Gustavo Froes utiliza a luz de um comércio e da sua residência para os seus food trucks

Eles acreditam que Administração e RGE poderiam facilitar processo burocrático

Ao longo dos últimos anos o número de food trucks tem crescido no Brasil, e em Montenegro a tendência também é vista. Apesar da facilidade em ir e vir, os proprietários dependem de uma questão básica para colocar seu empreendimento na ativa: pontos de energia. Esse é um problema que tem gerado transtornos a diversos proprietários no município.

Desde 2019, Gustavo Froes empreende em Montenegro. Com o seu food truck, ele vende lanches e bebidas diariamente, e apesar das tentativas ainda não conseguiu um ponto de energia. “Tu liga pra RGE e passam pra Prefeitura, a Prefeitura passa pra RGE. Eu teria que tentar com os dois, por que tem que passar pela Prefeitura, porque a RGE precisa de um número, mas é uma praça pública, como tu vai ter um endereço? E a Prefeitura teria que autorizar”, diz ele, que tem um de seus food trucks localizados na Praça Rui Barbosa.

Segundo Froes, para colocar seu empreendimento em funcionamento no local precisa utilizar a luz de um comércio próximo, que é pago posteriormente por ele. “Nós já tentamos de tudo para pegar um ponto, e todas as praças têm relógio, têm tomada de luz; mas em função de burocracia a Prefeitura não cede”, fala.

Ele ressalta que o ponto de energia é essencial para que consigam trabalhar. “Se tu não tiver um ponto de luz tu não trabalha, infelizmente é assim que funciona, só que quantos empregos a gente gera?”, indaga. No seu outro food truck Gustavo utiliza a energia da sua residência.

Leonardo Junges, também proprietário de food truck, teve que realizar uma parceria para conseguir energia. “Não tenho (ponto) da RGE, já até adiantei na Prefeitura algumas coisas, mas lá está bem moroso, complicado”, declara.

Buscando outra solução, Junges está projetando a instalação de um transformador de eletricidade. “Logo logo eu pretendo ser autossuficiente nessa questão da energia”, antecipa. Há mais de um ano aguardando a autorização do Executivo, ele questiona por que poucos proprietários foram agraciados até o momento.

Há três anos com o seu food truck, Claudete Rodrigues Schvantes, também utiliza luz do comércio para poder trabalhar. Segundo ela, se houvesse um ponto próximo disponível iria facilitar muito o seu trabalho.

O que diz a RGE?
Em contato com a RGE, a empresa informou que para esses casos, a pessoa interessada deve fazer a solicitação de ligação junto à distribuidora. Para execução do serviço, o consumidor precisa de uma autorização da Prefeitura, pois a medição será instalada em local público. “Esses casos são regulamentados pelas normas técnicas do ‘GED – 18334 – Padrão de entrada para atendimentos de clientes BT em áreas de uso comum’, que pode ser acessado pelo site do Grupo CPFL”, declara em nota.

Para solicitar a ligação, o interessado deve entrar em contato com a RGE pelos canais de atendimento: 51 999550002 (WhatsApp), www.rge-rs.com.br; App CPFL Energia (disponível para Android e iOS com navegação gratuita) ou via Call Center: 0800 970 090. A reportagem questionou o número de pontos de energia na cidade e quantos estariam em funcionamento, além de indagar como a empresa vem tratando esse tema. Porém não foram dadas respostas.

Prefeitura não incentiva pontos
Contatada através da Assessoria de Comunicação, a Administração Municipal declara que concluiu, após avaliar melhor o tema, que “o papel do poder público é valorizar e estimular o comércio estabelecido, aquele que paga impostos e gera empregos”. Além disso, cita que os food trucks, por vezes, constituem uma concorrência desleal aos outros estabelecimentos. “Porque sem os custos fixos de aluguel, água e luz e nem os encargos de uma equipe registrada, podem praticar valores muito menores, prejudicando bares e restaurantes”.

O Executivo ainda relata que apesar de ser, como natureza, um comércio ambulante, grande parte dos food trucks ficam estacionados no mesmo local por várias horas. “Ao estabelecer pontos de ligação de energia elétrica, o Município estaria incentivando a permanência deles nestes lugares, em detrimento da circulação”, conclui.

Além disso, o Executivo informa que ao instalar pontos de ligação, seria necessário criar um mecanismo de controle sobre o consumo de energia e assegurar o rateio do custo entre os usuários. Isso demandaria uma certa organização dos operadores desse tipo de comércio, que hoje não existe. “A Secretaria Municipal de Indústria, Comércio e Turismo, porém, não descarta e criação de um espaço específico para a atividade dos food trucks no futuro, mas apartado dos demais comerciantes de gêneros alimentícios”, completa.

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