Auditores exemplificaram e sanaram diversas dúvidas e mitos referentes ao sistema tributário

Evento realizado em Montenegro reuniu 19 cidades da região e conscientizou servidores públicos, professores e entidades

Educação fiscal nas organizações públicas e na área educacional esteve em pauta no Seminário Regional ocorrido nesta quinta-feira (21), em Montenegro. Auditores fiscais palestraram e chamaram a atenção para a carga tributária brasileira. Ao apresentarem dados, os profissionais da área comprovaram que o Brasil não é o líder em impostos.

Outro ponto destacado pelo auditor fiscal da Receita Estadual, Cláudio Graziano Fonseca, foi a cobrança de maneira injusta dos impostos, pois quem recebe menos, paga mais. “Um desempregado, ao comprar arroz no mercado, pagará o mesmo valor de imposto que um grande empresário”, exemplificou. A questão não se resume em ser uma carga tributária elevada, mas a maneira com que é extraída do contribuinte.

Os debates também envolveram os retornos das contribuições em serviços públicos e o cuidado com o patrimônio público, o qual é pago e mantido por meio das arrecadações tributárias. No entanto, uma das principais reclamações dos brasileiros é o retorno de bons serviços. Conforme o auditor João Carlos Loebens, a qualidade do retorno se dá conforme o valor recolhido pelo governo. Porém, não parece ser bem assim.

Conforme um estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), publicado em 2015, entre os 30 países com a maior carga tributária, o Brasil continua sendo o que proporciona o pior retorno dos valores arrecadados em prol do bem estar da sociedade. O ranking leva em conta a arrecadação em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Todos os números comparados foram de 2013.

Responsabilidade fiscal desde cedo
O encontro também foi marcado pela palestra sobre educação fiscal dentro das salas de aula. De acordo com o coordenador pedagógico da secretaria de Educação de Montenegro, Cristiano Kochenborger, o trabalho envolve a conscientização das crianças para que peçam aos pais para colocarem cpf na nota, colaborando com as entidades participantes do programa Nota Fiscal Gaúcha.

Professora da EMEI Santo Antônio, Alini Motta dos Santos Gonçalves ressalta que na educação infantil o foco é na prática. “Os alunos já compreendem que ao exigir a nota fiscal o estabelecimento vai contribuir para o Estado e este irá reverter em melhorias na escola, por exemplo”, afirma.

Conforme a professora, os filhos cobram dos pais para que peçam os cupons fiscais. “Os alunos pequenos possuem um espírito disseminador e é nesta fase que criam seus valores, por isso é importante este tipo de incentivo”, ressalta Alini.

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