Famílias que sofreram com o temporal começam a reconstrução de suas vidas
Aqueles com melhores condições financeiras já adquiriram telhas para iniciar a recuperação de seus telhados

A chuva da madrugada e as pancadas ao longo da manhã desta sexta-feira, dia 26, deixaram apreensivas as famílias que já sofreram com a tormenta que atingiu Montenegro no entardecer de quinta-feira, dia 25. Hoje, o dia está sendo de limpeza e reparos – para alguns é a reconstrução da própria vida, uma vez que foram fortemente atingidos e pouco do que tinham sobrou.

Quem tem disponibilidade financeira já adquiriu material de construção e começa a reconstruir suas moradias. Aqueles com maiores dificuldades financeiras precisam esperar o auxílio do Poder Público, que num primeiro momento chegou na forma de lonas. É o caso de Adriana Hilbert, 27 anos. A moradora do bairro Estação viu o telhado da sua residência ser completamente arrancado e espera auxílio da Prefeitura para fazer a  reconstrução. Inclusive, ela já fez contato com a secretaria municipal de Habitação, Desenvolvimento Social e Cidadania em busca de material. A expectativa é de que no início da próxima semana comecem a ser distribuídas telhas.

Casa de Adriana, no bairro Estação, teve o telhado completamente arrancado

Conforme Adriana, o vento levou o telhado de sua casa após a chuva de granizo. Ela estava dentro da residência com duas filhas suas e refugiou-se num anexo aos fundos, onde moram outros familiares. Por sorte, ninguém se feriu. Ficou, assim, o prejuízo, já que roupas, colchão, móveis e eletrodomésticos ficaram encharcados pela chuva. Agora, Adriana também conta com a ajuda de amigos e conhecidos – que já iniciaram uma corrente para doações – para reconstruir sua vida.

No bairro Aeroclube, localidade onde mais houve casa danificadas, Paulo Ricardo Oliveira da Rosa, 62 anos, segue desconsolado com os danos causados no local onde morava e trabalhava. Ele estima cerca de R$ 50 mil de prejuízo. Para a reconstrução do espaço, que é alugado, ele espera auxílio dos entes públicos. Enquanto isso, se abriga num canto da casa que ainda tem teto pode ser de laje a cobertura e não deseja se abrigar com parentes com medo de que eletrodomésticos de clientes – que já foram danificados pela chuva – sejam alvo de furto. “Eu já estou com prejuízo grande, me quebrou tudo aí que é do freguês e ainda vão me levar mais coisas, eu sei que levam. Não posso sair”, frisou.

Paulo está desolado com a situação causada pelo temporal

Dia para avaliar os estragos internos e iniciar a limpeza

Na casa da família de Alisson, dia seguinte ao do temporal é de limpeza e avaliação dos estragos

Com telhados já sendo recuperados ou, ao menos, cobertos de lona, as famílias que tiveram suas casas danificadas pelo temporal iniciam nesta sexta-feira o trabalho de limpeza e avaliação do que foi danificado. Era o que ocorria na casa onde Alisson Augusto dos Santos da Silva, 23 anos, mora com seus pais no bairro Aeroclube.

O jovem contou que a família está ficando na casa da sua avó enquanto aguarda a chegada de telhas. A lona que agora cobre o teto foi providenciada pela Prefeitura, que também já fez o levantamento de quantas telhas serão necessárias para restaurar o telhado da residência. “Estamos vendo o que se recupera, porque é chocante. O roupeiro e essas coisas tudo já logo começa a inchar. É aterrorizante”, revelou.

Alisson revelou, ainda, que ele e seu pai voltavam de Porto Alegre quando a tormenta atingiu Montenegro. “A gente veio e viu o tempo se fechando e tudo mais. Daí minha irmã ligou e disse que para cá estava mais feio ainda”, detalhou. No meio do caminho, foram obrigados pela força a chuva a parar em um posto de combustível. Ao chegarem na casa, já a encontraram totalmente sem telhado.

Danos também em igreja no Porto dos Pereira

Reformada há menos de três meses, a Capela Nossa Senhora dos Navegantes, de Porto dos Pereira, sofreu inúmeros danos no temporal. Várias telhas da igreja caíram com a força do vento e o forro desabou, causando prejuízos e deixando um cenário de destruição na parte interna do templo. O vendaval ainda ocasionou a queda de uma cruz da Capela, que desabou sobre o salão da comunidade e danificou a calha do local.

Coordenador da Capela, Luiz Antônio Viríssimo, o Toninho, afirma que a primeira missa de dezembro – marcada inicialmente para o dia 4 – está cancelada, e estima um prejuízo de 10 a 15 mil reais com os danos causados pelo temporal dessa quinta. “Além da cruz, do telhado e da calha que caíram, os bancos de madeira e MDF molharam também. Calculo pelo menos R$ 10 mil de prejuízo, de 10 a 15 mil, com certeza. A matriz faz seguro para todas as capelas e agora será feito o orçamento”, salienta.

Os próximos dias serão de muito trabalho para a comunidade da Capela Nossa Senhora dos Navegantes. A igreja, que foi toda reformada há poucos meses, já havia sofrido com um temporal há sete anos, quando boa parte do telhado também desabou com a força do vento.

Telhas caíram, forro cedeu e bancos molharam com o vendaval dessa quinta

Prefeitura prepara relatório para entregar ao Governo do Estado

De acordo com a Defesa Civil em Montenegro, até a manhã desta sexta-feira, 85 casas tiveram registro de destelhamento, 12 delas com perda total. Os bairros Aeroclube e Estação foram os mais atingidos. Um relatório está sendo montado para envio ao Governo do Estado. Hoje à tarde, a Defesa Civil da Região Metropolitana virá a Montenegro verificar os prejuízos. Pode ser decretado Estado de Emergência. O ginásio do bairro Cinco de Maio está sendo preparado para abrigar as pessoas em caso de necessidade.

Gabinete de crise está montado no Aeroclube para atender demanda da população que teve danos em suas moradias por causa do temporal

Quem precisar de atestado por falta ao trabalho deve procurar a Defesa Civil, no Parque Centenário, a partir de segunda-feira, dia 29. Além disso, um gabinete conjunto da secretaria municipal de Habitação, Desenvolvimento Social e Cidadania e Defesa Civil foi montando no Aeroclube para cadastramento de pessoas que precisam de auxílio. A tenda está localizada na rua Cylon Rosa esquina com a rua Dr. Faud Simões, próximo de um posto de combustíveis. Atendimentos também podem ser encaminhados pelos telefones 9 9459-4755 ou 9 961-0163.

Além disso, diante da grande demanda, é pedido que pessoas e empresas que possam doar telhas entrem em contato com a Prefeitura pelos telefones 9 9459-4755 ou 9 961-0163.

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