Após as chuvas, quando a água desce, rua e calçadas ficam tomados pelo barro. Problema começou em 2009

Problema no local segue, mesmo após as intervenções do ano passado

Agosto de 2018. Enquanto a Prefeitura trabalhava em intervenções em um trecho da rua Osvaldo Aranha para solucionar o problema dos alagamentos no local, que ocorriam há anos, o Ibiá promoveu uma pesquisa em suas redes sociais. Questionamos no Instagram e no Facebook se os leitores achavam que a questão, enfim, seria resolvida. 92% disseram não crer no resultado da intervenção.

Infelizmente, estavam certos. Na chuvarada recente do final de semana do dia 27, o trecho, que fica no bairro Olaria, virou uma verdadeira lagoa. E igualzinho ao que acontecia antes das obras de 2018, foi a água baixar e a rua e as calçadas ficaram tomadas pelo barro.

Buraco da caixa foi deixado
aberto após as intervenções.
O entupimento do cano de concreto é visível

A reportagem questionou a Prefeitura. Como resposta, recebeu da Assessoria de Comunicação que o trabalho feito em 2018, na verdade, não foi para resolver os alagamentos. “Foi feita uma troca de canos danificados”, informou o texto, atribuído ao diretor de Serviços Urbanos, Thiago Pinheiro.

É uma contradição direta ao que a própria Prefeitura anunciou enquanto fazia os trabalhos. Em postagem feita em 15 de agosto, e que ainda está no ar, uma nota indicava o trabalho da instalação de tubos e caixas, com a limpeza das galerias da rede pluvial e de esgoto. “As manutenções e reparos realizados no local, que sofre com frequentes alagamentos, atendem uma demanda de anos da comunidade”, exaltava o texto.

Quem mora na Osvaldo Aranha conta que o alagamento mais recente não foi o único entre a data da obra e hoje. Na verdade, nunca houve resolução. “Depende da chuva, mas quando chove muito, não dá pra sair de casa”, relata a auxiliar de loja Luana Lima. “Alaga tudo e aí fica esse barral. A gente limpa a casa, mas sai na rua, volta e está tudo sujo de novo.”

Loteamento dos brigadianos
O transtorno dos moradores teve início quando iniciaram as obras no Residencial Abamf, popularmente conhecido como o Loteamento dos Brigadianos. Ele fica no topo da lomba, paralelo à Osvaldo Aranha e entre as ruas Albano Coelho de Souza e Delfina Dias Ferraz. Em 2009 foi feita a terraplenagem e, desde então, o problema ocorre.

Restos da obra do ano passado foram deixados no local. Prefeitura não fala na retirada do material

Segundo a Prefeitura – em posicionamento dado no ano passado ao jornal – o projeto do loteamento não previu a instalação de contenções que barrassem que a terra e o barro do solo mexido descesse lomba abaixo. Isso aconteceu já nas primeiras chuvas, entupiu os bueiros da Osvaldo Aranha e passou a causar os alagamentos. O barro que fica, hoje, quando a água baixa, é proveniente da obra e também das galerias, ainda cheias do material.

No ano passado, a Administração notificou a empresa responsável pelo projeto. Foi acordado que ela que custearia todas as intervenções necessárias. Seria, em tese, a obra que ocorreu. No e-mail desta semana, a Prefeitura informou que fez nova notificação, dizendo que até o barro na rua teria que ser limpo pela construtora. O Ibiá contatou a empresa, mas não recebeu resposta.

A promessa, agora, é de novo projeto
Ainda hoje, canos de concreto – inteiros e quebrados – seguem no trecho onde a obra foi realizada no segundo semestre do ano passado. Um comerciante local, que pediu para não ser identificado, mostra uma caixa da rede pluvial que ficou, até hoje, sem ser fechada. “Esses tempos, caiu um guri de bicicleta ali dentro”, contou. No buraco aberto, é perceptível a causa de todos os transtornos. O cano, lá, está quase totalmente entupido.

Após a recente chuvarada, o comerciante conta que foi realizado um trabalho de retirada do barro que estava acumulado pelas ruas. Ele não soube informar se a intervenção foi feita pela Prefeitura ou pela empresa responsável pelo Loteamento. O material retirado, no entanto, foi deixado sobre a calçada, logo no pé da lomba. Basta uma nova chuva para que ele volte a descer.

O sentimento é de indignação. Muitos dos moradores já levantaram o nível de suas casas. Outros construíram barreiras para evitar que a água entre. O convívio com o barro e o pó é outro agravante. Na nota desta semana, a Prefeitura diz que, agora sim, desenvolve um projeto para solucionar o problema dos alagamentos. A promessa pouco anima.

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