A despedida foi embalada por canções tradicionalistas do Rio Grande do Sul, como o Canto Alegretense e Querência Amada

DESPEDIDA. Lágrimas e sorrisos marcaram o adeus à Odila Escobar Dias

Uma despedida inesquecível. A família de Odila Escobar Dias, de 84 anos, realizou um dos últimos desejos da matriarca. A vaidosa e alegre senhorinha não queria que a tristeza predominasse no último encontro com os seus. Há algum tempo ela disse aos netos que, quando partisse, gostaria de ter música em seu velório. E assim foi feito. “Ela disse que queria gaita, música e que não era para ficarmos chorando por ela”, conta a neta Valdirene Santiago, 50.

Nessa quarta-feira, 18, a dupla Marcos Menezes e Vagner Vicente cantou e tocou para dar o último adeus a Odila. “Foi a primeira vez, em 35 anos de carreira, que toquei em um velório. É uma coisa incomum, mas que fizemos com satisfação”, conta Marcos. “A sensação é de missão cumprida”, afirma o experiente cantor.

O gaiteiro Vagner, de apenas 16 anos de idade, foi surpreendido com o convite, mas respeitosamente aceitou. “É estranho. Mas estou feliz por fazer o que ela queria que fosse feito”, comenta.

A vida de Odila foi marcada por fatos que chamam à atenção. Sua despedida não poderia ser diferente. Enquanto o repertório gauchesco era tocado por Marcos e vagner, a família lembrava e se emocionava com os feitos de dona Odila.

Aos 13 anos de idade, Odila fugiu da casa onde morava com os pais, em Osório, para casar-se com João Nunes Dias, sargento da Brigada Militar, com quem mais tarde teve 21 filhos. 20 deles nasceram em casa, de parto natural. Antes de formar família, chegou a ser trapezista em um circo e bailarina.

A frequência com que maternidade batia à sua porta fez a jovem realizar os mais variados tipos de trabalho. Em Montenegro, ela passou a lavar roupas para os policiais, colegas de profissão do marido.

Entre as características marcantes de Odila Dias a fé e a vaidade são as mais lembradas pela família

Exemplo de bom humor, vaidade e fé para filhos e netos, Odila cultivava o sorriso enfeitado pelo vermelho do batom. “Ela era muito vaidosa. Foi um exemplo para todos nós. Foi meu espelho”, relata Valdirene, primeira de um total de 25 netos de dona Odila. “Ela não aceitava usar chinelo de dedo, estava sempre de salto”, acrescenta.

Valdirene se orgulha em ter dado o primeiro dos 30 bisnetos ( Tiago Bueno) e dois dos quatro tataranetos de Odila. E demonstra gratidão pelos ensinamentos da vó. “Ela me ensinou a lutar e confiar que Deus faz as coisas da melhor forma. Ela plantou a semente da fé em toda a família”, destaca a neta.

Lorena, 61, e Sirlei,68, filhas de Odila, contam que a mãe era devota de Nossa Senhora Aparecida e confiava nos milagres da santa. “Sempre que um dos filhos ou netos estava co algum problema, ela colocava a foto dele em frente à imagem de Nossa Senhora e tudo se resolvia”, diz Sirlei.
Odila ficou viúva há 35 anos e perdeu 10 de seus 21 filhos. O último faleceu em fevereiro deste ano. Há três anos ela descobriu que sofria de um tipo raro de câncer, o carcinoma das células de Merkel (CCM).Contudo, não perdeu a fé e seguiu vivendo como antes, ouvindo música e se embelezando para dar seus passeios com os filhos.

O sepultamento de Odila ocorreu na manhã dessa quinta-feira, 19, no Cemitério Municipal de Montenegro. O sal das lágrimas que escorreram dos rostos daqueles que a amavam encontrava barreira no sorriso, esboçado pelas doces lembranças da adorada matriarca.

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