Parte do lixo que foi queimado ainda se encontra na área ocupada pelos indígenas

Índios dizem não serem os responsáveis por colocar fogo nos resíduos

Na última semana chamou à atenção a grande quantidade de fumaça que saiu da área ocupada pelos índios Kaingang no bairro Centenário, em Montenegro. Diversos moradores do bairro e frequentadores do Parque Centenário foram às redes sociais manifestar o descontentamento com a fumaça e o cheiro gerado a partir da queima dos resíduos.

O presidente do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Condema), Rafael Altenhofen, destaca que de acordo com o Código Municipal de Meio Ambiente de Montenegro, instituído através da Lei nº 4.293/2005, é proibida a queima ao ar livre de resíduos sólidos domésticos, resíduos tóxicos ou líquidos, exceto, mediante a autorização prévia da secretaria de meio ambiente. Assim como a queima de borracha, de resíduos de couro, plásticos e de assemelhados em qualquer logradouro do município. “A lei proíbe a queima desses materiais devido à toxicidade dos gases emitidos nesse processo e os consequentes danos à população em respirá-los. Há coleta regular de resíduos que passa nas duas ruas da esquina em que os índios estão. Não há justificativa plausível. Muito menos a cultural”, afirma Altenhofen.

Conforme o presidente do Condema, pelo que se pode perceber, a fumaça foi gerada a partir da queima de resíduos sólidos, incluído plástico. “Fundamentado na coloração e no forte cheiro característico de resíduos plásticos, é possível afirmar que não era lenha e que há grande probabilidade de que contivesse resíduos plásticos na composição”, afirma.

Índios afirmam que usam os dois contêineres disponibilizados pela Prefeitura para o descarte dos resíduos

Índios dizem não serem os responsáveis pela fumaça
O vice-cacique dos índios Kaingang, Lucas Nascimento, confirma que a fumaça gerada na última quinta-feira na área ocupada pelo grupo foi da queima de lixo. No entanto, ele afirma que o fogo não foi colocado pelo grupo de indígenas, mas sim por um vizinho que queimou os resíduos que são constantemente descartados na área onde o grupo está instalado. “Os caras trazem lixo colocam tudo ali e queimam, como a gente vai falar alguma coisa pra eles?”, questiona.

De acordo com Nascimento, algumas pessoas usam o local para descarte de lixo. Ele conta que quando o grupo ocupou a área, ali estava tomado pelo lixo e era usado por muitos moradores como lugar de descarte. “Quando chegamos aqui limpamos toda essa área que estava com muito lixo, agora está tudo limpo”, destaca.

O vice-cacique afirma que na última quinta-feira, quando o grupo percebeu que o fogo estava gerando muita fumaça, jogaram água para apagar. “Nós temos um lixo ali e outro lá em cima, que usamos para colocar o lixo, não queimamos”.

Questionado, o secretario Municipal do Meio Ambiente, José Clébio Ribeiro da Silva, disse não ter conhecimento da versão apresentada pelos índios. “É muito estranho que alguém entrasse lá dentro. Temos conhecimento de alguns focos onde eles queimam pequenas porções de madeiras”, destaca Silva.

Segundo o secretário, a pasta irá notificar a Funai e o Estado, assim como também irá estudar a origem da fumaça. “Não vejo outra alternativa neste momento, multar o cacique não vejo como alternativa ambiental”, afirma.

Situação segue indefinida
O vice-cacique Lucas Nascimento confirmou à reportagem que na última semana o grupo esteve reunido com o Ministério Público Federal e o governo do Estado para tratar da situação em Montenegro. Segundo ele, não houve avanço com relação à permanência ou não do grupo na área do bairro Centenário, mas o Estado ficou responsável por buscar uma solução o mais breve possível. “Colocamos pra eles que o nosso interesse é ficar aqui, mas tudo depende do Estado”, afirma.

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