Atuais membros do Rotary Montenegro: Paulo Rodrigo Prestes Moraes, Francisco José Camargo Nessy, Carlos Alberto Medeiros, Maglia Maria Freitas da Rosa, José da Costa Nessy, Iolanda Azeredo Hofstätter, Perpétuo Nariense de Lemos, Carlos Frederico Hofstätter, Carlos Guilherme Quentel e Nestor Tenn-Pass. Gilnei Gularte Freitas e Silvana Braga Maricato completam o grupo de doze integrantes. Entidade foi homenageada pelos 70 anos em sessão solene da Câmara de Vereadores nessa quinta-feira, 12

Ações da entidade marcaram história e a vida de muitas pessoas com necessidades

“Rotary Club Montenegro entrega R$ 19 mil em doações ao Hospital”, “Rotary entrega kits de material escolar para alunos”, “Rotary Club entrega climatizadores ao HM”. Essas são só algumas das manchetes mais recentes, registradas nos arquivos do Jornal Ibiá, que mostram as ações e a relevância deste clube de serviço que, neste ano, completa 70 anos de história em Montenegro. As iniciativas em prol de quem mais necessita, é claro, foram muitas outras ao longo dessas sete décadas; e os voluntários que, atualmente, seguem dando força ao movimento demonstram que têm fôlego para muitas mais.

“Eu acredito que tu tenha que ser um alvo de iluminação para as pessoas. Eu já me aposentei, poderia muito bem ficar em casa, bem faceira, sem fazer nada, mas resolvi fazer este trabalho voluntário porque eu sei que outras pessoas necessitam”, resume a atual presidente da entidade, a rotariana Maglia Maria Freitas da Rosa. “É claro que nós gostaríamos de ajudar ainda mais pessoas, mas quando tu faz um pouco por alguém, já é uma luz no fim do túnel para essa pessoa. É isso que me move.”

Nas palavras de Maglia, ressoam as frases ditas por Oscar Dietrich em seu discurso de posse no longínquo ano de 1952 quando, ao lado de um grupo de empresários e profissionais liberais preocupados com a comunidade, ele fundou e tornou-se o primeiro presidente do Rotary Club de Montenegro. Traz o registro histórico que ele falou para um Clube Riograndense cheio: “Companheiros de Montenegro, não nos detenhamos. Nosso objetivo sincero é o de prosseguir; prosseguir unidos e sempre em razão do maior dos ideias: o de bem servir. E quando as agruras do caminho nos tolher os passos, lancemos, ainda que nesse trecho, a boa semente. Talvez um dia, outros que ali passarem nos tragam a notícia de que aquele solo floresceu. Então, nossa maior recompensa será a da alegria íntima, sem alarde, mas que, por isso mesmo, mais nos aproximará do supremo bem.”

Montenegro, evidentemente, era muito diferente naquela época. Um exemplo é que algumas das delegações dos rotarys de Santa Maria, Porto Alegre, do padrinho São Leopoldo e outros tiveram que atravessar o Rio Caí de balsa para prestigiar a fundação do clube montenegrino. A necessidade de assistência social da comunidade também era muito menor na década de 50. “Boa parte da população eram operários que trabalhavam na Tanac ou no Frigorífico Renner. Eram pessoas de classe média baixa, mas não tínhamos a necessidade que nós temos hoje”, relata o rotariano Carlos Guilherme Quentel.

O desafio abraçado por Oscar Dietrich e os companheiros, assim, só foi aumentando. Mas a boa vontade dos centenas de rotarianos que passaram pelo Rotary Club Montenegro nos anos que se seguiram consolidaram a entidade. Ela deixou e segue deixando a sua marca na história do Município e também na vida de milhares de pessoas.

História da entidade é feita por pessoas dedicadas a ajudar o próximo
A história do Rotary Club e a do desenvolvimento de Montenegro estão tão entrelaçadas nesses 70 anos que muitos dos que passaram pela entidade são figuras marcantes; hoje nomes de ruas ou de escolas pelo Município. Dentre eles estão Júlio Renner, Ernesto Popp, Paulo Ribeiro Campos – pessoas que muito fizeram pela cidade e que, através do clube, realizaram várias ações.

Busto de Francisco Luiz Aigner no Centenário

E são diversos outros nomes que entram nessa lista. Dentre eles, o de Francisco Luiz Aigner, que era parte do grupo fundador e foi presidente do clube em 1958 e 1996. Um dos diretores da empresa Hädrich, Aigner presidiu a Associação Comercial, Industrial e de Serviços, a ACI, entre 1961 e 1962; e foi presidente da comissão organizadora dos festejos dos 100 anos de Montenegro, em 1973. É um dos idealizadores do Parque Centenário e é seu o busto que, por iniciativa do Rotary, adorna o parque, logo em sua entrada.

