mais ligadas à preservação da memória. No entanto, em termos culturais, poderíamos acrescentar sociedades e agremiações, por exemplo. Os museus são guardiões da nossa história, pois seus acervos são testemunhos materiais de nosso passado. Os objetos expostos, contextualizados na história da cidade, são mecanismos de preservação e valorização da memória montenegrina”, destaca.

Artefatos raros
Com um acervo de aproximadamente 3.000 objetos catalogados e dezenas ainda em processo de pesquisa e registro, o Museu Histórico Nice Antonieta Schüler tem em seu arquivo um dos artefatos mais antigos e raros do espaço, que remonta entre 8 a 10.000 anos, segundo Lisiane. “Trata-se da ponta de um projétil, que poderia ser uma lança ou flecha. É um objeto de valor arqueológico que, inclusive, é bastante raro no contexto gaúcho”, enfatiza.

Referente ao material digitalizado, imagens antigas, há um total de 11.740 fotografias à disposição do público. O modo de buscas é organizado por assunto. “Importante ressaltar que o Museu Digital funciona dentro do Arquivo Histórico Nice Antonieta Schüler. E, no acervo do Arquivo Histórico, contamos com 693 documentos históricos também digitalizados e que estão sendo transcritos”, explica Lisiane.

OBJETOS antigos, como esta velha máquina de escrever, estão no acervo

Exposições e doações
“Para a instituição, todo o material que compõe seu patrimônio é considerado de extrema importância, pois é testemunho de nossa história. Nosso acervo é bastante eclético, formado pelos mais variados objetos que foram utilizados no cotidiano de séculos passados. Temos roupas, móveis, brinquedos, coleções, louças, ferramentas, material arqueológico e muitos outros ítens”, enfatiza Lisiane.
Para as pessoas que têm interesse em contribuir com o acervo, é importante que saibam que o item passa por um processo de avaliação. Sendo ele adequado às solicitações da instituição, é então aprovado o seu recebimento. “Um termo de doação é assinado pelo concessor, onde ele transfere a posse do objeto ao Museu. Todas as medidas cabíveis para a preservação do material são então tomadas”, diz.

Sobre as exposições, Lisiane esclarece que elas sempre seguem uma temática específica. Algumas são inspirações para mostras temporárias. “Como a que está acontecendo, denominada “Noivas do tempo”, evidenciando vestidos de noiva dos séculos XIX e XX. Como parte da programação em alusão à Semana e Dia do Museu, no espaço estão sendo realizadas atividades de educação patrimonial com turmas escolares visitantes. A atividade tem como tema a evolução histórica da cidade”, conclui.

Memorial ao Imigrante Alemão
Eduardo Kauer, professor e idealizador do Memorial ao Imigrante Alemão, explica que museus são espaços para a conservação, preservação, estudo e divulgação de alguma das contribuições da humanidade, e que nem todos são históricos. “Há museus de tecnologia e inovação que não possuem acervo histórico. São espaços para expor as últimas invenções ou o que ainda não foi inventado. Há museus de arte, de arqueologia, de ciência, história natural – biologia -, e outros tantos que não são ligados à história”, informa.

Esse ano, segundo ele, o Memorial destaca a presença protestante na região. Estão expostas réplicas que os descendentes de alemães tinham de documentos da Reforma. Também um livro manuscrito por um imigrante que veio para ser pastor no interior do Rio Grande do Sul, bíblias e a arte dos imigrantes”, enfatiza.

Um altar em estilo neogótico, datado de 1906, será um dos objetos à mostra. A exposição da Reforma Protestante vai até dezembro deste ano.

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