Incubadora fica na rua Alfredo Hoffmann, esquina com o prolongamento da rua La Salle, no Municipal. FOTOS: REGISTROS FEITOS PELA SMIC

ÚLTIMA empresa a utilizar a iniciativa deixou o local em 2018. Não houve novos contemplados

Talvez muitos montenegrinos não saibam – outros tantos não lembram –, mas Montenegro tem uma Incubadora Empresarial. É um prédio, aberto com esse fim lá em 2002, no bairro Municipal, onde micro e pequenas empresas industriais tinham espaço para iniciar suas atividades e, após determinado período, saírem bem organizadas para expandir seus negócios.

Na prática, porém, quem tirar um tempo para conhecer a edificação hoje vai encontrá-la em estado de abandono. Uma das quatro salas vem sendo usada de depósito para o Cras, que fica ao lado. Junto às outras, há problemas no telhado; e, após arrombamentos, a fiação elétrica foi praticamente toda arrancada e sobraram só os suportes das lâmpadas. Desde 2018, não há nenhuma empresa incentivada pelo projeto.

A situação motivou uma reunião na Câmara de Vereadores, proposta pelo vereador Gustavo Oliveira (PP), em prol da retomada da iniciativa. “É um local nobre, estratégico e que pode ajudar muitos empreendedores do Município”, expôs o parlamentar. Ele reuniu, na última semana, representantes do governo municipal, com as secretarias de Planejamento, Obras e Indústria e Comércio; e também a ACI e o Sindilojas para debater a situação. Foi quando o estado atual do prédio acabou sendo revelado.

Para o empresário Edgar Diemer, que desde 2019 tenta habilitação para a Incubadora, a situação é lamentável. “Tu vê um lugar que poderia estar sendo utilizado para trazer benefícios para a cidade parado e, pior que parado, se deteriorando”, comentou. Ele trabalha com a fabricação de arranjos de flores para eventos e também de artefatos em madeira; hoje, junto à sua residência. A estrutura da Incubadora seria possibilidade de melhorar e ampliar os negócios.

A fiação foi toda furtada. Sobraram apenas os suportes das lâmpadas

FALTA DE CUIDADO
Para além dos problemas, o encontro promovido pelo Legislativo evidenciou algumas razões para o que ocorre com o prédio. Segundo o secretário de Indústria e Comércio (a Smic), Waldir Kleber, a última das salas que estava com um empreendedor teve a chave entregue neste ano, embora o negócio já tivesse sido desativado em meados de 2018. “Ele nos disse que não tinha mais interesse”, contou. O empresário, porém, deveria ter entregue o local nas condições de uso em que o recebeu; mas não foi o que ocorreu. Ele está sendo acionado, através da Procuradoria Geral, para reformar a sala.

Na avaliação do atual governo municipal, casos como esse, da última ocupação, explicam as condições em que se encontram a incubadora. A falta de cuidado e de manutenção ocasionaram a deterioração. “Faltou fiscalização, também”, avaliou a chefe do serviço de microcrédito da Smic, Jenifer Almeida. “Eles (os empresários contemplados) teriam a obrigação de ter um seguro contra intempéries e condições climáticas e isso também nunca aconteceu.” Ela relatou que, desde o início do ano, a pasta vem trabalhando na retomada da iniciativa.

Um dos módulos, ao invés de fomentar novos negócios, tinha virado depósito

Solução ao problema já está alinhada. Deve sair ainda em 2021
Como o Ibiá adiantou na última semana, o Governo Zanatta já alinhou a reforma do prédio da Incubadora Empresarial como contrapartida a incentivos oferecidos ao Grupo Imec; pela construção da nova unidade do Desco no bairro Timbaúva. Em troca da isenção de IPTU por dez anos e de um repasse financeiro de R$ 127 mil pelos serviços de terraplanagem e transporte de terras na obra, a empresa, além da geração de impostos e empregos, vai assumir a revitalização da Incubadora. A obra foi avaliada em R$ 82,9 mil. As tratativas estão sendo analisadas pela Câmara de Vereadores; e devem ser votadas já nesta quinta-feira, dia 16.

De acordo com o secretário de Obras da Prefeitura, Edson Eggers Machado, as equipes da pasta fizeram uma vistoria no prédio ainda em abril; para iniciar as negociações com o Imec. A própria empresa, então, elaborou um orçamento para a reforma; que é validado pelo Município dentro do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil. A meta da organização é executar a obra ainda dentro deste ano, aproveitando a mão de obra das equipes que já trabalham na construção da nova loja; que fica praticamente ao lado da Incubadora. Reforma feita, poderão sair os novos chamamentos aos empreendedores interessados.

Como deveria funcionar a Incubadora
A Incubadora Empresarial de Montenegro se enquadra num programa estadual de incubadoras empresariais. Seu regimento interno, feito no Governo Ivan Zimmer, determina o uso das quatro salas, de 54 metros quadrados cada, por micro e pequenas empresas com atividade de Indústria. A escolha é feita mediante edital de chamamento público; com os interessados sendo julgados por uma comissão do Município.

Num prazo de até quatro anos, os custos de água, luz e telefone ficam sob a responsabilidade da empresa. E há o pagamento mensal de um aluguel; que varia anualmente de acordo com a Unidade de Referência Municipal (URM). No primeiro ano, são 41 URM’s por mês (hoje, R$ 154,40). No segundo, 82 URM’s (R$ 308,81). No terceiro, 123 URM’s (R$ 463,23); e, no quarto, 164 URM’s (R$ 617,62).

O Governo Kadu Müller, no ano passado, chegou a enviar projeto pra Câmara para alterar as regras. Quis ampliar o rol de organizações contempláveis, para além das indústrias, também a MEI’s, associações, startups e empresas simples de crédito. O aluguel também seria reajustado; e a proposta da secretaria de Indústria e Comércio previa a oferta de oficinas e palestras para qualificar os novos empreendedores. No Legislativo, porém, o texto trancou especialmente por não trazer, bem definido, que tipo de associações estariam contempladas. Acabou terminando o mandato de Kadu Müller e ele foi arquivado em definitivo sem passar por votação.

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