Atualmente, o clube de serviço local conta com doze membros: a presidente Maglia Maria Freitas da Rosa; o vice-presidente, Perpétuo Nariense de Lemos; e os rotarianos Carlos Alberto Medeiros, Carlos Frederico Hofstätter, Carlos Guilherme Quentel, Francisco José Camargo Nessy, Gilnei Gularte Freitas, Iolanda Azeredo Hofstätter, Paulo Rodrigo Prestes Moraes e Silvana Braga Maricato. Completam o time José da Costa Nessy que, aos 94 anos de idade, é o mais velho do grupo; e não perde uma reunião. Também, Nestor Tenn-Pass que, dentre os atuais integrantes, é o que há mais tempo integra o Rotary Club Montenegro.

“Isso aqui é uma terapia”, define Tenn-Pass. “Eu ingressei em 1976. Na época, eu tinha vindo de São Paulo para trabalhar na Antarctica, em Montenegro. O Francisco Aigner era diretor na Antarctica e o doutor Matana (Ubirajara Resende Mattana, outra importante figura da entidade) era o médico lá. Foi o doutor que me chamou para uma reunião. Elas ocorriam na Tanac. Eu participei, passou um tempo e me convidaram para entrar no clube.” Além da oportunidade de fazer o bem, a entidade virou canal para que a família vinda de São Paulo se inserisse na comunidade montenegrina. “O Rotary aproxima as pessoas. É um companheirismo saudável, onde tu faz o bem para os outros e isso te gratifica. Tu acaba criando uma raiz, um vínculo com essas pessoas”, sublinha o rotariano, hoje com 74 anos de idade.

Atividades, como a tradicional sopa de ervilha, são postas em prática com alegria

São muitas as ações do Rotary em prol da comunidade montenegrina
Com o lema de “fazer o bem sem olhar a quem”, o Rotary Club de Montenegro construiu as suas sete décadas de história através do empenho revertido em ações em prol da comunidade. São várias iniciativas, impossíveis de serem enumeradas por completo, mas algumas são bem marcantes. Os atuais membros contam, por exemplo, que foi por intermédio da entidade, lá na década de 50, que foi instalada a primeira sinaleira de Montenegro. Foi na “esquina dos bancos”, entre as ruas Ramiro Barcelos e José Luis.

Por muitos anos, o clube de serviços teve ligação com a Sociedade Abrigo Pão dos Pobres (o “Recanto das Vovós”), ajudando com donativos e, inclusive, em parte da construção de sua sede. Foi essencial o papel do Rotary, também, na construção da ala materno-infantil do Hospital Montenegro, obra possível através de parceria com um clube Rotary do Canadá que ajudou no envio de recursos. Somado à campanha de “padrinho de quartos” da entidade local, o montante de 130 mil dólares foi arrecadado para tirar esse importante projeto do papel.

Dentre as ações, destacam-se, ainda, as ações de combate à Paralisia Infantil, a participação na construção da capela mortuária da Vila Esperança; no prédio da hidroterapia da Apae; nas reformas das creches dos bairros Cinco de Maio e Panorama; na construção do novo pavilhão do Abrigo Menino Jesus de Praga; na doação da louça sanitária da Fazenda Recreo; no envio de estudantes para intercâmbios no exterior; dentre inúmeras ações de doações de roupas, alimentos, materiais escolares e outros itens.

Mais recentemente, o Rotary contribuiu com a doação de um andador com marchas para a menina Isis, montenegrina de cinco anos de idade com quadro de Paralisia Cerebral Tetraparética. O grupo também auxiliou o menino Bernardo, criança que sobreviveu a acidente de trânsito na ERS-124 no ano passado e recebeu um capacete ortopédico que precisava para poder retornar à escolinha.

Outra iniciativa recente do clube foi o auxílio às famílias venezuelanas refugiadas, vindas para Montenegro através da “Operação Acolhida”, força tarefa logística humanitária liderada pelas Forças Armadas, composta por agências da ONU, órgãos federais e organizações da sociedade. Empregados através do programa, os refugiados precisaram de acolhimento, com doação de roupas, agasalhos e utensílios domésticos que foram organizadas pelo Rotary. Foram quase cem famílias atendidas.

Rotary atuou, recentemente, no acolhimento às famílias venezuelanas

O Rotary que abraça também é abraçado
Além da dedicação dos rotarianos voluntários, todas as ações realizadas nos 70 anos de entidade foram possíveis graças à participação da comunidade nas campanhas realizadas pelo clube de serviço. Com pedágios solidários e rifas, o Rotary Club Montenegro também marcou história com a realização de icônicos eventos solidários, cujos lucros foram revertidos a quem mais precisa. “Todo o valor que a gente retira da sociedade, nós devolvemos para a sociedade”, garante o atual vice-presidente, Perpétuo Nariense de Lemos.

