Maria Eduarda esteve acompanhada da mãe Rochele, do pai Otelmo e da irmã Marília

Ideia inicial era fazer uma cerimônia individual na escola com horários pré-agendados

Uma aglomeração que poderia ser evitada. É assim que os pais dos alunos do Jardim B da Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Gente Miúda classificaram o momento realizado por eles no anoitecer de terça-feira, 22, na Estação da Cultura. Lá, as famílias proporcionaram aos filhos um momento de encerramento do ciclo que muitos iniciaram aos seis meses de idade.

Quem se fez presente usava máscara e buscava respeitar o distanciamento social, mas houve momentos em que não foi possível impedir que as crianças se abraçassem ao rever amigos que há tempos não viam. Mãe de João Pedro Figueiró, de seis anos, Mariana Figueiró, 38, comentou que seu filho estava acostumado a estar junto aos demais colegas. “Ele teve (durante o isolamento) episódios de choro, pedindo pelos amigos”, revelou Mariana, uma das responsáveis por organizar o ato.

Mariana junto aos filhos João Pedro e Bibiana

A ação foi a forma encontrada para questionar a secretaria municipal de Educação e Cultura (Smec) da não liberação da realização de uma cerimônia individual na entrega dos certificados. A ideia dos pais era fazer um pré-agendamento de horários para que os alunos pudessem comparecer à escola sem aglomeração. Assim poderia ser feito um registro fotográfico para finalizar o ciclo dos estudantes.

Algo semelhante ocorreu em escolas da rede particular da cidade, onde a criança buscava seu certificado de conclusão e fazia fotos do momento numa mini-cerimônia. Tudo com horário marcado e sem aglomeração.

Crianças aproveitaram momento de reencontrar colegas

No entanto, isso não foi liberado. A SMEC explicou que foi decidido em reunião com as equipes diretivas, no mês de dezembro, não realizar formaturas presencias, devido a bandeira permanecer vermelha, e o número de contaminados, assim como o número de pessoas em recuperação e de mortos permanecer crescente.

Questionando o fato de haver liberação para o funcionamento de bares e até mesmo a realização de jogos de futebol, os pais decidiram proporcionar aos filhos o momento de encerramento que acreditam ser importante. “Também sou professora e, falando não só como mãe, as crianças precisam guardar boas lembranças, é isso que a gente vai contar (no futuro)”, comentou Mariana. “É um encerramento, agora inicia outra fase”, complementou.

A família da pequena Maria Eduarda Marques, seis anos, também participou. “Como não pode ser feito nada na escola, a proposta veio dos pais para fazer um momento como encerramento”, destacou a mãe de Maria Eduarda, Rochele Moraes, 43 anos. O pai de Maria Eduarda, Otelmo de Souza Marques, 53 anos, observa que o ano atípico também foi difícil para as crianças. “Sou professora e (a aula remota) não é a mesma coisa de estar na escola. Para as crianças foi difícil”, reforçou Rochele.

Deixe seu comentário