Professor (à esquerda) e estudante entregaram o projeto acadêmico ao prefeito ainda no fim do ano passado. Foi o início das tratativas para que o Município assumisse a construção das duas rótulas na rodovia estadual. Fotos: arquivo JORNAL IBIÁ

Fabiano da Silva Jorge veio à público após repercussão do custo previsto para a obra, que mais que dobrou

Professor do curso de Engenharia Civil na área de infraestrutura de transportes na Unisinos, Fabiano da Silva Jorge emitiu uma nota de esclarecimento sobre a iniciativa da Prefeitura de Montenegro para construção das rótulas na RSC-287. Ele é orientador do trabalho de conclusão da estudante Nicole Streit, que elaborou um projeto de travessia e o entregou ao prefeito Gustavo Zanatta ainda no fim do ano passado. Com um custo de execução estimado em R$ 2,3 milhões, foi este trabalho que deu início às tratativas com a EGR e o Estado para as intervenções do Município na rodovia estadual.
Mas após a autorização, Zanatta enviou à Câmara pedido de abertura de crédito e o valor previsto mais que dobrou. Foi para R$ 6 milhões; prevendo executar um projeto já existente da EGR, com adaptações que seriam das sugestões da estudante. A repercussão motivou a manifestação do especialista.

“Queremos deixar claro que o ‘projeto da EGR com adaptações’ não representa em momento algum o projeto que entregamos, seja em questões técnicas ou econômicas, o que não torna o projeto aprovado para execução um excludente do nosso ponto de vista, mas apenas nos enseja a esclarecer à nossa comunidade os fatos a fim de preservar a imagem e credibilidade dos envolvidos num projeto aguardado por tantos anos”, coloca a nota. Jorge, que também é engenheiro civil, especialista em gerenciamento de projetos, mestre em engenharia com ênfase em Infraestrutura e Meio Ambiente e especialista rodoviário no Daer, pontua que não está contestando o projeto e o orçamento aprovados pelo governo municipal; mas destaca que a proposta de sua aluna seria, sim, executável e ainda com o custo original.

“O projeto apresentado e entregue à Prefeitura atendia a todos os requisitos de traçado e segurança viária. O projeto previa adequações suficientes para reorganizar o fluxo viário, além de potencializar a segurança dos pedestres em travessias mais seguras. O projeto foi pensado em atender tecnicamente as Normas Rodoviárias e ser exequível no ponto de vista econômico”, lista o orientador, destacando como motivação ao esclarecimento o respeito às comunidades dos bairros Santo Antônio e Panorama, à universidade e à estudante. A notícia de que seria o projeto acadêmico o executado tinha repercutido, inclusive, fora de Montenegro.

Jorge aponta que a estimativa de R$ 2,3 milhões da proposta trazia valores atualizados a setembro de 2020 e, na nota, apresenta nova atualização para janeiro de 2021, com um custo estimado até menor, de R$ 2,2 milhões para a execução das duas rótulas. Ambos orçamentos previam que os ligantes e a sinalização viária ficassem por conta do Estado, mas o professor explica que, mesmo passando ao Município, as intervenções não elevariam o custo para mais de R$ 3 milhões. Os valores estimativos têm base na tabela SICRO/DNIT e, assim como os índices de reajuste, foram obtidos junto ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes.

Projeto executado será o da EGR
Apesar de, no início das tratativas, a obra ter sido anunciada como a execução do projeto da estudante Nicole Streit, o diretor da EGR (Empresa Gaúcha de Rodovias, que é responsável pelo trecho montenegrino da RSC-287), Urbano Schmitt, já havia esclarecido que não era bem isso.

Na cerimônia que oficializou a autorização para que a Prefeitura fizesse as rótulas, ele explicou que o projeto que se estava autorizando era uma etapa do já existente – feito pelo órgão com investimento do Município no governo passado; e que prevê intervenções em vários pontos da rodovia, com um custo total, para todas as fases, avaliado em R$ 20 milhões. Schmitt apontou, porém, que foram aceitas “sugestões” da municipalidade, que seriam as do projeto da estudante, “principalmente na parte de faixa de pedestres e outras alterações que foram propostas e nós acatamos.”

Quando da divulgação do valor previsto de R$ 6 milhões, a Prefeitura colocou que o reajuste se devia a alterações propostas pela EGR e também pela alta nos valores dos materiais para a obra. Mas a reportagem procurou a Administração Municipal sobre a nota do professor Fabiano da Silva Jorge. “O trabalho da Nicole é muito interessante, mas ele não contempla todas as intervenções necessárias naquele trecho”, respondeu o prefeito Gustavo Zanatta nessa terça-feira, 16. “Além disso, o projeto ‘da EGR’ foi pago com recursos da Prefeitura de Montenegro e não pode ser descartado, pois isso representaria desperdício de verbas públicas”.

De acordo com o secretário municipal de Gestão e Planejamento, Fabrício Coitinho, no que diz respeito aos orçamentos, a proposta apresentada pela estudante tem um custo menor por não prever obras e serviços que estão elencados no projeto original da EGR. Ele cita como exemplos toda a sinalização vertical, obras de drenagem e a recuperação de uma galeria danificada.

O mais importante do projeto que será usado, ele destaca, é a extensão das vias laterais à RSC 287. De um lado, a pista paralela hoje vai do Posto Ipiranga até a Rua João Pessoa. “O projeto a ser executado vai estendê-la até a altura da Rua Apolinário de Moraes”, explica Fabrício. Já do outro lado da rodovia, a via lateral termina no cruzamento com a Coronel Antônio Inácio, mas será estendida também até a Apolinário. “Todas estas ações, somadas ao aumento dos insumos da construção civil, tornam o valor muito mais alto do que previsto no TCC da estudante”, conclui. Zanatta salientou ser muito grato à Nicole pelas sugestões.

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