Dentre os eventos realizados, esteve o “Rotary Fest”; o “Baile das Luluzinhas”; o “Jantar dos Namorados”; a tradicional sopa de ervilha, que já soma 25 edições; os galetos; e a atual “Noite dos Queijos e Vinhos”, que é realizada em parceria com o Grupo Imec. Foi com a rede de supermercados, também, que o Rotary arrecadou recentemente 1.560 peças de roupa, cuja quantidade foi equiparada, pela empresa, com doação de alimentos não perecíveis. Outras organizações, como a Agrogen, a Vibra e o Asun são parcerias da entidade, que costumam abraçar as iniciativas. Além delas, através da Fundação Rotariana, também são enviados recursos para custear projetos do clube.

Eventos promovidos pela entidade, como o “Baile das Luluzinhas”, marcaram época. Fotos: Divulgação

Objetivo inicial da entidade era congregar pessoas
O Rotary Club de Montenegro faz parte de um movimento internacional, que nasceu em fevereiro de 1905 por iniciativa do advogado Paul Harris e mais três amigos na cidade norte-americana de Chicago. Antes de ter o viés de ajuda comunitária, a entidade nasceu com o intuito de unir pessoas. “O fundador do Rotary trabalhou como caixeiro viajante e ele se sentia isolado quando viajava para outras cidades. Foi daí que surgiu a ideia de fundar uma entidade que congregasse as pessoas”, explica o rotariano Carlos Guilherme Quentel. “Era para chegar num lugar novo e saber que tinha uma pessoa para contar e conversar.”

Membro mais velho do clube, seu José da Costa Nessy tem 94 anos

O conceito se difundiu rapidamente. Tanto que, menos de 47 anos depois da criação, ele já tinha chegado à pacata Montenegro. Hoje, são mais de 35 mil clubes pelo planeta; e mais de 1,2 milhão de rotarianos. “O Rotary é a maior ONG do mundo e é reconhecido pela ONU, inclusive”, destaca o vice-presidente do clube local, Perpétuo Nariense de Lemos. E mesmo com toda a evolução, o objetivo inicial do fundador, Paul Harris, segue firme entre os participantes. Há um companheirismo, uma irmandade, compartilhada entre todos os membros.

“Existe o contato entre os clubes”, relata o rotariano Francisco José Camargo Nessy. “A gente procura um clube de Rotary sempre quando vai em outra cidade. E até, por protocolo, quando a gente se ausenta da cidade onde a gente frequenta a reunião do clube, deve procurar o clube da cidade para onde vamos e participar da reunião.” Os encontros ordinários, nos rotarys mundo afora, são semanais; e têm duração de uma hora a uma hora e meia. No de Montenegro, eles acontecem nas terças-feiras, no Clube do Comércio, sempre às 20h. Como faz referência a roda rotária – um dos símbolos da entidade, com suas 24 pontas – é uma certeza que em qualquer hora do dia, em algum lugar do mundo, ao menos um clube de Rotary esteja reunido.

A roda rotária é o principal símbolo do Rotary no mundo todo. Em Montenegro, marca a presença da entidade aos companheiros nas duas principais entradas da cidade: no acesso à Avenida Júlio Renner pela ERS-124; e na ERS-240, próximo da rótula com a RSC-287, a BR-470 e a rua Buarque de Macedo

Entidade foi homenageada por autoridades
A governadora entrante do distrito ao qual o Rotary Club Montenegro faz parte, Denise Pastori, prestou homenagem escrita à entidade pelo seu aniversário. “A cidade que possuiu um clube de Rotary é muito especial. Isso, porque demonstra o valor da sua gente, a solidariedade como perfil e o apoio que sempre encontra entre esse grupo de pessoas de bom coração, sempre dispostas a servir”, destacou.

Através de correspondência, o prefeito Gustavo Zanatta também homenageou o grupo. “O Rotary une voluntários para ajudar pessoas e grupos em dificuldades e promove valores éticos e a paz. Em sua história, liderou incontáveis ações de combate a doenças, apoio à educação e promoção da cidadania. Tudo isso torna o clube um parceiro natural e fiel do poder público. Afinal, nossos objetivos são os mesmos e, dando as mãos, conquistamos resultados verdadeiros e duradouros”, trouxe. “Queremos dar os parabéns a todos aqueles que, ao longo dos anos, dignificam uma instituição tão necessária para Montenegro; e agradecer por abraçarem a nossa comunidade.”

Por iniciativa do vereador Paulo Azeredo, a Câmara de Vereadores promoveu uma sessão solene no fim da tarde dessa quinta-feira, 12 de maio, para também homenagear a entidade. A atividade contou com apresentação artística e discursos que exaltaram a história e a importância do grupo para o desenvolvimento de Montenegro.

Como participar
O ingresso no Rotary se dá por meio de convite. Informações podem ser buscadas pelos telefones (51) 997931281, com Iolanda, e (51) 999853928, com Nestor. Ou através do email [email protected]

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