Ovos de colher são os campeões de vendas na Páscoa

On-line ou presencial, venda do doce gera renda mesmo no aperto da pandemia

No próximo domingo, dia 4, é celebrada a Páscoa. A data marca uma das principais comemorações do calendário cristão. No comércio, esse é tradicionalmente o período de maior venda de chocolates em supermercados e lojas especializadas. Mas a pandemia de Covid-19 também tem gerado impacto no setor.
Este ano, apesar do comércio estar autorizado a vender presencialmente, a venda virtual tem movimentado os consumidores. Localizada na rua Ramiro Barcelos, junto à padaria Ki Pão, no Centro de Montenegro, a doceria Nath Nath foi um dos comércios que tiveram impacto na forma de vender durante a pandemia. A proprietária, Brenda Nath da Silva, conta que a principal mudança aconteceu nas vendas, que passaram a ser em grande parte virtuais. “As vendas on-line estão maiores do que as presenciais, então a expectativa é boa. Esperamos vender mais do que no ano passado”.

Outra mudança que a empresária relata ter acontecido é na forma de pagamento, principalmente após a chegada do Pix – novo meio de pagamento eletrônico lançado pelo Banco Central que passou a funcionar em novembro de 2020. “Com a chegada do Pix o cliente tem preferido pagar antes e vir na loja somente retirar o produto, isso também facilitou”, relata Brenda.

Brenda Nath da Silva, proprietária da doceria Nath Natah, mostra os produtos da loja

Atendente da doceria Nath Nath, Angélica Silva conta que no ano passado o principal impacto da pandemia nas vendas foi o fato de o comércio não poder abrir no período de Páscoa. “Mesmo tendo a possibilidade de vender on-line, esse ainda não era um hábito da maioria das pessoas no ano passado, então nesse sentido impactou bastante nas vendas”, relata.

Angélica conta que os produtos que mais têm tido saída para a Páscoa neste ano são os ovos de colher. “Ovo de colher é o que tem saído mais, o carro chefe é o Ninho com Nutella e o Brigadeiro com MM’s”, conta. Com relação aos preços, a atendente relata que não tem sido a principal preocupação dos consumidores, que têm optado pelos produtos de seu gosto pessoal, independente do valor.

Ovos de colher gourmets têm se destacado

Oportunidade para pequenos negócios

Desde janeiro de 2015, Ritchelli Branco passou a encarar a produção de doces como um negócio. Rity, como é conhecida, trabalhava como subgerente em um comércio da cidade. Após se ver muito sobrecarregada com o trabalho, ela resolveu pedir demissão e decidiu apostar no seu negócio próprio, a Brigaderia Valentina.

Rity conta que sempre fazia os doces para os aniversários da filha mais velha, Valentina, que inspirou nome do negócio. “Todo mundo sempre gostava e elogiava, mas nunca tinha pensado em fazer pra vender”, conta a empresária. Após ficar sem ocupação, Rity conta que passou a buscar alternativas para complementar a renda em casa, foi aí que surgiu a ideia de apostar nos doces. “Uma prima do meu marido postou no Facebook que procurava alguém pra fazer brigadeiro, aí eu chamei ela e disse que fazia. Então eu fiz e ela gostou, a partir daí comecei a estudar e testar outros sabores e assim foi indo, o pessoal foi indicando e fui crescendo”, conta.

Em um cantinho de sua casa, no bairro Industrial, Rity prepara os doces para a Páscoa

Já estabelecida com seu negócio no ramo dos doces, Rity enxergou na Páscoa uma oportunidade de aumentar as vendas. A primeira vez que passou a fazer os ovos de Páscoa artesanais foi em 2017, já no primeiro ano foram cerca de 10 unidades vendidas. Mas nos anos seguinte as vendas superaram a expectativa da empresária, que chegou a vender mais de 60 ovos no ano passado. “Dos anos que estou fazendo a Páscoa, o ano passado foi o melhor e esse ano a expectativa é superar”, afirma Rity.
A empresária lembra que por conta da pandemia havia muita incerteza no ano passado com relação às vendas da Páscoa, e que pensou inclusive em não fazer os ovos. “Foi uma surpresa o ano passado, porque tinha muita incerteza com relação a data, mas o pessoal começou a procurar e as vendas foram só aumentando”.

Sobre a pandemia, Rity conta que não aconteceram muitas mudanças no modo de vender. Desde o início do negócio as redes sociais foram o forte das encomendas, por isso ela acredita que seu negócio não tenha sido muito afetado. “Os meus pedidos sempre foram pela internet, desde que eu comecei a trabalhar acho que não foi 10% dos pedidos presenciais, a maioria é pela internet, porque é mais prático. Então agora pra mim não mudou quase nada, porque o presencial já não é mais necessário”, afirma Rity.

A maior mudança notada pela empresária foi nas vendas de doces, que por conta das restrições impostas pela pandemia passaram a ser vendidos em menor quantidade. “O pessoal ainda faz as suas comemorações, mas muito mais íntima. Antigamente o pessoal fazia festas para 80 pessoas, hoje em dia é para no máximo 10”, conta Rity.

Com o negócio evoluindo cada dia mais, Rity já tem planos para o futuro. “A gente sempre quer crescer, penso em futuramente ter uma lojinha, poder aumentar a produção, mas tudo tem que ser planejado”, afirma. A empresária também pretende se qualificar antes de dar o próximo passo no negócio. “Eu vou estudar mais pra poder me profissionalizar e adicionar mais coisas também no meu catálogo de produtos. Isso são planos, ideias a gente sempre vai tendo”, destaca Rity.

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