Diretor de Fiscalização, Secretário de Obras e Posturas e vereador ouviram as queixas

Polêmica. Comunidade da Rua dos Imigrantes exige que a construção, já em andamento, não fique colada às casas

No final da semana passada, noticiamos que o problema no escoamento da água na construção de um condomínio no bairro Senai havia sido solucionado. Antes dos reparos, 15 terrenos que dão fundos ao pátio de obras acabaram alagados pela chuva que corria do residencial. A água chegou a entrar em algumas casas. Na sexta-feira, dia 2, no entanto, os moradores acordaram com um novo problema.

Moisés Camargo observa da janela que, com o muro feito, nem mais abrirá

A edificação do muro que fará divisa entre a Rua dos Imigrantes – onde ficam as casas atingidas – e o novo condomínio, foi iniciada, mas não como os moradores esperavam. Enquanto as fundações eram feitas, os residentes se deram conta de que o muro em questão ficará, em alguns trechos, colado à parede das casas. Tem gente que deve acabar sem janela e ventilação. Riscos estruturais também preocupam.

Moisés Camargo, por exemplo, mora na mesma casa que seus avós, mas tem suas peças separadas em um lar só seu. “Antes, falaram que o muro seria mais longe, teria até espaço para o cachorro aqui atrás”, conta. Com o início da obra, ele viu que não seria bem assim. Se o muro seguir como os planos, as janelas de sua sala, cozinha e quarto ficarão inutilizadas. A única que terá a possibilidade de ser aberta, por ser basculante, dará de cara com o paredão de tijolos.

Moradoras, como Lecir de Souza, se preocupam com os danos estruturais das casas. Sua lavanderia é uma peça recém-construída, porém já está cheia de rachaduras. “O piso está rachando. Parece que a casa está se soltando”, relata. O trabalho das máquinas nas obras faz tremer as paredes. “Eu já acordo, às 7h, com a minha casa toda chacoalhando.” Com o muro, ela acha que tudo deve piorar.

Obra ficou parcialmente parada
Enquanto observavam o que ocorria nos fundos de suas residências, os moradores contataram o vereador Talis Ferreira (PR), que, na época dos alagamentos, também foi até o local a fim de prestar ajuda. Nesta última sexta-feira, dia 2, Talis chamou o secretário municipal de Obras Públicas, Argus Oliveira Machado, e o diretor de fiscalização, Jackson Santos de Oliveira, para verificarem a situação.
Neste meio tempo, os trabalhos na fundação do muro foram paralisados.

Material colocado na fundação assustou moradores pela proximidade com as casas

Chegando ao local, os servidores da Prefeitura ouviram os moradores. Argus contou que esteve em contato com o engenheiro responsável pela obra, que afirmou que a construção obedecia ao alinhamento do projeto oficial aprovado e que não se poderia afastar o muro dos pátios das casas, visto que haveriam, assim, futuros problemas nas medidas dos apartamentos. O condomínio é parte do programa “Minha Casa, Minha Vida”.

O titular da pasta garantiu que o muro, depois de concluído, não apresentará risco de queda. Ele também conversou com o mestre de obras da construção. Dentre os moradores, a solicitação era ter “bom senso” e determinar o afastamento do muro por, pelo menos, 50 centímetros a mais. Com a negativa do engenheiro responsável, os trabalhos foram liberados para seguir.

Moradores querem embargar obra
Indignados diante da situação, os moradores decidiram buscar seus direitos na justiça. “Vamos tentar embargar a obra. A gente vai levar essa situação ao Ministério Público para que eles saibam o que está acontecendo”, afirmou o vereador Talis Ferreira, que orientou a comunidade a buscar alternativas. No dia 2, ainda pela manhã, os prejudicados se mobilizaram separando e copiando documentos para encaminhar o requerimento.

Cansada de esperar ressarcimento
Tendo a casa mais atingida pelo alagamento no início de janeiro, a cabeleireira Maxcidreia da Rosa ainda não pôde colocar seu lar em ordem. Passado um mês, as paredes que racharam, ocasionando a entrada da água, estão vedadas com panos e plásticos. Em dias de chuva, no entanto, ainda ocorrem “molhaçadas”. Nos cômodos, os móveis ainda estão erguidos para não serem mais avariados.

O engenheiro responsável pela obra, após o incidente da chuva, conversou com a cabeleireira e o companheiro, tomando nota dos estragos e prejuízos. Um ressarcimento foi prometido, mas, como contou o marido Sérgio Rodrigo de Oliveira na semana passada, nada efetivo foi feito. Cansada de esperar, Maxcidreia afirma que buscará seus direitos judicialmente. “Já passou um mês. O que seriam 50 tijolos pra eles? Só dizem que o papel está em andamento e não fazem nada”, desabafa. “Agora eu vou entrar na justiça.”

Obra traz contrapartida para a comunidade
Em contato direto com os moradores, o secretário de Obras Públicas, Argus Oliveira Machado, contou que, em contrapartida para a liberação do condomínio, parte do terreno foi doado à Prefeitura. Ali, de frente para a rua Juvenal Alves de Oliveira, um ginásio público municipal será construído. Argus afirma que já há verba para a construção e explica que a prática da doação se dá por uma lei estadual.

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