ATAQUE DE cupins acelerou a necessidade de recuperar a imagem, que tem um grande valor histórico

A Paróquia São João Batista, de Montenegro, está em busca de padrinhos para restaurar uma imagem do padroeiro. A estátua possui em torno de um metro e meio e costuma ser uma das atrações das festas alusivas ao santo, junto com outra, menor, que normalmente está no presbitério da catedral. Batizadas carinhosamente de “Joãozão” e “Joãozinho”, são os símbolos do tradicional evento. Neste ano, porém, “Joãozão” está “doente”, por conta de um ataque de cupins.

De acordo com o padre Diego Knecht, pároco da Catedral, a restauração, que já era necessária pela ação do tempo, tornou-se urgente depois que os insetos apareceram. O restaurador Airton Westhauser, que está com a imagem, fazendo os levantamentos para o trabalho, conta que os cupins foram implacáveis, provocando muitos danos. “Para recuperá-la, será necessário realizar um tratamento com inseticida”, explica. Segundo ele, caso a intervenção não fosse realizada logo, o estrago seria maior. “Em pouco tempo, e sua exposição seria inviável”, constata.

A imagem é muito antiga na Paróquia. Antes de iniciado o processo de revitalização para transformar a igreja matriz em catedral, estava no altar, bem ao lado da imagem do Cristo crucificado. Esta, aliás, foi restaurada pela mesma equipe e agora está na Capela da Ressurreição, à direita de quem entra no templo, onde normalmente os padres fazem o atendimento da Pastoral da Escuta. Desde então, o “Joãozão” passou a ser uma presença ilustre em ocasiões especiais.

Toda em madeira, a estátua mede aproximadamente um metro e meio. O trabalho de restauro é técnico e extremamente especializado. Ainda antes de eliminar os cupins e proteger a madeira de novos ataques, é preciso fazer uma limpeza profunda. Segundo Airton, trata-se de uma lixação e remoção da pintura atual, o que trará à tona as cores originais. Isso é importante também porque revelará a sua idade. “Essa é uma informação que não temos na Paróquia. Até agora, não achamos nenhum registro da idade dessa imagem”, diz o padre Diego. A última etapa da recuperação será a pintura, que buscará reproduzir as tonalidades originais.

O problema é que esse trabalho custa caro e, por mais que o restaurador seja generoso em seus orçamentos, ainda existe toda a lista de materiais a serem utilizados. “Por isso, estamos buscando parceiros. A ideia é arrumar padrinhos para esse restauro”, destaca o padre Diego. Interessados em contribuir com a recuperação do “Joãozão” podem procurar a secretaria paroquial.

Recuperação permitirá saber a idade da imagem
Em 1866, a antiga Igreja Matriz ainda não estava de pé como Paróquia e uma pequena capelinha de tábuas no local recebeu a visita do bispo Dom Sebastião Dias Laranjeira. Vindo especialmente da Arquidiocese de Porto Alegre, ele trouxe a primeira imagem de São João Batista para a comunidade. Essa pequena capela de tábuas foi erguida por volta de 1855, por desejo de Tristão Fagundes, proprietário das terras onde hoje se localiza a Catedral e que fez a doação do terreno para a Cúria, à época ainda de Porto Alegre.

A pequena capela era ainda pertencente à igreja da freguesia de Triunfo. Ao seu redor, desenvolveu-se o núcleo urbano do povoamento de São João do Montenegro, a vila como se chamava. Até então, somente às margens do Rio Cai, no antigo Porto das Laranjeiras, é que havia mais concentração urbana. O resto era tomado por estâncias.
Dom Sebastião trouxe a imagem de São João Batista numa grande comitiva para a veneração da população. O religioso atendia a pedidos de famílias de proprietários de terras da região porque o país vivia a Guerra do Paraguai (que foi de dezembro de 1864 a março de 1870). E, numa guerra, quem não vai para o front ora por aqueles que estão em batalha para que retornem em segurança. Muitos homens da região haviam sido recrutados para lutar sob o comando de tenente-coronel Apolinário Pereira de Moraes.

Ao fim da Guerra, a vila já estava consolidada e há estimativas de que contava com cerca de 150 construções em 1870. A comunidade cresceu e a pequena capela já se tornara Paróquia São João Batista. Dom Sebastião voltou a visitar a região em 1872. Não se tem registro de que imagem seja essa e nem o que houve com ela. Certo é que não se trata do “Joãozão”, que, embora há muitos anos na Paróquia, possivelmente não seja tão velho. “É uma história bonita, que estamos começando a revisitar para descobrir essas e muitas outras curiosidades. Claro é que, desde meados do século XIX, a comunidade de Montenegro venera a imagem daquele que preparou os caminhos para o Cristo e o tem como santo padroeiro”, destaca o padre Diego.

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