Ernesto Lauer observa que o Montenegro ainda sofre com as expectativas frustradas na época de instalação do Polo

Ex-vereador e promotor de Justiça, Ernesto Lauer realiza uma retrospectiva

Você sabia que Montenegro já recebeu o diploma de Município Mais Progressista do Brasil? Pois é, isso aconteceu há cerca de 60 anos, durante a administração do então prefeito Hélio Alves de Oliveira. Estimulado pelo Ibiá, o promotor de Justiça aposentado, Ernesto Lauer, faz uma viagem no tempo e relembra o período em que a cidade recebeu essa distinção, entregue pelo presidente da República, no final da década de 50.

Ele retrocede no tempo, até alguns anos antes da entrega do diploma, para ambientar o período. Lauer recorda que Hélio foi dos primeiros vereadores que assumiram com essa denominação. Até a Constituição de 1946, o Legislativo era chamado de Conselho. Como vereador, Hélio apresentou o projeto criando a Biblioteca Pública Municipal, que mais tarde recebeu o nome dele. Naquele período, José Pedro Steigleder era o prefeito.

Lauer afirma que, nos anos seguintes, durante alguns mandatos, o comando da Prefeitura foi alternado entre Germano Henke e Hélio Alves de Oliveira. Ele acrescenta que, nesse período, nas décadas de 50 e 60, houve muito investimento em infraestrutura da cidade, com melhorias nas ruas, praças e iluminação pública. “Montenegro começou a experimentar um desenvolvimento, um embelezamento”, observa.

Por dois anos consecutivos, em 1957 e 1958, o então prefeito Hélio Alves de Oliveira recebeu, das mãos do presidente da República Juscelino Kubitschek, o diploma de Município Mais Progressista do Brasil, para Montenegro. Ao retroceder no tempo, Lauer observa que a Prefeitura garantia muito apoio ao meio rural, dispondo de um parque de máquinas numeroso e ainda havia subprefeituras no interior. “O município experimentava um crescimento”, reafirma.

Lauer avança alguns anos na história e chega ao período em que Montenegro viveu a expectativa de um grande progresso com a instalação do Polo Petroquímico de Triunfo. “Fomos enganados”, lamenta. “Pensava-se que teria uma grande expansão demográfica com o Polo”, completa ele, que foi vereador nos anos 70 e 80.

Montenegro já recebeu o diploma de Município Mais Progressista do Brasil

Na avaliação de Lauer, um grande erro foi não ter realizado o asfaltamento da estrada que liga Montenegro ao Polo Petroquímico, atual RSC-124, naquela época. Para ele, essa carência prejudicou o deslocamento e contribuiu para que as pessoas, que migraram ao Estado em decorrência da instalação do Polo, optassem por outras cidades da região metropolitana. “O que sobrou, o pessoal que acabou vindo para cá (Montenegro) é aquele que trabalhou na construção, que eram de baixa renda”, analisa.

Desta forma, afirma Lauer, muitas das vilas de periferia do município foram formadas por famílias atraídas para trabalharem na obra. “O Polo gerou um problema social muito grande para Montenegro”, afirma ele. Aos prejuízos, Lauer acrescenta a dívida do Cura, que ainda continua sem previsão de ser paga. Trata-se de uma dívida realizada para investimentos na infraestrura da cidade para atender o esperado aumento populacional, que não ocorreu.

O promotor de Justiça aposentado lembra que o ex-prefeito Roberto Atayde Cardona, quando foi deputado estadual, propôs que parte da receita tributária de Triunfo com o Polo Petroquímico fosse repassada a Montenegro. A medida seria uma forma de compensar o problema social e financeiro do município, em consequência de uma expectativa frustrada. Lauer acrescenta, porém, que a proposta não foi aprovada e inclusive gerou briga no Legislativo. Na sua avaliação, Montenegro ainda não se recuperou do prejuízo.

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